Sextou com notícia boa e nem tão boa assim para as contas do Brasil. Em janeiro, o setor público teve um superávit primário de R$ 103,7 bilhões. Em bom português, isso quer dizer que o governo arrecadou mais do que gastou com impostos e outras receitas, sem contar os juros da dívida. É como se você tivesse mais dinheiro entrando do que saindo da sua conta no fim do mês – uma folga que ajuda a equilibrar as finanças.

Esse resultado positivo é tradicional no começo do ano, já que a arrecadação federal se concentra em janeiro. Mas, como nem tudo são flores, as empresas estatais federais apresentaram um baita rombo de R$ 4,9 bilhões. E quem puxou essa conta para baixo foram os Correios, que andam passando por maus bocados financeiros.

O que significa esse superávit?

Para entender a importância desse superávit, imagine que o governo é como uma família. Se a família gasta mais do que ganha, ela precisa se endividar. Com o governo é a mesma coisa: quando ele gasta mais do que arrecada, ele precisa emitir mais dívida pública. E quanto mais dívida, mais juros o governo precisa pagar, sobrando menos dinheiro para investir em áreas importantes como saúde, educação e infraestrutura.

O superávit, portanto, é um sinal de que o governo está conseguindo controlar seus gastos e manter as contas em ordem. Isso aumenta a confiança dos investidores no Brasil, o que pode atrair mais investimentos estrangeiros e impulsionar o crescimento da economia. E, no fim das contas, uma economia mais forte significa mais empregos e renda para você.

O lado sombrio: o rombo das estatais

Apesar do superávit geral, o resultado negativo das estatais acende um sinal de alerta. Afinal, essas empresas deveriam estar contribuindo para o crescimento do país, e não dando prejuízo. E os Correios são um caso à parte. A empresa, que já foi um símbolo de eficiência, enfrenta uma crise financeira grave, com a concorrência de outras empresas de entrega e a queda no envio de cartas.

Se o governo não tomar medidas para reverter essa situação, o rombo das estatais pode comprometer o resultado das contas públicas e dificultar o cumprimento das metas fiscais. E, no fim das contas, quem paga a conta é o contribuinte, com impostos mais altos ou serviços públicos de menor qualidade.

O que esperar para o futuro?

Ainda é cedo para saber se o Brasil vai conseguir manter as contas públicas em ordem ao longo do ano. A aprovação de reformas importantes, como a da Previdência, é fundamental para controlar os gastos e garantir a sustentabilidade das contas no longo prazo. Mas, mesmo com as reformas, o governo precisará continuar atento aos gastos e buscar formas de aumentar a arrecadação, sem aumentar a carga tributária sobre a população.

Enquanto isso, o Goldman Sachs alertou que o Brasil precisa ficar de olho nas contas externas, principalmente no déficit em conta corrente. Segundo o banco, o país não tem muita margem para déficits elevados e repetidos, o que exige um controle rigoroso das contas e, em momentos de crise, até superávits.

Segundo Fabio Giambiagi, pesquisador da FGV/Ibre, o próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições de 2026, terá que promover um ajuste fiscal estrutural a partir de 2027. Ele defende a aprovação de uma Super PEC para conter o crescimento dos gastos obrigatórios da União.

E como ficam os seus investimentos nessa história? Se o governo conseguir manter as contas em ordem e a economia crescer, seus investimentos tendem a se valorizar. Mas, se o cenário fiscal se deteriorar, seus investimentos podem sofrer com a inflação e a desvalorização do real.

Por isso, é importante ficar de olho nas notícias e acompanhar de perto o desempenho da economia brasileira. E, claro, diversificar seus investimentos para reduzir os riscos. Afinal, como diz o ditado, não coloque todos os seus ovos na mesma cesta.