Se você foi ao supermercado hoje, talvez não tenha notado, mas a mais nova decisão do governo Trump já está começando a mexer com o bolso do brasileiro. Calma, vou explicar. É que o presidente americano anunciou uma tarifa global de 10% sobre as importações dos Estados Unidos, válida por 150 dias. E o efeito disso pode ser sentido desde a bomba de gasolina até a compra de eletrônicos.

O que está acontecendo?

Na prática, Trump resolveu taxar quase tudo que entra nos Estados Unidos. A medida, segundo a Casa Branca, é para tentar equilibrar as contas externas do país, que andam no vermelho. Eles alegam um déficit comercial de bens de US$ 1,2 trilhão em 2024 e 2025. Para quem não está acostumado com esses números, é um valor enorme!

Essa tarifa, confirmada na segunda-feira (24), foi tomada com base em uma lei de 1974 e visa, segundo o governo americano, corrigir problemas no balanço de pagamentos dos EUA após um revés na Suprema Corte na semana passada. Em discurso, Trump exaltou os ganhos no mercado, mas analistas apontaram que ele não deu detalhes sobre as tarifas, o que gerou incerteza.

Exceções

Vale destacar que nem tudo entra nessa taxação. Produtos agrícolas e do setor aeroespacial ficaram de fora, pelo menos por enquanto. Mas, de resto, a mordida é geral.

Por que isso importa para o Brasil?

A resposta é simples: o Brasil é um grande exportador para os Estados Unidos. Com essa tarifa, nossos produtos ficam mais caros por lá, o que pode diminuir as vendas e afetar a economia brasileira. É como aumentar o preço de um produto já caro: fica ainda mais difícil vendê-lo.

Além disso, a medida de Trump causa uma instabilidade no mercado financeiro. O dólar, que já vinha dando sinais de alta, tende a se valorizar ainda mais. E dólar alto significa que os produtos importados ficam mais caros, a gasolina sobe, e a inflação pode dar um susto.

O impacto no seu bolso

Prepare-se para sentir no bolso. Se você pretende comprar um eletrônico importado, como um celular ou computador, é bem provável que pague mais caro. A gasolina também deve subir, já que o preço do petróleo é cotado em dólar. E, no supermercado, alguns produtos que dependem de insumos importados podem ter um reajuste.

Inflação de 5% significa que o que custava R$ 100 há um ano, hoje custa R$ 105. Com o dólar em alta e as tarifas de Trump, a tendência é que essa conta fique ainda mais salgada.

E o acordo Mercosul-União Europeia?

Diante desse cenário, alguns especialistas acreditam que a turbulência causada por Trump pode até acelerar a finalização do acordo entre Mercosul e União Europeia. A lógica é que, com os Estados Unidos fechando as portas, os outros países se veem mais pressionados a buscar alternativas. Segundo Alexandre Lucchesi, coordenador do Grupo de Trabalho sobre América Latina no Observatório de Política Externa Brasileira (Opeb) da UFABC, a instabilidade gerada pela política comercial americana pode servir como um catalisador para os europeus.

O acordo, que já foi assinado, aguarda análise jurídica na Europa e pode enfrentar resistência nos parlamentos dos países envolvidos, principalmente no setor agrícola. Se sair do papel, pode ser uma boa alternativa para diversificar nossos parceiros comerciais e diminuir a dependência dos Estados Unidos.

O que esperar?

Ainda é cedo para cravar o que vai acontecer. A tarifa de Trump tem validade de 150 dias, mas pode ser suspensa, modificada ou estendida pelo Congresso americano. A oposição já se manifestou contrária à medida, então a briga promete ser boa.

Para a economia brasileira, o cenário é de atenção. O governo precisa monitorar de perto os impactos dessa tarifa e buscar alternativas para proteger o mercado interno e incentivar as exportações. E você, consumidor, prepare o bolso e comece a pesquisar preços. A palavra de ordem agora é economizar.

Por fim, vale lembrar que o mercado também está de olho nos resultados da Nvidia, gigante do setor de tecnologia, que serão divulgados hoje. O balanço é considerado um termômetro dos investimentos em inteligência artificial e pode influenciar o humor dos investidores.