A partir desta quarta-feira, 22 de julho de 2026, um novo capítulo na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos começa a ser escrito. As tarifas de 25% impostas pelo governo de Donald Trump sobre uma lista de produtos brasileiros já estão valendo. A medida, anunciada na semana passada, mira em exportações que, segundo Washington, criam barreiras comerciais desleais. No entanto, produtos considerados essenciais, como carne bovina, café e aeronaves, foram poupados da taxação.
Essa movimentação, que pairava no ar há semanas, pode gerar apreensão em quem vive do comércio exterior ou tem seu sustento atrelado a essas cadeações produtivas. Para entender como isso pode impactar nosso dia a dia, é preciso olhar para a reação do governo brasileiro e as ferramentas que ele pretende usar.
O que são as novas tarifas e quem será afetado?
A principal novidade do dia é a entrada em vigor das tarifas americanas. Elas incidem sobre uma seleção de itens que, na visão do governo Trump, se beneficiam de práticas comerciais injustas por parte do Brasil. A lista exata dos produtos taxados, que vai além do anunciado, está sob escrutínio dos exportadores. A preocupação é legítima, pois tarifas adicionais encarecem nossos produtos lá fora, tornando-os menos competitivos e podendo afetar o volume de negócios.
Na minha leitura, o governo Trump tem utilizado esses mecanismos para pressionar negociações comerciais e tentar reequilibrar a balança de poder. O curioso é que, enquanto algumas tarifas como essa de 25% entram em vigor hoje, outra, de 12,5%, ainda está em estudo e também se baseia em investigações sobre combate ao trabalho forçado. Essa sobreposição de medidas demonstra uma estratégia mais ampla de revisão das políticas comerciais americanas.
Brasil aposta na Lei da Reciprocidade, sem cair na armadilha da retaliação
A resposta brasileira tem sido cuidadosamente articulada. O vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Márcio Elias Rosa têm buscado tranquilizar o setor produtivo e a opinião pública, afirmando que a ação do Brasil não será uma retaliação cega ou desproporcional. A ideia é acionar a chamada Lei da Reciprocidade, aprovada unanimemente no Congresso no ano passado.
Alckmin foi enfático ao dizer que a reciprocidade "não é retaliação". A interpretação do governo é que a lei oferece instrumentos para corrigir situações consideradas injustas e que ferem as regras do comércio internacional, sem, contudo, alimentar um ciclo de punições mútuas que, como ele mesmo disse, pode levar a perdas irreparáveis para ambos os lados. Essa abordagem busca manter canais de diálogo abertos, ao mesmo tempo em que defende os interesses nacionais.
Quem acompanha o cenário econômico há mais tempo sabe que a tentação da retaliação direta é forte, especialmente quando se é alvo de medidas que parecem arbitrárias. Lembro-me de situações em outros governos onde a resposta imediata foi de contra-ataque, gerando ondas de instabilidade para ambos os lados. Desta vez, o governo parece optar por uma estratégia mais ponderada, buscando os mecanismos institucionais disponíveis e respeitando os trâmites legais, como consultas e audiências públicas, para qualquer ação que venha a ser tomada.
O que esperar no curto prazo?
A estratégia brasileira de reagir com reciprocidade, sem entrar em uma guerra comercial aberta, tende a ter efeitos mais sutis no cotidiano do consumidor. O foco principal será em aliviar o impacto sobre os exportadores e buscar compensações, seja por meio de acordos com outros mercados ou por incentivos internos. O governo já estuda um pacote de apoio para os setores mais afetados e acelera a busca por novos parceiros comerciais.
Para quem consome produtos importados dos EUA, o impacto direto das tarifas de 25% pode ser sentido no bolso, com um leve aumento de preços em algumas categorias. No entanto, a isenção de itens chave e a estratégia de não escalar o conflito comercial podem mitigar esse efeito. É importante acompanhar os desdobramentos na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde o Brasil defende que as medidas americanas contrariam as regras multilaterais de solução de disputas.
A publicação dos resultados da WEG (WEGE3) antes da abertura do mercado, com uma expectativa de lucro líquido menor, e a divulgação do CPI e PPI do Reino Unido são outros pontos da agenda econômica desta quarta-feira. Contudo, o grande holofote está voltado para a movimentação das tarifas entre Brasil e EUA, onde a diplomacia econômica busca um equilíbrio delicado.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.