Prepare o bolso! As novas tarifas de importação nos Estados Unidos, anunciadas pelo governo de Donald Trump, já estão dando o que falar e podem, sim, ter impacto no seu dia a dia. A medida, que entrou em vigor nesta semana, impõe uma taxa de 10% sobre praticamente todas as importações americanas, com algumas exceções.

O que mudou e por que Trump fez isso?

A Casa Branca justifica a medida como uma forma de combater um “déficit grande e sério” nas contas externas dos EUA. Para quem não sabe, déficit é quando o país gasta mais do que arrecada. Segundo o governo americano, o déficit comercial de bens chegou a US$ 1,2 trilhão nos últimos dois anos, e o déficit em conta corrente atingiu 4% do PIB em 2024, o maior desde 2008.

Essa não é a primeira vez que Trump usa tarifas como ferramenta de política econômica, e a jogada tem gerado polêmica no mundo todo. É como se ele estivesse elevando o muro para proteger a economia americana, mas essa proteção pode ter um preço para outros países, inclusive o Brasil.

Impacto no Brasil: o que entra na faca?

Nem tudo está perdido! Uma boa notícia é que o setor de aeronaves brasileiras foi excluído das novas tarifas. Ou seja, os aviões fabricados no Brasil, um dos principais produtos de exportação para os EUA, agora têm alíquota zero para entrar no mercado americano. Isso é um alívio para a Embraer e para a balança comercial brasileira.

Mas nem tudo são flores. Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), cerca de 25% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a US$ 9,3 bilhões, passam a estar sujeitas às tarifas de 10%. Produtos como máquinas, equipamentos, calçados, móveis e produtos químicos podem ficar mais caros por lá, o que pode diminuir a demanda e, consequentemente, as exportações brasileiras.

E no seu bolso?

Aí que a coisa fica interessante. Se as empresas brasileiras exportarem menos, podem reduzir a produção e até demitir funcionários. Além disso, se os produtos brasileiros ficarem mais caros nos EUA, os americanos podem optar por comprar de outros países, o que também prejudica a nossa economia. No fim das contas, tudo isso pode se traduzir em menos empregos e renda por aqui.

Acordo Mercosul-UE: uma luz no fim do túnel?

Diante desse cenário de protecionismo americano, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) volta a ganhar destaque. O acordo, que já foi assinado, ainda precisa passar por análise jurídica e pela aprovação dos parlamentos de cada país signatário. Mas, com as tarifas de Trump, a Europa pode ver o acordo com o Mercosul como uma alternativa para diversificar suas fontes de produtos e reduzir a dependência dos EUA.

Alexandre Lucchesi, coordenador do Grupo de Trabalho sobre América Latina no Observatório de Política Externa Brasileira (Opeb) da UFABC, avalia que a instabilidade gerada pela política comercial americana pode servir como um “acelerador” para as negociações entre Mercosul e UE.

O que esperar?

É difícil prever o futuro, mas uma coisa é certa: as políticas de Trump continuam a ter um impacto significativo na economia global e no Brasil. Resta acompanhar de perto os próximos capítulos dessa novela e torcer para que o Brasil consiga encontrar alternativas para mitigar os efeitos negativos e aproveitar as oportunidades que surgirem.

Ainda segundo informações da Câmara dos Deputados, o governo brasileiro está avaliando medidas para auxiliar os setores mais afetados pelas tarifas americanas. Resta saber se essas medidas serão suficientes para proteger o emprego e a renda dos brasileiros.