Sabe aquele ditado, "quando os Estados Unidos espirram, o Brasil pega um resfriado"? Pois bem, prepare o lenço. Donald Trump, mais uma vez, agitou o cenário econômico global ao anunciar uma tarifa de 10% sobre praticamente todas as importações americanas. E, como sempre, a gente sente o impacto por aqui.

O que mudou com a nova tarifa?

A medida, que já entrou em vigor hoje (24/02), tem validade inicial de 150 dias e foi justificada pelo governo americano como uma forma de combater um déficit comercial considerado “grande e sério”. Segundo a Casa Branca, os EUA acumularam um déficit de US$ 1,2 trilhão nos últimos dois anos.

Na prática, quase tudo que os Estados Unidos importam, de eletrônicos a roupas, ficará 10% mais caro para os importadores americanos. Existem algumas exceções, como produtos agrícolas e aeroespaciais, mas a lista é restrita.

Dólar nas alturas de novo?

A notícia das tarifas de Trump já causou um tremor no mercado cambial. Depois de abrir o dia em alta, o dólar fechou em queda de 0,26%, cotado a R$ 5,15. Mas, calma, essa calmaria pode ser passageira. A expectativa é que a medida pressione a nossa moeda, já que diminui a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA e aumenta a incerteza no comércio global.

No seu bolso: Um dólar mais caro significa que produtos importados, como eletrônicos, roupas e até alguns alimentos, podem ficar mais salgados. Além disso, viagens internacionais também pesam mais no orçamento.

Acordo Mercosul-UE em xeque?

Outro efeito colateral das tarifas de Trump pode ser o adiamento, ou até mesmo o cancelamento, do tão esperado acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tratado, que já foi assinado, aguarda análise jurídica na Europa e precisa ser aprovado pelos parlamentos de cada país.

Com a escalada do protecionismo americano, alguns especialistas acreditam que a União Europeia pode repensar seus acordos comerciais, priorizando mercados mais estáveis e previsíveis. Para Alexandre Lucchesi, coordenador do Grupo de Trabalho sobre América Latina no Observatório de Política Externa Brasileira (Opeb) da UFABC, a instabilidade gerada pela política comercial norte-americana pode servir como um catalisador para os europeus, ainda que de forma subjetiva.

O que está pegando?

O principal entrave para o acordo Mercosul-UE continua sendo a questão dos produtos agrícolas. Os europeus temem a concorrência dos produtos brasileiros, enquanto o Brasil busca ampliar seu acesso ao mercado europeu. A nova tarifa de Trump adiciona mais uma camada de complexidade a essa negociação.

E a China nessa história?

A China, como sempre, é um personagem central nessa trama. O governo chinês já solicitou aos Estados Unidos a suspensão das tarifas, argumentando que a medida viola as regras do comércio internacional e prejudica ambas as partes. As relações entre Washington e Pequim já não andam das melhores, e essa nova tarifa só agrava a situação.

Segundo o G1 Economia, Jacob Helberg, subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, disse em audiência no Congresso que o governo Trump deseja "relações estáveis com a China, mas não confia" no país. Uma declaração que resume bem o clima de tensão entre as duas maiores economias do mundo.

O que esperar?

É difícil prever os próximos capítulos dessa novela. O fato é que as tarifas de Trump trazem mais incerteza para o comércio global e podem impactar o bolso do brasileiro de diversas formas. Resta acompanhar de perto os desdobramentos e torcer para que a situação não se agrave ainda mais.

Fique de olho: Acompanhe as notícias do The Brazil News para se manter informado sobre os impactos das tarifas de Trump na economia brasileira e global. E, claro, prepare-se para possíveis mudanças nos preços de produtos importados e nas taxas de câmbio.