A cena se repete: você está navegando por aquele site de compras internacional, de olho em uma roupa nova ou um item de casa, e se depara com um preço que, de repente, não parece mais tão convidativo. Boa parte dessa sensação tem a ver com a famosa “taxa das blusinhas”, o imposto de importação de 20% que virou parte da rotina de quem compra lá fora.

Pois bem, nesta quarta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) jogou luz sobre os resultados dessa tributação. A entidade calcula que a medida foi um verdadeiro “freio de arrumação” para as importações, impedindo a entrada de nada menos que R$ 4,5 bilhões em produtos estrangeiros. E a coisa não para por aí: a CNI aponta que essa barreira ajudou a preservar mais de 135 mil empregos e movimentou quase R$ 20 bilhões dentro da nossa própria economia.

Para o setor da indústria, a matemática é simples e positiva: menos produtos de fora significam mais espaço para o que é feito aqui. É como abrir um corredor mais livre para os produtores locais competirem, gerando vagas e estimulando a atividade econômica nacional. A nota técnica da CNI, divulgada hoje, mostra que o número de remessas que entraram no país via o programa Remessa Conforme caiu de 179,1 milhões em 2024 para 159,6 milhões em 2025 – uma redução de 10,9%. Sem a taxa, a projeção da CNI era de que 205,9 milhões de pacotes teriam chegado em 2025, o que significa que o imposto de fato fez uma diferença considerável.

A balança do comércio eletrônico: indústria versus consumidor

A “taxa das blusinhas” foi implementada em agosto de 2024, após uma forte pressão do varejo nacional, que reclamava da concorrência desleal com produtos importados, muitas vezes sem a devida tributação. A ideia, que saiu do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi aprovada pelo Congresso Nacional, era regulamentar o comércio eletrônico transfronteiriço e dar fôlego à indústria local.

Mas, se por um lado a CNI celebra os números que mostram um estímulo à produção interna e a manutenção de postos de trabalho, por outro, a medida não é unanimidade. Para quem está do outro lado da tela, no papel de consumidor, a história tem outro tom. Menos importação significa, muitas vezes, menos opções e preços que podem ser mais salgados para certos produtos.

Pense naquela peça de roupa específica ou em um gadget que só se encontra com um bom custo-benefício lá fora. Com a taxa, a diferença de preço pode diminuir ou até desaparecer, fazendo com que o acesso a esses itens seja mais complicado ou custe mais caro para o orçamento familiar. É um equilíbrio delicado entre proteger a indústria local e garantir o poder de escolha e compra para o brasileiro.

Um debate quente em ano eleitoral

A discussão sobre a manutenção ou derrubada da tributação tem ganhado força, especialmente em um ano eleitoral. O peso da impopularidade de medidas que afetam o custo de vida da população é algo que o governo monitora de perto. Afinal, ninguém quer irritar o eleitor.

Recentemente, até mesmo alas do governo têm defendido a revisão da medida. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, comentou no fim de semana que o assunto é uma “decisão do Congresso Nacional” e que o governo ainda não bateu o martelo. Ou seja, a bola está rolando, e o jogo ainda não tem placar final.

Para nós, consumidores, o cenário é de ficar de olho. A decisão sobre a “taxa das blusinhas” não é apenas um número em uma planilha de balança comercial; ela pode se traduzir em mais ou menos opções de compra, em preços que sobem ou se mantêm e, em última instância, no quanto o seu salário consegue comprar no fim do mês. A indústria festeja, os consumidores ponderam, e o governo avalia. É a economia em seu eterno movimento, afetando cada detalhe do nosso dia a dia.