Sabe aquele alívio quando você acha que a conta vai ser alta, mas vem um valor menor? Foi mais ou menos o que aconteceu com o varejo em janeiro. Depois de um final de 2025 meio morno, as vendas surpreenderam e subiram 0,4% em relação a dezembro. Pode parecer pouco, mas, como dizem, de grão em grão a galinha enche o papo. E, no caso da economia, cada pontinho percentual faz diferença.

O que impulsionou essa alta?

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados nesta quarta-feira, mostrando que o varejo começou o ano com mais força do que se esperava. A pesquisa da Reuters apontava para uma queda de 0,1% na comparação mensal, mas o resultado foi o oposto. Na comparação com janeiro do ano passado, o aumento foi de 2,8%.

Quais setores puxaram essa alta? Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria foram os destaques, com um aumento de 2,6%. Tecidos, vestuário e calçados também tiveram um bom desempenho, subindo 1,8%. E, claro, os hipermercados e supermercados, que vendem produtos essenciais como alimentos e bebidas, registraram um aumento de 0,4%.

Nem tudo são flores

Mas nem tudo foi positivo. Alguns setores sentiram o baque, como equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que tiveram uma queda de 9,3%. Livros, jornais, revistas e papelaria também foram impactados, com uma redução de 1,8%. Combustíveis e lubrificantes também tiveram um recuo de 1,3%.

O que isso significa para você?

Bom, um varejo mais aquecido geralmente é um bom sinal. Significa que as pessoas estão comprando mais, o que pode gerar mais empregos e renda. Mas, no cenário atual, com a taxa de juros ainda alta, essa recuperação pode ser um pouco mais lenta. É como andar de bicicleta contra o vento: dá para ir, mas com mais dificuldade.

E por que a taxa de juros alta dificulta a vida do varejo? Simples: encarece o crédito. Se você precisa de um empréstimo para comprar um carro, uma geladeira ou mesmo para investir no seu negócio, vai ter que pagar juros mais altos. Isso desestimula o consumo e o investimento, o que pode frear o crescimento do varejo.

E a inflação?

A inflação é outro fator que pesa no bolso do consumidor. Se os preços dos produtos sobem, o seu dinheiro compra menos.

Os principais indicadores de inflação no Brasil são o IPCA, medido pelo IBGE, e o IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do país e serve de referência para as metas do Banco Central. Já o IGP-M é muito usado para reajustar contratos de aluguel e outros serviços.

O que esperar para o futuro?

O Banco Central deve se reunir em breve para decidir sobre a taxa Selic, que é a taxa básica de juros da economia. A expectativa é de que o BC comece a reduzir a Selic em breve, o que pode dar um impulso extra para o varejo. Mas, como a gente sabe, economia não é uma ciência exata e muitos fatores podem influenciar o cenário, como a instabilidade internacional e as políticas econômicas do governo.

Por enquanto, o importante é acompanhar de perto os indicadores e ficar de olho nas oportunidades. Afinal, como diz o ditado, “quem não arrisca, não petisca”. E, no mundo dos negócios, quem não se adapta, fica para trás.