O que é Metaverso?

Definição e Conceito

O termo "Metaverso" tem ganhado destaque nos últimos anos, especialmente após o anúncio de Mark Zuckerberg em 2021 sobre seus investimentos nesse universo virtual e a mudança do nome do Facebook para Meta. No entanto, o conceito é mais antigo e abrange uma vasta gama de ideias e tecnologias. Essencialmente, o metaverso é um espaço virtual compartilhado que busca mesclar as realidades física e digital, permitindo que pessoas interajam entre si e com o ambiente de maneira imersiva.

João Gabriel Oliveira, programador e LinkedIn Top Voice, define o metaverso como "uma realidade virtual compartilhada, interativa, que tem vida e que existe além da nossa realidade física". Ele enfatiza que o metaverso é frequentemente considerado um coletivo de universos virtuais, realidade aumentada e o universo físico, todos interconectados. Nesse ambiente, os usuários podem interagir de forma realista, em tempo real, principalmente através de avatares digitais.

No metaverso, elementos como realidade aumentada e hologramas são comuns. A Meta, ex-Facebook, descreve o metaverso como "a próxima evolução na conexão social e o sucessor da internet móvel". Assim como a internet, o metaverso visa conectar pessoas, independentemente de sua localização física, e proporcionar uma sensação de proximidade e presença compartilhada.

A Evolução da Conexão Social

O metaverso representa um passo significativo na evolução da forma como interagimos digitalmente. A internet, em sua forma original, era predominantemente textual e estática. Com o tempo, evoluímos para a web 2.0, que trouxe interatividade, redes sociais e conteúdo gerado pelo usuário. O metaverso, por sua vez, busca transcender a tela, oferecendo experiências imersivas e interativas que se aproximam da realidade física.

Essa evolução pode ser vista como uma busca contínua por maior engajamento e presença virtual. As redes sociais permitiram que nos conectássemos com amigos e familiares, compartilhássemos nossas vidas e participássemos de comunidades online. O metaverso leva essa conexão a um novo nível, permitindo que participemos de experiências compartilhadas, construamos mundos virtuais e interajamos de maneiras mais ricas e significativas.

Por exemplo, em vez de simplesmente assistir a um show online, no metaverso você poderia participar do show como um avatar, interagir com outros fãs e até mesmo influenciar o curso do evento. Em vez de apenas trabalhar remotamente, você poderia se reunir com seus colegas em um escritório virtual, colaborar em projetos em 3D e participar de atividades sociais em um ambiente imersivo.

Como o Metaverso Funciona?

Imersão e Interação

O funcionamento do metaverso envolve a utilização de diversas tecnologias para criar um ambiente virtual imersivo e interativo. Os usuários acessam esse mundo digital por meio de dispositivos tecnológicos, como computadores, smartphones ou, de forma mais imersiva, headsets de realidade virtual (VR) e realidade aumentada (AR). Uma vez dentro do metaverso, os usuários interagem com o ambiente e outros participantes através de seus avatares, representações digitais de si mesmos.

A imersão é um elemento chave do metaverso. Através de tecnologias como VR, os usuários são transportados para um mundo virtual que estimula seus sentidos e cria uma sensação de presença. A interação, por sua vez, permite que os usuários influenciem o ambiente e interajam com outros participantes, seja através de conversas, jogos, colaboração ou outras atividades.

O objetivo é que os usuários se sintam imersos no conteúdo, seja jogando, conversando com outros avatares, comprando itens virtuais ou até mesmo trabalhando. Essa imersão é alcançada através de gráficos 3D realistas, áudio espacial, feedback tátil e outras tecnologias que estimulam os sentidos e criam uma sensação de presença no mundo virtual.

Exemplos Práticos e Tecnologias Envolvidas

Para ilustrar o funcionamento do metaverso, podemos considerar alguns exemplos práticos e as tecnologias envolvidas:

  • Jogos: Jogos como Fortnite, Roblox, Decentraland e The Sandbox oferecem experiências de metaverso onde os usuários podem criar seus próprios mundos, interagir com outros jogadores, participar de eventos e até mesmo comprar e vender itens virtuais. Por exemplo, no Decentraland, os usuários podem comprar terrenos virtuais (LANDs) e construir suas próprias experiências, como galerias de arte, lojas ou jogos.
  • Trabalho e Colaboração: Empresas estão explorando o uso do metaverso para criar espaços de trabalho virtuais onde os funcionários podem se reunir, colaborar em projetos e participar de reuniões. Plataformas como Horizon Workrooms da Meta permitem que os usuários se conectem em um ambiente virtual utilizando seus avatares, mesmo que estejam fisicamente distantes.
  • Entretenimento: Artistas como Ariana Grande e Emicida já realizaram shows virtuais em plataformas como Fortnite, atraindo milhões de espectadores. Esses shows oferecem uma experiência imersiva e interativa, permitindo que os fãs participem do evento de uma forma que não seria possível em um show tradicional.
  • Comércio: Empresas estão criando lojas virtuais no metaverso onde os usuários podem navegar por produtos, experimentar roupas virtualmente e fazer compras. A Nike, por exemplo, possui um espaço no Roblox chamado Nikeland, onde os usuários podem experimentar produtos virtuais da marca e participar de jogos e atividades temáticas.

As tecnologias envolvidas no funcionamento do metaverso incluem:

  • Realidade Virtual (VR): Headsets de VR, como o Oculus Quest da Meta, permitem que os usuários se imergam completamente em um mundo virtual, bloqueando o mundo real e estimulando seus sentidos com imagens e sons gerados por computador.
  • Realidade Aumentada (AR): Dispositivos de AR, como smartphones e óculos inteligentes, sobrepõem elementos virtuais ao mundo real, criando uma experiência híbrida. Por exemplo, aplicativos de AR permitem que os usuários experimentem roupas virtualmente antes de comprá-las ou visualizem móveis em sua casa antes de adquiri-los.
  • Blockchain e Criptomoedas: A tecnologia blockchain permite a criação de ativos digitais únicos e verificáveis, como NFTs (tokens não fungíveis), que podem ser usados para representar a propriedade de itens virtuais no metaverso. Criptomoedas, como Bitcoin e Ethereum, podem ser usadas como forma de pagamento para comprar e vender bens e serviços virtuais.
  • Inteligência Artificial (IA): A IA pode ser usada para criar avatares mais realistas e interativos, gerar conteúdo virtual e personalizar a experiência do usuário no metaverso.

Origens e História do Metaverso

O Romance Snow Crash e o Termo 'Metaverso'

Embora o conceito de metaverso tenha ganhado popularidade recentemente, a ideia não é nova. O termo "metaverso" foi cunhado pelo escritor Neal Stephenson em seu romance de ficção científica de 1992, "Snow Crash". No livro, o metaverso é um mundo virtual 3D onde as pessoas interagem através de avatares.

Em "Snow Crash", os humanos interagem uns com os outros através de software em um espaço virtual tridimensional. O protagonista, um entregador de pizza no mundo real, é um samurai no metaverso. O livro explora temas como realidade virtual, linguagem e o futuro da sociedade em um mundo cada vez mais digital.

Embora "Snow Crash" seja a obra mais conhecida por popularizar o termo "metaverso", a ideia de um universo digital compartilhado pode ser encontrada em obras de ficção científica ainda mais antigas. No entanto, o romance de Stephenson ajudou a cristalizar o conceito e a inspirar muitos dos projetos e tecnologias que hoje estão associados ao metaverso.

Pioneiros e Empresas Investindo no Metaverso

Após a publicação de "Snow Crash", várias empresas e projetos começaram a explorar a ideia de um metaverso. No início dos anos 2000, jogos como Second Life e Minecraft foram algumas das primeiras tentativas de criar mundos virtuais interativos onde os usuários podiam criar, socializar e interagir com o ambiente.

  • Second Life: Lançado em 2003, Second Life é um mundo virtual 3D onde os usuários podem criar seus próprios avatares, construir casas, socializar com outros usuários e participar de eventos. O jogo permite que os usuários comprem e vendam itens virtuais usando uma moeda virtual chamada Linden Dollars, criando uma economia digital dentro do jogo.
  • Minecraft: Lançado em 2011, Minecraft é um jogo de construção e exploração onde os usuários podem criar seus próprios mundos usando blocos. O jogo permite que os usuários joguem sozinhos ou com outros jogadores em servidores online, criando comunidades e colaborando em projetos.

Nos últimos anos, grandes empresas de tecnologia como Meta, Microsoft e Nvidia têm investido pesadamente no desenvolvimento do metaverso. Essas empresas acreditam que o metaverso tem o potencial de transformar a forma como trabalhamos, socializamos e nos divertimos.

  • Meta: A Meta, ex-Facebook, está investindo bilhões de dólares no desenvolvimento de hardware e software para o metaverso. A empresa está trabalhando em headsets de VR e AR, plataformas de colaboração virtual e ferramentas para criação de conteúdo virtual. O Horizon Worlds da Meta é um exemplo de um metaverso em desenvolvimento, onde os usuários podem criar seus próprios mundos e interagir com outros usuários.
  • Microsoft: A Microsoft está focando no uso do metaverso para trabalho e colaboração. A empresa está desenvolvendo plataformas como Microsoft Mesh, que permite que os usuários se conectem em um ambiente virtual utilizando seus avatares, mesmo que estejam fisicamente distantes. A Microsoft também está integrando o metaverso ao Microsoft Teams, sua plataforma de comunicação e colaboração empresarial.
  • Nvidia: A Nvidia está fornecendo a infraestrutura computacional necessária para alimentar o metaverso. A empresa está desenvolvendo GPUs (unidades de processamento gráfico) de alta performance e plataformas de software que permitem a criação de mundos virtuais realistas e interativos. O Nvidia Omniverse é um exemplo de uma plataforma de software que permite que os criadores de conteúdo colaborem em projetos 3D em tempo real.

Aplicações e Possibilidades do Metaverso

Entretenimento e Jogos

O metaverso oferece inúmeras possibilidades para o entretenimento e os jogos. Os jogos no metaverso podem ser mais imersivos e interativos do que os jogos tradicionais, permitindo que os jogadores se sintam como se estivessem realmente dentro do jogo. Os jogos no metaverso também podem oferecer novas formas de socialização, permitindo que os jogadores se conectem e interajam com outros jogadores de todo o mundo.

Além dos jogos, o metaverso também pode ser usado para criar novas formas de entretenimento, como shows virtuais, eventos esportivos virtuais e experiências imersivas. Por exemplo, artistas podem realizar shows virtuais no metaverso, permitindo que os fãs assistam ao show de qualquer lugar do mundo. Eventos esportivos virtuais podem ser realizados no metaverso, permitindo que os fãs assistam aos jogos de uma perspectiva totalmente nova.

Alguns exemplos de aplicações no entretenimento e jogos incluem:

  • Shows Virtuais: Artistas como Ariana Grande e Travis Scott já realizaram shows virtuais em plataformas como Fortnite, atraindo milhões de espectadores. Esses shows oferecem uma experiência imersiva e interativa, permitindo que os fãs participem do evento de uma forma que não seria possível em um show tradicional. Por exemplo, o show virtual de Travis Scott no Fortnite atraiu mais de 12 milhões de espectadores simultâneos.
  • Jogos Imersivos: Jogos como Decentraland e The Sandbox oferecem experiências de metaverso onde os usuários podem criar seus próprios mundos, interagir com outros jogadores, participar de eventos e até mesmo comprar e vender itens virtuais. No Decentraland, os usuários podem comprar terrenos virtuais (LANDs) e construir suas próprias experiências, como galerias de arte, lojas ou jogos.
  • Eventos Esportivos Virtuais: A NBA já realizou jogos virtuais no metaverso, permitindo que os fãs assistam aos jogos de uma perspectiva totalmente nova. Os fãs podem usar seus avatares para se sentar à beira da quadra virtual e interagir com outros fãs.

Trabalho e Colaboração

O metaverso também oferece inúmeras possibilidades para o trabalho e a colaboração. O metaverso pode ser usado para criar espaços de trabalho virtuais onde os funcionários podem se reunir, colaborar em projetos e participar de reuniões. Os espaços de trabalho virtuais no metaverso podem ser mais imersivos e interativos do que os espaços de trabalho tradicionais, permitindo que os funcionários se sintam mais conectados e engajados.

Além dos espaços de trabalho virtuais, o metaverso também pode ser usado para criar novas formas de colaboração, como simulações virtuais e treinamentos virtuais. Por exemplo, engenheiros podem usar o metaverso para simular o funcionamento de um novo produto ou sistema antes de construí-lo fisicamente. Médicos podem usar o metaverso para praticar cirurgias complexas em um ambiente virtual seguro.

Alguns exemplos de aplicações no trabalho e colaboração incluem:

  • Espaços de Trabalho Virtuais: Plataformas como Horizon Workrooms da Meta e Microsoft Mesh permitem que os usuários se conectem em um ambiente virtual utilizando seus avatares, mesmo que estejam fisicamente distantes. Esses espaços de trabalho virtuais podem ser personalizados para atender às necessidades de cada equipe e projeto.
  • Simulações Virtuais: Engenheiros da Boeing estão usando o metaverso para simular o processo de montagem de aeronaves, permitindo que eles identifiquem e resolvam problemas antes que eles ocorram na linha de produção real.
  • Treinamentos Virtuais: A Walmart está usando o metaverso para treinar seus funcionários em diversas áreas, como atendimento ao cliente e gerenciamento de estoque. Os treinamentos virtuais são mais imersivos e interativos do que os treinamentos tradicionais, permitindo que os funcionários aprendam de forma mais eficaz.

Comércio e Economia Digital

O metaverso está criando novas oportunidades para o comércio e a economia digital. No metaverso, os usuários podem comprar e vender bens e serviços virtuais, como roupas, acessórios, terrenos e experiências. O metaverso também está criando novas formas de publicidade e marketing, permitindo que as empresas alcancem um público mais amplo e engajado.

A economia do metaverso é baseada em criptomoedas e NFTs (tokens não fungíveis). Criptomoedas como Bitcoin e Ethereum podem ser usadas como forma de pagamento para comprar e vender bens e serviços virtuais. NFTs podem ser usados para representar a propriedade de itens virtuais únicos e valiosos.

Alguns exemplos de aplicações no comércio e economia digital incluem:

  • Lojas Virtuais: Empresas como Nike e Gucci estão criando lojas virtuais no metaverso onde os usuários podem navegar por produtos, experimentar roupas virtualmente e fazer compras. A Nike possui um espaço no Roblox chamado Nikeland, onde os usuários podem experimentar produtos virtuais da marca e participar de jogos e atividades temáticas.
  • Terrenos Virtuais: Os usuários podem comprar e vender terrenos virtuais em plataformas como Decentraland e The Sandbox. O valor dos terrenos virtuais pode variar dependendo de sua localização, tamanho e potencial de desenvolvimento. Em 2021, um terreno virtual no Decentraland foi vendido por mais de US$ 2,4 milhões.
  • NFTs: Artistas e criadores de conteúdo estão usando NFTs para vender obras de arte digitais, músicas e outros itens colecionáveis. O mercado de NFTs explodiu nos últimos anos, com algumas obras de arte digitais sendo vendidas por milhões de dólares.

NFTs e o Metaverso: Uma Combinação Poderosa

O que são NFTs e como funcionam no Metaverso

NFTs (Non-Fungible Tokens), ou Tokens Não Fungíveis, são ativos digitais únicos e indivisíveis que representam a propriedade de um item específico. Ao contrário de criptomoedas como Bitcoin, que são fungíveis (ou seja, cada unidade é idêntica a outra), cada NFT é único e possui um valor próprio. Essa singularidade torna os NFTs ideais para representar a propriedade de itens virtuais no metaverso, como obras de arte digitais, terrenos virtuais, roupas e acessórios para avatares, e outros itens colecionáveis.

No metaverso, os NFTs funcionam como certificados de propriedade digital. Quando um usuário compra um NFT, ele se torna o proprietário exclusivo daquele item, e essa propriedade é registrada em uma blockchain, tornando-a transparente e imutável. Essa propriedade permite que os usuários exibam seus NFTs em galerias virtuais, usem roupas e acessórios exclusivos em seus avatares, ou até mesmo aluguem seus terrenos virtuais para outros usuários.

A combinação de NFTs e metaverso cria uma economia digital vibrante e descentralizada. Os criadores de conteúdo podem usar NFTs para monetizar suas obras e interagir diretamente com seus fãs, enquanto os usuários podem comprar, vender e trocar itens virtuais com segurança e transparência. Essa economia digital está impulsionando a inovação e a criatividade no metaverso, abrindo novas oportunidades para artistas, criadores e empreendedores.

Por exemplo, um artista pode criar uma obra de arte digital única e vendê-la como um NFT no metaverso. O comprador do NFT se torna o proprietário exclusivo daquela obra de arte e pode exibi-la em sua galeria virtual ou vendê-la para outro colecionador. O artista, por sua vez, recebe uma parte dos lucros cada vez que o NFT é revendido, criando uma fonte de renda contínua.

Outro exemplo é a venda de terrenos virtuais como NFTs no metaverso. Plataformas como Decentraland e The Sandbox permitem que os usuários comprem terrenos virtuais e construam suas próprias experiências, como jogos, lojas ou galerias de arte. A propriedade desses terrenos é representada por NFTs, que podem ser comprados, vendidos e alugados livremente no mercado.