O que é a Taxa Selic?

Definição e Importância

A Taxa Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central do Brasil (BCB) para controlar a inflação e influenciar a atividade econômica. Em termos simples, a Selic é a taxa que o governo paga aos bancos para tomar dinheiro emprestado e, inversamente, a taxa que os bancos pagam ao governo quando emprestam dinheiro para ele. Essa taxa serve como referência para todas as outras taxas de juros praticadas no país, desde as taxas de empréstimos e financiamentos até as taxas de rendimento de investimentos.

A importância da Taxa Selic reside na sua capacidade de impactar diversos aspectos da vida financeira dos brasileiros. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, desestimulando o consumo e o investimento, o que, por sua vez, pode ajudar a conter a inflação. Por outro lado, quando a Selic cai, o crédito se torna mais acessível, incentivando o consumo e o investimento, o que pode impulsionar o crescimento econômico. Além disso, a Selic influencia diretamente a rentabilidade de diversos investimentos, especialmente os de renda fixa.

Para ilustrar a importância da Selic, vamos considerar um exemplo prático. Suponha que a Taxa Selic esteja em 12% ao ano. Nesse cenário, um banco que toma dinheiro emprestado do governo terá que pagar essa taxa de juros. Para compensar esse custo, o banco repassará essa taxa para os seus clientes, cobrando juros mais altos em empréstimos e financiamentos. Isso significa que, se você quiser comprar um carro financiado, por exemplo, pagará juros maiores do que pagaria se a Selic estivesse mais baixa.

Outro ponto crucial é o impacto da Selic na inflação. O Banco Central utiliza a Selic como ferramenta para controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o BCB eleva a Selic para tornar o crédito mais caro e desestimular o consumo. Com menos dinheiro circulando na economia, a demanda por bens e serviços diminui, o que tende a conter a alta dos preços. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o BCB pode reduzir a Selic para estimular o consumo e o investimento, impulsionando a atividade econômica.

Como a Selic Afeta a Economia

A Taxa Selic exerce um impacto significativo em diversos setores da economia. Compreender como essa taxa influencia diferentes áreas é fundamental para tomar decisões financeiras mais conscientes e para entender o cenário econômico como um todo.

  • Crédito: Como mencionado anteriormente, a Selic afeta diretamente as taxas de juros de empréstimos e financiamentos. Quando a Selic sobe, as taxas de juros tendem a aumentar, tornando o crédito mais caro e desestimulando o consumo e o investimento. Por outro lado, quando a Selic cai, as taxas de juros tendem a diminuir, tornando o crédito mais acessível e incentivando o consumo e o investimento. Por exemplo, uma alta da Selic pode fazer com que as parcelas de um financiamento imobiliário aumentem, impactando o orçamento familiar.
  • Inflação: A Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando a inflação está alta, o BCB eleva a Selic para conter a demanda e, consequentemente, a alta dos preços. Quando a inflação está baixa, o BCB pode reduzir a Selic para estimular a economia. Por exemplo, se o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) estiver acima da meta estabelecida pelo governo, o BCB pode aumentar a Selic para tentar conter a inflação.
  • Investimentos: A Selic influencia diretamente a rentabilidade de diversos investimentos, especialmente os de renda fixa. Quando a Selic sobe, os investimentos atrelados a essa taxa, como o Tesouro Selic, tendem a render mais. Por outro lado, quando a Selic cai, esses investimentos tendem a render menos. Além disso, a Selic pode influenciar indiretamente a rentabilidade de investimentos de renda variável, como ações, pois afeta o custo do capital das empresas e o ambiente de negócios como um todo. Por exemplo, um investidor que aplica em Tesouro Selic se beneficia diretamente de uma alta da Selic, pois a rentabilidade do seu investimento aumenta.
  • Atividade Econômica: A Selic afeta o nível de atividade econômica como um todo. Quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro, o que pode desestimular o consumo e o investimento, levando a uma desaceleração da economia. Por outro lado, quando a Selic está baixa, o crédito se torna mais acessível, o que pode estimular o consumo e o investimento, impulsionando o crescimento econômico. Por exemplo, uma queda da Selic pode incentivar as empresas a investir em novos projetos, gerando empregos e renda.
  • Câmbio: A Selic também pode influenciar a taxa de câmbio. Juros mais altos no Brasil podem atrair investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade, o que aumenta a demanda por reais e pode valorizar a moeda brasileira. Por outro lado, juros mais baixos podem tornar o Brasil menos atraente para investidores estrangeiros, o que pode diminuir a demanda por reais e desvalorizar a moeda brasileira. Por exemplo, uma alta da Selic pode fazer com que o real se valorize em relação ao dólar, tornando as importações mais baratas e as exportações mais caras.

É importante ressaltar que a relação entre a Selic e a economia é complexa e multifacetada. Outros fatores, como a política fiscal do governo, a situação econômica internacional e as expectativas dos agentes econômicos, também podem influenciar o desempenho da economia. No entanto, a Selic é um dos principais instrumentos de política econômica à disposição do governo e exerce um papel fundamental na condução da economia brasileira.

O que é o COPOM?

Composição e Funcionamento do COPOM

O Comitê de Política Monetária (COPOM) é o órgão do Banco Central do Brasil (BCB) responsável por definir a Taxa Selic. Ele é composto pelo presidente do BCB e pelos diretores da instituição. O COPOM se reúne ordinariamente a cada 45 dias para analisar o cenário econômico e decidir sobre a política monetária.

A composição do COPOM é estratégica, reunindo os principais tomadores de decisão do Banco Central. Essa estrutura garante que a definição da Taxa Selic seja baseada em uma análise abrangente e profunda da situação econômica do país. Os membros do COPOM trazem diferentes perspectivas e especialidades, o que enriquece o debate e contribui para decisões mais ponderadas.

O funcionamento do COPOM é regido por um processo formal e transparente. Antes de cada reunião, os membros do comitê recebem uma série de relatórios e análises elaborados pela equipe técnica do Banco Central. Esses documentos apresentam um panorama completo da economia brasileira e internacional, incluindo dados sobre inflação, atividade econômica, mercado de trabalho, contas externas e expectativas dos agentes econômicos.

Durante as reuniões, os membros do COPOM discutem o cenário econômico, avaliam os riscos e oportunidades e apresentam suas propostas para a política monetária. O debate é intenso e busca identificar a melhor estratégia para atingir as metas de inflação estabelecidas pelo governo. Ao final da reunião, os membros do COPOM votam e a decisão sobre a Taxa Selic é divulgada por meio de um comunicado oficial.

É importante destacar que as decisões do COPOM são tomadas com base em critérios técnicos e em busca do bem-estar da sociedade. O comitê não está sujeito a pressões políticas ou de grupos de interesse. O objetivo principal do COPOM é manter a estabilidade dos preços e garantir o bom funcionamento da economia brasileira.

Para ilustrar o funcionamento do COPOM, vamos imaginar a seguinte situação: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) está acima da meta estabelecida pelo governo, indicando que a inflação está alta. Nesse cenário, a equipe técnica do Banco Central elabora um relatório alertando para os riscos da inflação e recomendando uma elevação da Taxa Selic. Durante a reunião do COPOM, os membros do comitê analisam o relatório, discutem as possíveis consequências da alta da Selic e avaliam se essa é a medida mais adequada para conter a inflação. Ao final da discussão, os membros do COPOM votam e decidem elevar a Selic em 0,5 ponto percentual. Essa decisão é divulgada por meio de um comunicado oficial, explicando os motivos da alta e as perspectivas para a economia.

Calendário de Reuniões

O COPOM se reúne ordinariamente a cada 45 dias, conforme um calendário previamente divulgado pelo Banco Central. Essas reuniões são momentos cruciais para a definição da política monetária e, consequentemente, para o rumo da economia brasileira. Acompanhar o calendário de reuniões do COPOM é fundamental para investidores, analistas e demais interessados no cenário econômico.

O calendário de reuniões do COPOM é divulgado com antecedência no site do Banco Central do Brasil. Essa transparência permite que os agentes econômicos se preparem para os anúncios de política monetária e ajustem suas estratégias de investimento. Além das reuniões ordinárias, o COPOM pode se reunir extraordinariamente em situações de emergência ou quando eventos inesperados exigem uma resposta rápida da política monetária.

As reuniões do COPOM geralmente duram dois dias. No primeiro dia, os membros do comitê discutem o cenário econômico e avaliam os riscos e oportunidades. No segundo dia, eles votam e decidem sobre a Taxa Selic. Ao final da reunião, o Banco Central divulga um comunicado oficial explicando a decisão e as perspectivas para a economia.

O calendário de reuniões do COPOM é uma ferramenta importante para acompanhar a política monetária e entender as decisões do Banco Central. Ao conhecer as datas das reuniões, os investidores podem se preparar para os anúncios de política monetária e ajustar suas estratégias de investimento de acordo com as expectativas do mercado. Além disso, o calendário de reuniões permite que os analistas e demais interessados no cenário econômico acompanhem de perto as decisões do COPOM e avaliem seus impactos na economia brasileira.

Por exemplo, suponha que o calendário de reuniões do COPOM indique que a próxima reunião será realizada em duas semanas. Nesse período, os investidores e analistas acompanharão de perto os indicadores econômicos, como a inflação, o nível de atividade econômica e o mercado de trabalho, para tentar prever qual será a decisão do COPOM. Se os indicadores econômicos indicarem que a inflação está alta, os investidores podem esperar que o COPOM eleve a Selic. Por outro lado, se os indicadores econômicos indicarem que a economia está fraca, os investidores podem esperar que o COPOM mantenha ou reduza a Selic.

Como o COPOM Define a Taxa Selic?

Análise do Cenário Econômico

A definição da Taxa Selic pelo COPOM é um processo complexo que envolve uma análise minuciosa do cenário econômico, tanto nacional quanto internacional. O COPOM leva em consideração uma ampla gama de indicadores e fatores para tomar a decisão mais adequada para a política monetária.

Entre os principais indicadores analisados pelo COPOM, destacam-se:

  • Inflação: O COPOM monitora de perto os índices de inflação, como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), para avaliar a pressão inflacionária na economia. O objetivo do COPOM é manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo governo.
  • Atividade Econômica: O COPOM acompanha o desempenho da atividade econômica, por meio de indicadores como o PIB (Produto Interno Bruto), a produção industrial, as vendas no varejo e o nível de emprego. O objetivo do COPOM é garantir um crescimento econômico sustentável, sem gerar inflação.
  • Mercado de Trabalho: O COPOM analisa os dados do mercado de trabalho, como a taxa de desemprego, a criação de vagas e a evolução dos salários, para avaliar a saúde do mercado de trabalho e seu impacto na inflação.
  • Contas Externas: O COPOM monitora as contas externas do país, como a balança comercial, o balanço de pagamentos e a dívida externa, para avaliar a vulnerabilidade da economia a choques externos.
  • Expectativas dos Agentes Econômicos: O COPOM acompanha as expectativas dos agentes econômicos, como as projeções de inflação, crescimento e taxa de câmbio, para avaliar o grau de confiança na economia e antecipar possíveis movimentos do mercado.
  • Cenário Internacional: O COPOM analisa o cenário econômico internacional, incluindo o desempenho das principais economias, as taxas de juros praticadas em outros países e os preços das commodities, para avaliar o impacto do cenário externo na economia brasileira.

Além dos indicadores econômicos, o COPOM também leva em consideração outros fatores, como a política fiscal do governo, a situação política e social do país e os riscos geopolíticos. A análise do cenário econômico é fundamental para que o COPOM possa tomar a decisão mais adequada para a política monetária.

Para ilustrar a análise do cenário econômico pelo COPOM, vamos considerar a seguinte situação: o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) está acima da meta estabelecida pelo governo, o PIB (Produto Interno Bruto) está crescendo a um ritmo moderado, a taxa de desemprego está em queda e o cenário internacional é favorável. Nesse cenário, o COPOM pode decidir elevar a Taxa Selic para conter a inflação, sem prejudicar o crescimento econômico. A alta da Selic tornará o crédito mais caro, o que pode desestimular o consumo e o investimento, ajudando a conter a alta dos preços. Ao mesmo tempo, a alta da Selic pode atrair investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade, o que pode valorizar a moeda brasileira e reduzir a pressão inflacionária.

Votação e Anúncio da Decisão

Após a análise do cenário econômico, os membros do COPOM apresentam suas propostas para a política monetária e votam para decidir sobre a Taxa Selic. A votação é secreta e a decisão é tomada por maioria simples. Em caso de empate, o voto do presidente do Banco Central é o que prevalece.

A decisão do COPOM é anunciada por meio de um comunicado oficial, divulgado no site do Banco Central. O comunicado explica os motivos da decisão, apresenta as perspectivas para a economia e indica a direção futura da política monetária. O comunicado do COPOM é um documento importante para investidores, analistas e demais interessados no cenário econômico, pois fornece informações valiosas sobre as perspectivas do Banco Central para a economia.

O anúncio da decisão do COPOM geralmente gera grande expectativa no mercado financeiro. Os investidores e analistas acompanham de perto o comunicado do COPOM para avaliar seus impactos nos investimentos e na economia. A decisão do COPOM pode influenciar as taxas de juros, o câmbio, a bolsa de valores e outros ativos financeiros.

Para ilustrar o processo de votação e anúncio da decisão do COPOM, vamos considerar a seguinte situação: após a análise do cenário econômico, os membros do COPOM apresentam suas propostas para a política monetária. Alguns membros defendem a elevação da Taxa Selic para conter a inflação, enquanto outros defendem a manutenção da Selic para não prejudicar o crescimento econômico. Após o debate, os membros do COPOM votam e a decisão é tomada por maioria simples. Se a maioria dos membros votar pela elevação da Selic, o Banco Central divulgará um comunicado oficial explicando os motivos da alta e apresentando as perspectivas para a economia. O comunicado do COPOM poderá indicar que o Banco Central está preocupado com a inflação e que poderá continuar elevando a Selic nas próximas reuniões, caso a inflação não recue.

Impacto da Selic nos Investimentos

Renda Fixa e a Selic

A Taxa Selic exerce um impacto direto e significativo nos investimentos de renda fixa. Essa relação é fundamental para que investidores possam tomar decisões informadas e otimizar seus retornos.

Títulos Públicos: Os títulos públicos indexados à Selic, como o Tesouro Selic, são diretamente influenciados pelas decisões do COPOM. Quando a Selic sobe, a rentabilidade desses títulos tende a aumentar, tornando-os mais atrativos. Por outro lado, quando a Selic cai, a rentabilidade desses títulos tende a diminuir. O Tesouro Selic é uma opção popular para investidores conservadores, pois oferece baixo risco e rentabilidade atrelada à taxa básica de juros da economia.

CDBs, LCIs e LCAs: Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) também são influenciados pela Selic. A rentabilidade desses investimentos geralmente é expressa como um percentual da Selic. Por exemplo, um CDB que paga 100% do CDI (que geralmente acompanha a Selic) renderá o mesmo que a Selic. Quando a Selic sobe, a rentabilidade desses investimentos tende a aumentar, e vice-versa. No entanto, é importante observar que a rentabilidade dos CDBs, LCIs e LCAs pode variar dependendo da instituição financeira e do prazo do investimento.

Fundos de Renda Fixa: Os fundos de renda fixa investem em diversos tipos de títulos, incluindo títulos públicos e privados indexados à Selic. A rentabilidade desses fundos é influenciada pela Selic, mas também por outros fatores, como a taxa de administração do fundo e a performance dos títulos em carteira. Quando a Selic sobe, os fundos de renda fixa tendem a apresentar melhores resultados, e vice-versa.

Para ilustrar o impacto da Selic nos investimentos de renda fixa, vamos considerar a seguinte situação: um investidor aplica R$ 10.000 em um Tesouro Selic quando a Selic está em 12% ao ano. Se a Selic subir para 13% ao ano, a rentabilidade do investimento do investidor aumentará, e ele receberá mais juros. Por outro lado, se a Selic cair para 11% ao ano, a rentabilidade do investimento do investidor diminuirá, e ele receberá menos juros. Além disso, se o investidor precisar resgatar o investimento antes do vencimento, ele estará sujeito à marcação a mercado, que pode afetar o valor do resgate.

É importante ressaltar que a Selic não é o único fator que influencia a rentabilidade dos investimentos de renda fixa. Outros fatores, como a inflação, o risco de crédito e as expectativas do mercado, também podem afetar o desempenho desses investimentos. Por isso, é fundamental que os investidores façam uma análise cuidadosa antes de investir em renda fixa, levando em consideração seus objetivos financeiros, seu perfil de risco e as perspectivas para a economia.

Renda Variável e a Selic

Embora a Taxa Selic tenha um impacto mais direto nos investimentos de renda fixa, ela também exerce influência sobre os investimentos de renda variável, como ações, fundos imobiliários e ETFs (Exchange Traded Funds). Essa influência é mais indireta, mas ainda assim relevante.

Ações: A Selic pode afetar o desempenho das ações de diversas formas. Juros mais altos podem reduzir o consumo e o investimento, o que pode impactar negativamente os lucros das empresas e, consequentemente, o preço das ações. Além disso, juros mais altos podem tornar os investimentos de renda fixa mais atrativos, o que pode levar a uma migração de investidores da renda variável para a renda fixa, pressionando o preço das ações para baixo. Por outro lado, juros mais baixos podem estimular o consumo e o investimento, o que pode impulsionar os lucros das empresas e, consequentemente, o preço das ações. Além disso, juros mais baixos podem tornar os investimentos de renda variável mais atrativos, o que pode levar a um aumento da demanda por ações e uma valorização dos preços.

Fundos Imobiliários: A Selic também pode influenciar o desempenho dos fundos imobiliários. Juros mais altos podem aumentar o custo do financiamento imobiliário, o que pode impactar negativamente o mercado imobiliário e, consequentemente, a rentabilidade dos fundos imobiliários. Além disso, juros mais altos podem tornar os investimentos de renda fixa mais atrativos, o que pode levar a uma migração de investidores dos fundos imobiliários para a renda fixa, pressionando o preço das cotas para baixo. Por outro lado, juros mais baixos podem estimular o mercado imobiliário e aumentar a demanda por imóveis, o que pode impulsionar a rentabilidade dos fundos imobiliários. Além disso, juros mais baixos podem tornar os investimentos de renda variável mais atrativos, o que pode levar a um aumento da demanda por cotas de fundos imobiliários e uma valorização dos preços.

ETFs (Exchange Traded Funds): Os ETFs são fundos de índice que replicam o desempenho de um determinado índice de mercado, como o Ibovespa. A Selic pode afetar o desempenho dos ETFs da mesma forma que afeta o desempenho das ações que compõem o índice replicado pelo ETF.

Para ilustrar o impacto da Selic nos investimentos de renda variável, vamos considerar a seguinte situação: o COPOM eleva a Taxa Selic em 1 ponto percentual. Essa alta da Selic pode impactar negativamente o mercado de ações, pois torna o crédito mais caro, o que pode reduzir o consumo e o investimento das empresas. Além disso, a alta da Selic pode tornar os investimentos de renda fixa mais atrativos, o que pode levar a uma migração de investidores da renda variável para a renda fixa, pressionando o preço das ações para baixo. No entanto, é importante ressaltar que outros fatores, como o desempenho da economia global, a política fiscal do governo e as notícias sobre as empresas, também podem influenciar o desempenho do mercado de ações.

É importante que os investidores de renda variável acompanhem de perto as decisões do COPOM e avaliem seus impactos nos investimentos. A Selic é um dos muitos fatores que podem influenciar o desempenho da renda variável, e é fundamental que os investidores estejam preparados para ajustar suas estratégias de investimento de acordo com as mudanças no cenário econômico.

Impacto da Selic na Inflação

Relação entre Selic e IPCA

A Taxa Selic e o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) são dois indicadores econômicos que mantêm uma relação estreita e fundamental para a saúde da economia brasileira. O IPCA é o principal indicador da inflação no Brasil, medindo a variação dos preços de um conjunto de bens e serviços consumidos pelas famílias. A Selic, por sua vez, é a taxa básica de juros da economia, utilizada pelo Banco Central para controlar a inflação.

A relação entre Selic e IPCA é complexa e bidirecional. De um lado, a inflação (medida pelo IPCA) influencia as decisões do COPOM sobre a Selic. Quando a inflação está alta, o COPOM tende a elevar a Selic para conter a demanda e, consequentemente, a alta dos preços. Por outro lado, a Selic influencia a inflação. Quando o COPOM eleva a Selic, o crédito fica mais caro, o que pode desestimular o consumo e o investimento, levando a uma desaceleração da economia e, consequentemente, a uma redução da inflação. Por outro lado, quando o COPOM reduz a Selic, o crédito se torna mais acessível, o que pode estimular o consumo e o investimento, impulsionando a atividade econômica e, consequentemente, a inflação.

O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento de política monetária para manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta de inflação é definida anualmente e serve como referência para as ações do Banco Central. Quando a inflação está acima da meta, o Banco Central tende a elevar a Selic para conter a demanda e trazer a inflação de volta para a meta. Quando a inflação está abaixo da meta, o Banco Central pode reduzir a Selic para estimular a economia e elevar a inflação.

Para ilustrar a relação entre Selic e IPCA, vamos considerar a seguinte situação: o IPCA acumulado nos últimos 12 meses está em 6%, acima da meta de inflação estabelecida pelo CMN, que é de 3,5%. Nesse cenário, o COPOM pode decidir elevar a Taxa Selic para conter a inflação. A alta da Selic tornará o crédito mais caro, o que pode desestimular o consumo e o investimento, levando a uma desaceleração da economia e, consequentemente, a uma redução da inflação. O objetivo do COPOM é trazer a inflação de volta para a meta de 3,5% ao ano.

Como a Selic Controla a Inflação

A Taxa Selic atua como um instrumento de controle da inflação através de diversos mecanismos que afetam o comportamento dos agentes econômicos. Compreender como esses mecanismos funcionam é essencial para entender o papel da Selic na estabilidade dos preços.

EncEnc encarecimento do Crédito: Quando o COPOM eleva a Selic, o crédito se torna mais caro para empresas e consumidores. Taxas de juros mais altas em empréstimos, financiamentos e cartões de crédito desestimulam o consumo e o investimento, reduzindo a demanda agregada na economia. Com menos demanda, as empresas têm menos incentivo para aumentar os preços, o que ajuda a conter a inflação.

Estímulo à Poupança: Juros mais altos tornam os investimentos de renda fixa mais atrativos, incentivando os consumidores a poupar em vez de gastar. Com mais dinheiro sendo poupado, a demanda por bens e serviços diminui, o que também ajuda a conter a inflação.

Impacto no Câmbio: A Selic também pode influenciar a taxa de câmbio. Juros mais altos no Brasil podem atrair investidores estrangeiros em busca de maior rentabilidade, o que aumenta a demanda por reais e pode valorizar a moeda brasileira. Um real mais forte torna as importações mais baratas, o que pode ajudar a reduzir a inflação de bens importados e de produtos que utilizam insumos importados em sua produção.

Expectativas dos Agentes Econômicos: As decisões do COPOM sobre a Selic também influenciam as expectativas dos agentes econômicos em relação à inflação futura. Quando o COPOM eleva a Selic de forma crível e consistente, os agentes econômicos tendem a acreditar que o Banco Central está comprometido com o controle da inflação, o que pode levar a uma redução das expectativas de inflação e, consequentemente, a uma menor pressão inflacionária.

Para ilustrar como a Selic controla a inflação, vamos considerar a seguinte situação: a inflação está alta e o COPOM decide elevar a Selic. A alta da Selic encarece o crédito, o que desestimula o consumo e o investimento. Além disso, a alta da Selic torna os investimentos de renda fixa mais atrativos, o que incentiva os consumidores a poupar em vez de gastar. Com menos demanda na economia, as empresas têm menos incentivo para aumentar os preços, o que ajuda a conter a inflação. Além disso, a alta da Selic pode valorizar o real, tornando as importações mais baratas e ajudando a reduzir a inflação de bens importados. Finalmente, a alta da Selic sinaliza que o Banco Central está comprometido com o controle da inflação, o que pode levar a uma redução das expectativas de inflação e, consequentemente, a uma menor pressão inflacionária.