Janeiro voou e fevereiro já está batendo à porta. Para o investidor, isso significa uma coisa: hora de repensar a carteira e ver o que as casas de análise andam aprontando. A última semana de janeiro trouxe algumas mudanças interessantes nas recomendações de ações, com foco em dividendos e no cenário macroeconômico que se desenha para 2026.

De olho nos dividendos

Para quem busca renda passiva, a palavra mágica é dividendo. E algumas empresas parecem estar especialmente bem posicionadas para entregar bons retornos nesse quesito. A Ágora Investimentos, por exemplo, promoveu uma dança das cadeiras em sua carteira recomendada de dividendos para fevereiro. Saíram Vale e Telefônica Brasil (VIVT3), entraram Caixa Seguridade (CXSE3) e TIM (TIMS3).

A justificativa? Segundo a Ágora, a TIM parece ligeiramente mais atraente em uma comparação relativa. Já a Caixa Seguridade entra no radar por conta da alta previsibilidade de resultados e, consequentemente, da recorrência de dividendos. A decisão da Caixa Seguridade de distribuir R$ 990 milhões em dividendos intermediários, equivalentes a R$ 0,33 por ação, certamente pesou na escolha. A informação foi divulgada em primeira mão pelo Seu Dinheiro.

Completam a carteira da Ágora as ações da Allos (ALOS3), Isa Energia (ISAE4) e Itaú (ITUB4). A expectativa de retorno médio via dividendos, medido pelo dividend yield médio da carteira, é de 7,4% para 2026. É como colher os frutos de uma árvore bem plantada, sem precisar derrubá-la.

Selic no radar e novas apostas

Não é só de dividendo que vive o investidor. O cenário macroeconômico, com a Selic em trajetória de queda (ou, pelo menos, a expectativa de que continue caindo), também influencia as escolhas. A Empiricus Research, por exemplo, fez uma mudança estratégica em sua carteira recomendada de ações, trocando Multiplan (MULT3) por Smart Fit (SMFT3).

A Multiplan saiu após uma valorização de 20,9% em janeiro, um belo ganho para o investidor. A Smart Fit, por sua vez, entra na carteira com a promessa de um robusto potencial de expansão e ganhos de margem bruta e operacional. Segundo a analista Larissa Quaresma, mesmo após a recente alta da bolsa, algumas teses de alta qualidade permaneceram estáveis e não acompanharam o movimento, como é o caso da Smart Fit.

A Empiricus também elevou a exposição ao Nubank (ROXO34), por ser um dos nomes mais sensíveis a juros do setor financeiro. Afinal, boa parte do custo do Nubank está atrelado ao CDI/Selic. É como um barco a vela esperando o vento favorável: o corte na Selic pode impulsionar os resultados do banco digital.

Onde Gol entra nessa história?

Você deve estar se perguntando: e a Gol (GOLL4)? Por que a ação não apareceu nas recomendações? A verdade é que, em meio a um cenário de renegociação de dívidas e incertezas no setor aéreo, a Gol ainda inspira cautela. Mas isso não significa que ela esteja fora do radar. Para investidores mais arrojados, dispostos a correr mais riscos em busca de um potencial de valorização maior, a Gol pode ser uma opção a ser considerada. Mas, como sempre, é fundamental fazer a própria análise e ponderar os riscos e as recompensas.

Diversificar é a chave

Em um mundo de tantas opções de investimentos, diversificar a carteira continua sendo a melhor estratégia para proteger o patrimônio e buscar retornos consistentes. Não coloque todos os ovos na mesma cesta, como diz o ditado. Explore diferentes setores da economia, diferentes classes de ativos e diferentes estratégias de investimento. E lembre-se: o Tesouro Direto continua sendo uma excelente opção para quem busca segurança e rentabilidade, especialmente em um cenário de Selic em queda. Afinal, investir é como plantar uma árvore: exige paciência, cuidado e diversificação para que os frutos sejam abundantes.