Domingo de manhã, hora de fazer um balanço da semana que passou e projetar os próximos passos no mundo dos investimentos. Afinal, com tantas opções e opiniões, é fácil se sentir perdido. E, cá entre nós, ninguém quer que o suado dinheiro vá para o ralo, certo?

Na última semana, enquanto muitos curtiam o verão, o mercado financeiro continuou fervendo. Tivemos dados importantes sobre a inflação, que segue sendo o principal termômetro para as decisões do Banco Central, e a expectativa para a próxima reunião do Copom já começou a movimentar as mesas de negociação.

E por falar em decisões, as carteiras recomendadas de ações voltaram a ser o centro das atenções. Mas será que vale a pena seguir cegamente essas sugestões? A resposta, como sempre, é: depende.

Ações: Carteiras Recomendadas e a Busca pelo Santo Graal

A lógica é simples: casas de análise e corretoras montam portfólios teóricos com as ações que, na visão delas, têm maior potencial de valorização em um curto espaço de tempo, geralmente uma semana. É como um cardápio selecionado por um chef experiente, mas o seu paladar (e bolso) é que mandam.

A Terra Investimentos, por exemplo, divulgou sua carteira semanal, com mudanças pontuais. Segundo informações do Money Times, a Rumo (RAIL3) deu espaço para a entrada de Localiza (RENT3). A justificativa? O famoso stop loss, aquele limite de perda que, quando atingido, dispara a ordem de venda automática. É como um paraquedas: você espera nunca precisar usar, mas é bom saber que ele está ali.

Além de Localiza, a carteira da Terra Investimentos conta com MRV (MRVE3), Fleury (FLRY3), Hypera (HYPE3) e Klabin (KLBN11). Na semana anterior, o desempenho do portfólio ficou negativo em 0,84%, enquanto o Ibovespa avançou 1,62%. Um tropeço, digamos assim. Mas, no acumulado de 12 meses, a carteira acumula ganhos de 60,56%, superando com folga o Ibovespa, que subiu 34,99% no mesmo período. Ou seja, no longo prazo, a estratégia parece funcionar.

A grande questão é: você tem estômago para aguentar os solavancos? Carteiras semanais são como montanhas-russas: emoção garantida, mas nem sempre um final feliz. O investidor de longo prazo, que busca construir patrimônio de forma consistente, talvez prefira estratégias mais conservadoras.

Estratégias Defensivas: Dividendos em Foco

Uma alternativa é focar em empresas sólidas, com bom histórico de pagamento de dividendos. Dividendos são como aluguéis: você recebe uma renda passiva sem precisar vender suas ações. É o famoso “viver de renda”, um sonho que muitos investidores perseguem.

Claro, nem tudo são flores. Empresas que pagam altos dividendos geralmente têm menos potencial de crescimento, já que distribuem parte do lucro em vez de reinvestir no negócio. É uma escolha: priorizar o presente ou o futuro?

FIIs: O Retorno dos Tijolos (e da Logística)

Se as ações são como montanhas-russas, os Fundos Imobiliários (FIIs) podem ser comparados a um passeio de teleférico: mais estável, com uma vista panorâmica e menos adrenalina. Mas, assim como no teleférico, é importante escolher bem o trajeto.

Os FIIs de tijolo, especialmente os de logística, brilharam em 2025. Um levantamento da Quantum Finance, divulgado pelo Money Times, mostrou que esses fundos dominaram o ranking dos maiores retornos do IFIX, o índice que acompanha o desempenho dos FIIs na B3.

O REC Renda (RECT11), um FII de lajes comerciais, liderou o ranking com valorização de 58% em 2025. Na sequência, vieram RBR Log (RBRL11), Pátria Logística (PATL11) e Bluemacaw Logística (BLMG11), com retornos de 55%, 54% e 50%, respectivamente.

A explicação para esse bom desempenho é relativamente simples: o setor de logística se beneficiou do crescimento do e-commerce e da necessidade de empresas de armazenarem e distribuírem seus produtos de forma eficiente. É a lei da oferta e da procura em ação.

Cautela Nunca é Demais

Mas, antes de sair correndo para investir em FIIs de logística, é preciso ter cautela. O mercado antecipa tendências, e o que fez sucesso no passado nem sempre se repete no futuro. Além disso, a taxa de juros alta pode impactar negativamente o setor imobiliário, tornando os investimentos em renda fixa mais atrativos.

O Cenário Econômico e a Selic no Radar

E por falar em taxa de juros, a Selic, a taxa básica da economia brasileira, segue sendo a principal bússola para os investidores. O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central se reúne regularmente para definir a Selic, levando em conta fatores como a inflação, o nível de atividade econômica e o cenário internacional.

A expectativa é que o Banco Central continue cortando a Selic gradualmente ao longo de 2026, mas a intensidade e a duração desse ciclo de cortes são incertas. A inflação, como sempre, é a grande incógnita. Se os preços voltarem a subir, o Banco Central pode ser obrigado a frear o ritmo de cortes ou até mesmo interrompê-lo.

No cenário internacional, as atenções se voltam para o Fed (Federal Reserve), o banco central americano, e o BCE (Banco Central Europeu). As decisões de política monetária dessas instituições têm impacto direto no mercado global, influenciando o fluxo de capitais e as taxas de câmbio.

Conclusão: Informação é Poder

Em resumo, o mercado financeiro é um campo minado de oportunidades e riscos. Para navegar com segurança, é fundamental estar bem informado, conhecer seu perfil de investidor e ter uma estratégia clara. Não siga dicas furadas, não acredite em promessas de enriquecimento rápido e, acima de tudo, invista com responsabilidade. Afinal, o futuro do seu patrimônio está em suas mãos.

E lembre-se: diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta. Distribua seus investimentos entre diferentes classes de ativos, como ações, FIIs, renda fixa e até mesmo criptomoedas (com moderação, é claro). Assim, você reduz o risco e aumenta as chances de alcançar seus objetivos financeiros.