Sextou com 'S' de 'Saiu o acordo!' Depois de mais de duas décadas e meia de novela, Mercosul e União Europeia finalmente apertaram as mãos. E, claro, a pergunta que não quer calar é: e agora, José? Calma, que eu, Lucas Mendonça, te explico o que muda (e o que não muda tanto assim) para você que investe.

O que rolou, afinal?

Basicamente, o Conselho Europeu deu o aval político para o acordo comercial. É como se a gente estivesse esperando a liberação do técnico para escalar o time. A burocracia ainda vai rolar, com cerimônia de assinatura e tudo mais, mas o sinal verde já foi dado. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse é o maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul.

Estamos falando de um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB (Produto Interno Bruto) combinado de mais de US$ 22 trilhões. É gente e dinheiro pra caramba!

Ibovespa e o 'Efeito Acordo'

A notícia, claro, animou o mercado. O Ibovespa fechou a sexta-feira (9) com alta de 0,27%, aos 163.370,31 pontos, acumulando uma valorização de 1,76% na primeira semana cheia do ano. Mas, sinceramente? Não coloque todos os ovos na cesta do acordo. Outros fatores também influenciaram, como o bom humor em Wall Street após a divulgação do payroll (relatório de emprego dos EUA).

O ponto é: o acordo é um catalisador positivo, mas não espere fogos de artifício. O mercado financeiro é movido a expectativas, e boa parte dessa expectativa já estava precificada. O 'rali' (sequência de altas) já aconteceu antes mesmo da assinatura. Agora, o que vai ditar o ritmo são os próximos passos, a implementação do acordo e, claro, o humor do mercado global.

Dólar, Real e o Câmbio: Calma lá...

Outra pergunta comum: o acordo vai derrubar o dólar? A resposta curta é: não necessariamente. O câmbio é influenciado por uma miríade de fatores, desde a política monetária do Banco Central até o apetite por risco dos investidores estrangeiros. O acordo Mercosul-UE pode, sim, trazer um fluxo maior de investimentos no longo prazo, o que teoricamente fortalece o real. Mas não espere uma mudança drástica da noite para o dia.

Afinal, o dólar é como aquele amigo que sempre dá um jeito de se valorizar, não importa o que aconteça.

E o Agro, como fica?

Aqui a coisa fica mais interessante. O agronegócio brasileiro é um dos setores que mais podem se beneficiar do acordo. Mais acesso ao mercado europeu significa mais oportunidades para os nossos produtos. Mas... sempre tem um 'mas', né?

Segundo Marcos Jank, professor do Insper ouvido pelo Money Times, o acesso para o setor não é tão grande quanto se esperava, com cotas baixas e algumas salvaguardas que podem restringir o comércio em caso de crescimento excessivo. Ou seja, não espere uma porteira escancarada para os nossos produtos. Mas, ainda assim, é um avanço.

Os 3 ganhos do Agro, segundo especialista

Na visão de Leonardo Munhoz, advogado especializado em direito ambiental também citado pelo Money Times, o agro ganha em três dimensões: acesso a mercado, investimentos e melhoria da imagem do setor. Esse último ponto é crucial, já que a imagem do agronegócio brasileiro na Europa nem sempre é das melhores. O acordo pode ser uma oportunidade de mostrar que é possível produzir de forma sustentável.

O Acordo é bom? É ruim? Depende...

Como tudo na vida, o acordo Mercosul-UE tem seus prós e contras. É um avanço importante para a integração comercial e para o fortalecimento do Mercosul. Mas também é preciso ter em mente que a implementação será gradual e que nem todos os setores serão igualmente beneficiados. O presidente Lula classificou o aval ao acordo como um “dia histórico para o multilateralismo”, como mostrou a InfoMoney.

Para o investidor, a lição é: não se deixe levar pelo hype. Analise os dados, entenda os riscos e as oportunidades, e tome decisões conscientes. E, claro, continue acompanhando o The Brazil News para ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro.