O acordo Mercosul-União Europeia, depois de anos de discussões (e muita pizza), parece que vai virar realidade. A pergunta que não quer calar é: quem realmente vai se dar bem com isso, especialmente no agronegócio? Porque, sejamos honestos, nem tudo que reluz é ouro.

A euforia inicial precisa ser colocada em perspectiva. O impacto do acordo, de acordo com analistas ouvidos pelo Money Times, será limitado e gradual. Ou seja, não espere uma explosão de lucros da noite para o dia. Mas calma, isso não significa que não existam oportunidades. É aí que entra a parte interessante.

Os Campeões do Agro: Café, Aves, Etanol e Açúcar

O BTG Pactual já apontou os quatro setores do agronegócio que, na visão deles, têm o maior potencial de ganho estrutural: café, aves, etanol e açúcar. A análise deles, claro, não é oráculo, mas serve como um bom ponto de partida para entender onde estão as melhores chances.

Açúcar e Etanol: Doce e Amargo?

No caso do açúcar, o acordo mantém a cota existente de 180 mil toneladas com tarifa zero. Pode parecer bom, mas essa cota representa apenas 3% das exportações brasileiras de açúcar. Segundo o BTG, as vendas para a União Europeia já superam esse limite em cerca de 670 mil toneladas. Ou seja, o impacto incremental é limitado. Na prática, o produtor pode conseguir preços melhores dentro da cota, mas não espere um aumento significativo nos volumes exportados.

Já para o etanol, foi criada uma cota de 650 milhões de litros por ano, também com tarifa zero. É um avanço, sem dúvida, mas ainda precisa ser analisado com lupa para entender o real impacto nas contas das empresas.

Oportunidades e Desafios

É fundamental que as empresas do setor fiquem atentas às mudanças nas regras e regulamentações. A adaptação será crucial para aproveitar ao máximo as oportunidades que surgirem. E aqui entra um ponto importante: a tão discutida reforma tributária. Se o Brasil conseguir simplificar seu sistema de impostos, isso pode impulsionar ainda mais a competitividade do agronegócio no mercado internacional. Mas, se a reforma for mal feita, pode virar um tiro no pé.

O governo também tem um papel importante a desempenhar. É preciso criar um ambiente de negócios favorável, com menos burocracia e mais incentivos para o setor. Uma plataforma governamental eficiente, que facilite o acesso a informações e serviços, pode fazer toda a diferença para as pequenas e médias empresas do agro.

De Olho no Longo Prazo

O acordo Mercosul-União Europeia não é uma solução mágica para todos os problemas do agronegócio brasileiro. Mas é um passo importante na direção certa. As empresas que souberem se adaptar, inovar e buscar novos mercados terão mais chances de sucesso. E, claro, os investidores que ficarem de olho nas tendências e oportunidades do setor também podem colher bons frutos. Afinal, como diz o ditado, quem planta, colhe. E no agro, essa máxima faz ainda mais sentido.

Lembre-se, investir sempre envolve riscos. Faça sua lição de casa, estude as empresas, analise os cenários e, se precisar, procure um profissional para te ajudar a tomar as melhores decisões. E, acima de tudo, tenha paciência. No mercado financeiro, como na agricultura, os resultados nem sempre vêm da noite para o dia.