O primeiro trimestre de 2026 se desenha como um período de respiro para a B3, com a expectativa de um dos melhores resultados em captação de recursos externos desde 2022. A incerteza global, turbinada pelas tensões no Oriente Médio, não parece ter espantado o apetite do investidor estrangeiro pelo Brasil. Mas, afinal, o que está por trás desse movimento e quais as perspectivas para as próximas semanas?

O que atrai o capital estrangeiro?

Segundo dados preliminares, a B3 acumulou um saldo positivo de R$ 48,7 bilhões em entrada de capital externo no primeiro trimestre. Para contextualizar, o último ano em que vimos números tão robustos foi 2022, impulsionado pelos preços elevados das commodities e juros altos que favoreciam a arbitragem com as taxas dos países desenvolvidos. Mas e agora?

Desta vez, o cenário é um pouco diferente. A principal atração, segundo analistas, é o preço considerado convidativo de algumas ações brasileiras em comparação com seus pares nos Estados Unidos e em outros mercados emergentes. Em outras palavras, o Brasil está, entre aspas, “em promoção”. Some-se a isso o ciclo de afrouxamento monetário, com a Selic em queda, e as eleições presidenciais no radar, que sempre trazem um tempero extra de especulação.

Small Caps no radar: Oportunidades e Mudanças

Enquanto os grandes players globais analisam o cenário macro, os investidores locais também ficam de olho nas oportunidades em empresas menores. As chamadas “small caps” – empresas com menor valor de mercado – podem oferecer um potencial de crescimento interessante, embora com um risco proporcionalmente maior. É como apostar em um cavalo que ainda não provou seu valor, mas tem potencial para surpreender.

A Terra Investimentos, por exemplo, anunciou sua nova carteira recomendada de small caps para abril, com algumas mudanças estratégicas. As ações da São Martinho (SMTO3) e SLC Agrícola (SLCE3) deram lugar a Minerva Foods (BEEF3) e Azzas 2154 (AZZA3). A corretora justifica a inclusão da Minerva pela sua forte presença no mercado internacional de carne bovina e a Azzas 2154 pelos seus múltiplos atrativos e potencial de crescimento. C&A (CEAB3), Brava Energia (BRAV3), Suzano (SUZB3), Plano&Plano (PLPL3), Smart Fit (SMFT3) e Intelbras (INTB3) foram mantidas na carteira.

Dividendos: A renda passiva que atrai investidores

Para quem busca uma renda passiva, as ações de empresas pagadoras de dividendos são sempre um atrativo. O Banco Safra, que mantém uma carteira recomendada focada em dividendos, não fez alterações para abril. A Petrobras (PETR4) e a Vale (VALE3) continuam sendo as queridinhas do banco, que destaca o bom potencial de pagamento de dividendos e as perspectivas de crescimento dessas empresas.

Petrobras: Entre a governança e os preços dos combustíveis

A Petrobras, em particular, merece um olhar atento. A empresa, que liderou os ganhos do Ibovespa em março, continua sendo um tema central no debate econômico. A política de preços dos combustíveis e a governança da estatal são fatores que podem impactar significativamente o seu desempenho e, consequentemente, a distribuição de dividendos. Mudanças na política de preços, por exemplo, podem afetar a rentabilidade da empresa e, portanto, a sua capacidade de remunerar os acionistas.

É importante lembrar que, embora a Petrobras tenha apresentado resultados robustos nos últimos trimestres, o cenário político e econômico está em constante mudança. A proximidade das eleições presidenciais e as discussões sobre a governança da empresa adicionam um grau de incerteza que os investidores precisam considerar. Afinal, investir em ações é como navegar em um mar revolto: é preciso estar atento às ondas e ventos para não perder o rumo.

Balanço da semana e perspectivas futuras

Na última semana, o Ibovespa completou a segunda semana consecutiva de ganhos, impulsionado por um otimismo cauteloso em relação ao cenário internacional e às perspectivas para a economia brasileira. O índice encerrou a semana aos 188.042,02 pontos, com uma valorização de 3,58%. Já o dólar à vista fechou a R$ 5,1599, com uma queda de 1,56% ante o real.

Para a próxima semana, a expectativa é de que o mercado continue atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e aos sinais da política monetária global. No Brasil, os investidores devem monitorar de perto os indicadores econômicos e as notícias sobre o cenário eleitoral. Afinal, em um mundo cada vez mais complexo e interconectado, a informação é a chave para tomar decisões de investimento mais assertivas.