Quarta-feira de sol para o Ibovespa, que cravou mais um recorde, fechando acima dos 168 mil pontos. O pregão foi marcado pela forte entrada de capital estrangeiro, que turbinou as ações de peso como Vale e Petrobras, e por uma tentativa de recuperação do setor de educação, após um início de semana turbulento. Mas nem tudo foram flores: a TIM (TIMS3) destoou do bom humor geral.

Gigantes em festa: Vale e Petrobras surfam a onda gringa

Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) foram as estrelas do dia, impulsionadas pelo apetite dos investidores estrangeiros por ativos brasileiros. As duas blue chips, com grande peso no Ibovespa e expostas a commodities dolarizadas, são sempre o destino preferido da grana que vem de fora.

Para entender a lógica, pense assim: o investidor gringo está com mais apetite por mercados emergentes. Onde ele vai colocar o dinheiro primeiro? Nas ações mais líquidas e fáceis de negociar, que no Brasil são justamente Vale e Petrobras. É como escolher um prato principal em um restaurante: você busca algo substancial e que satisfaça suas expectativas de sabor e qualidade.

Educação respira (mas ainda precisa de ar)

Depois de um tombo feio no início da semana, as ações das empresas de educação ensaiaram uma recuperação. Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) e Ser Educacional (SEER3) subiram, dando continuidade ao movimento de terça-feira.

O gatilho para essa recuperação foi a revisão das recomendações para o setor pelo BTG Pactual. Na segunda-feira, vale lembrar, o setor apanhou bastante após a divulgação de notas abaixo do esperado no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed).

É importante lembrar que o mercado financeiro tem memória curta, mas não é burro. Uma nota ruim no Enamed acende um sinal de alerta, mas não decreta o fim do mundo para as empresas de educação. O que os investidores querem ver agora é se essa recuperação vai se sustentar nos próximos pregões.

Fleury no radar do Goldman Sachs

Quem também chamou a atenção hoje foi a Fleury (FLRY3). O Goldman Sachs elevou a recomendação das ações da empresa de diagnósticos de neutra para compra, com um novo preço-alvo de R$ 18 (antes era R$ 15). A notícia animou os investidores, e as ações da Fleury subiram.

Segundo o Goldman, a dinâmica de retorno sobre o capital investido (ROIC) da Fleury permanece saudável, e o desempenho de vendas mesmas lojas (SSS) da marca premium tem surpreendido positivamente. Para o banco, os ganhos de sinergia da aquisição da Hermes Pardini se consolidaram.

A exceção: TIM na contramão do mercado

Enquanto a maioria das ações subia com o otimismo do mercado, a TIM (TIMS3) foi a exceção. O Citi rebaixou a recomendação das ações da empresa de telefonia de compra para neutra, e cortou o preço-alvo para os próximos 12 meses, de R$ 27 para R$ 25.

A justificativa do banco é uma revisão das expectativas para o setor de telecomunicações. Para o Citi, a TIM já subiu demais (mais de 63%!), e agora é hora de ter mais cautela. É como um corredor que, após uma arrancada forte, precisa diminuir o ritmo para não esgotar as energias.

Análise do fechamento: o que esperar?

O Ibovespa fechou em alta, mas a pergunta que fica é: o rali vai continuar? É difícil prever o futuro, mas alguns fatores podem influenciar os próximos pregões.

A entrada de capital estrangeiro, por exemplo, é um vento favorável, mas não é garantia de céu azul. A política econômica brasileira, o cenário internacional e os resultados trimestrais das empresas são outros elementos que podem mexer com o humor do mercado.

Por isso, é importante ficar de olho nos indicadores, acompanhar as notícias e, principalmente, ter uma estratégia de investimentos bem definida. E lembre-se: diversificar é sempre a melhor forma de proteger o seu patrimônio. Afinal, como diz o ditado, não coloque todos os ovos na mesma cesta.