A quinta-feira (26) traz um mosaico de notícias do mundo corporativo, com a divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025 e revisões de perspectivas para algumas das principais empresas listadas na B3. Enquanto algumas brilham, outras enfrentam desafios. Vamos direto ao ponto, como manda o figurino para quem acompanha o mercado financeiro de perto.
Marcopolo (POMO4) acelera e supera expectativas
A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo (POMO4) pegou o mercado de surpresa ao anunciar um lucro líquido de R$ 341,7 milhões no quarto trimestre, superando as projeções dos analistas. O número representa um aumento de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado operacional, medido pelo Ebitda, ficou em R$ 426 milhões, com queda de 7,7% na comparação anual. Já a receita líquida atingiu R$ 1,168 bilhão no quarto trimestre, recuo de 9,3% em relação a 2024. Apesar da queda na receita, o avanço do lucro reflete uma combinação de maior eficiência operacional e a contribuição de créditos tributários, segundo a empresa. A receita operacional líquida foi de R$2,57 bilhões, 3,6% abaixo do quarto trimestre do ano anterior. A empresa atribui a queda aos menores volumes faturados no mercado interno, impactados pelos altos custos de financiamento no Brasil.
WEG (WEGE3) perde o brilho e JPMorgan rebaixa recomendação
Nem tudo são flores no mundo dos investimentos. A WEG (WEGE3), conhecida por sua trajetória de crescimento consistente, teve suas ações rebaixadas de "overweight" (exposição acima da média, equivale (VALE3)nte à compra) para "neutra" pelo JPMorgan após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. O banco também reduziu levemente o preço-alvo da ação, de R$ 50 para R$ 49.
Segundo o JPMorgan, o rebaixamento reflete um balanço abaixo do esperado e uma consequente revisão para baixo de 4% a 5% no Lucro por Ação (LPA) para 2026 e 2027. A instituição também considera um real mais forte do que o esperado, cotado a R$ 5,40 para o final do ano, em comparação com a estimativa anterior de R$ 5,65. Com isso, os números da WEG estão 4% a 5% abaixo do consenso para o LPA em 2026 e 2027, de acordo com o banco.
O JPMorgan vê a WEG como uma ação defensiva, dada sua exposição aos mercados globais. Mas, na visão dos analistas, não é o melhor veículo para surfar a onda pró-cíclica dos mercados globais. Para quem está de olho nos mercados globais e nas dinâmicas das commodities, principalmente minério de ferro e petróleo, essa revisão pode ser um sinal de alerta para repensar a estratégia de investimento na empresa.
Stellantis (STLA): Um choque elétrico (negativo)
Cruzando as fronteiras da B3, a montadora Stellantis, que detém marcas como Fiat, Jeep e Peugeot, anunciou um prejuízo líquido de 22,3 bilhões de euros em 2025. O resultado é consequência de uma grande baixa contábil relacionada a investimentos em veículos elétricos. No início de fevereiro, o grupo comunicou que registraria baixas (impairments) equivalentes a cerca de US$ 26 bilhões ao rever investimentos nessa área.
Para 2026, a Stellantis projeta alta de um dígito médio na receita e uma margem operacional ligeiramente positiva. O CEO da montadora, Antonio Filosa, afirmou que o foco em 2026 será continuar fechando as lacunas de execução do passado e adicionar mais impulso ao retorno ao crescimento lucrativo.
A Stellantis não está sozinha nessa. A transição para veículos elétricos tem se mostrado mais desafiadora e custosa do que o inicialmente previsto para muitas montadoras, impactando seus resultados financeiros. A queda de braço entre o carro elétrico e o carro a combustão segue movimentando os mercados globais.
O que esperar do pregão?
Com o mercado B3 aberto e operando em ritmo acelerado, a temporada de balanços continua ditando o humor dos investidores. As notícias de hoje mostram que nem sempre os resultados vêm como o esperado, e que é fundamental estar atento às análises e revisões de perspectivas para tomar decisões de investimento mais assertivas.
Lembre-se: investir é como andar de bicicleta, só aprende pedalando. Mas, antes de sair por aí em alta velocidade, vale a pena conferir os freios e ajustar a rota. E, claro, diversificar a carteira é como não colocar todos os ovos na mesma cesta: diminui o risco e aumenta as chances de um bom resultado no final das contas.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.