Sexta-feira agitada na B3! A temporada de resultados corporativos do 4T25 está sacudindo o mercado, e algumas ações estão sentindo o baque (ou celebrando os lucros). Vamos direto ao ponto, como a gente gosta por aqui.

Qualicorp: tombo feio após o balanço

Começando com a notícia menos animadora do dia: a Qualicorp (QUAL3) está derretendo na bolsa, com queda superior a 20% no momento em que escrevo. O motivo? O balanço do quarto trimestre não agradou nem um pouco os investidores. A empresa reverteu o lucro do ano anterior e reportou prejuízo, o que, convenhamos, nunca é uma boa notícia.

Apesar de o Ebitda ajustado menos CAC (uma sopa de letrinhas que, em resumo, mostra o lucro antes de impostos e juros, descontado o custo de aquisição de clientes) ter crescido 14% na comparação anual, superando as expectativas do Goldman Sachs, o número de beneficiários diminuiu em 37 mil vidas. Ou seja, a empresa está "limpando" o portfólio, como dizem os analistas, mas o mercado não parece muito convencido dessa estratégia.

Para quem acompanha a Qualicorp, a queda não chega a ser uma surpresa completa. A empresa vem enfrentando desafios há algum tempo, e este resultado apenas reforça as preocupações. Resta saber se a Qualicorp conseguirá reverter essa situação nos próximos trimestres.

Odontoprev: um salto com a ajuda do Bradesco

Enquanto a Qualicorp patina, a Odontoprev (ODPV3) está dando um verdadeiro salto na B3, com valorização acima de 26%. O motivo? Uma reorganização societária que vai mexer com o setor de saúde suplementar. O Bradesco (BBDC4) anunciou que vai incorporar as operações de saúde do grupo na Odontoprev, criando a Bradsaúde. É como se o Bradesco estivesse turbinando a Odontoprev com um motor V8.

A ideia é otimizar a estrutura de capital, gerar sinergias operacionais e consolidar a liderança no setor. Na prática, o Bradesco concentra suas participações em saúde na Odontoprev, que deixa de ser "apenas" uma operadora dental para se tornar o veículo consolidador de saúde do ecossistema Bradesco. Uma jogada inteligente, sem dúvida.

A Genial Investimentos aponta que a operação é ganha-ganha e destaca o potencial de cross-selling, ou seja, oferecer planos odontológicos para quem já tem plano de saúde e vice-versa. Além disso, a unificação de sistemas e a gestão da rede credenciada devem trazer mais eficiência operacional e poder de barganha.

Axia: lucro explode, mas ação não acompanha

A Axia (AXIA3) apresentou um lucro líquido de R$ 13,7 bilhões no quarto trimestre, um salto de mais de 12 vezes em relação ao ano anterior. Um resultado desses normalmente faria as ações dispararem, certo? Errado. Os papéis da elétrica também estão em queda hoje.

A explicação está nos detalhes do balanço. Boa parte desse lucro veio do reconhecimento de um ativo fiscal diferido de R$ 12,36 bilhões. O Goldman Sachs destaca que os resultados foram pressionados por itens não recorrentes, como reembolsos eólicos, ajustes na área de transmissão, despesas de rebranding e mudanças no programa de remuneração. Ajustando por esses fatores, o Ebitda ajustado teria ficado 3% acima do consenso.

Ou seja, o lucro foi gigante, mas não veio da operação principal da empresa. O Goldman Sachs, no entanto, reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 56, sustentada pelo portfólio de geração e pela expectativa de dividendos generosos (dividend yield estimado de 8% em 2026 e 13% em 2027). É aquela história: nem tudo que reluz é ouro, mas ainda pode valer a pena.

Outras notícias do mercado

Além desses destaques, vale ficar de olho em outras empresas que divulgaram seus resultados recentemente:

  • Banco do Brasil (BBAS3): as ações continuam em alta, impulsionadas por resultados sólidos e perspectivas positivas.
  • Nubank (ROXO34): o balanço do 4T25 veio com lucro recorde, mas alguns analistas consideraram "menos empolgante" do que o esperado.
  • WEG (WEGE3): superou o que a empresa chamou de "o pior trimestre da década", com margens surpreendentes.
  • Gerdau (GGBR4): o Itaú BBA cortou a recomendação para neutro após o rali dos últimos meses.

Lembrando que o mercado está aberto e volátil, então é importante acompanhar de perto as notícias e ajustar suas estratégias de investimento de acordo. Bons negócios e até a próxima!