Segunda-feira de ressaca pós-carnaval, mas o mercado financeiro não tirou folga. A B3 fechou com investidores digerindo balanços trimestrais, notícias sobre inteligência artificial e, claro, de olho no cenário macroeconômico que, cá entre nós, não anda dos mais fáceis. Teve empresa comemorando, outras lamentando e algumas que fizeram os investidores passarem do céu ao inferno em questão de horas.
Gerdau: Lucro sobe, mas decepciona
Começando pelos resultados, a Gerdau (GGBR4) divulgou seu balanço do quarto trimestre de 2025. O lucro líquido subiu 0,5% em relação ao ano anterior, chegando a R$ 670 milhões. Aparentemente, um número bom, certo? Errado. O mercado esperava mais, bem mais. Analistas já tinham colocado na conta um lucro na casa dos R$ 813 milhões. A receita líquida, por outro lado, veio um pouco acima do esperado, na casa dos R$ 17 bilhões.
Para entender a reação negativa, é preciso olhar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que ficou ligeiramente abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Mas nem tudo foi notícia ruim. A Gerdau informou que as vendas de aço cresceram 5,2%, totalizando 2,9 milhões de toneladas no trimestre.
E como se não bastasse o balanço, o conselho da Gerdau aprovou um programa de recompra de ações, tanto preferenciais quanto ordinárias. Segundo a InfoMoney, a recompra pode chegar a 55 milhões de ações preferenciais e 1,4 milhão de ordinárias. Resta saber se a medida será suficiente para acalmar os ânimos dos investidores.
Azul: Ações decolam e derretem no mesmo dia
A Azul (AZUL53) protagonizou um dos momentos mais dramáticos do pregão. Depois de anunciar a saída da recuperação judicial nos Estados Unidos (o famoso Chapter 11) na sexta-feira, as ações da companhia decolaram. Na abertura do pregão, os papéis chegaram a saltar mais de 46%, entrando em leilão diversas vezes. Parecia que o mercado tinha recebido bem a notícia, mas a empolgação não durou.
Ao longo do dia, os ganhos foram se dissipando e, no fim das contas, a Azul fechou em queda de 1,7%. Uma montanha-russa que deixou muita gente tonta. O que explica essa reviravolta? Bom, a euforia inicial com a saída do Chapter 11 deu lugar a uma análise mais fria da situação. A empresa, de fato, conseguiu reduzir sua dívida e fortalecer seu balanço, mas ainda tem um longo caminho a percorrer para convencer o mercado de que está pronta para voar sozinha.
Apesar da volatilidade, a Azul tem motivos para comemorar. A empresa recebeu um investimento de R$ 550 milhões da United Airlines e tem um compromisso de investimento adicional da American Airlines, que ainda depende da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O presidente da Azul, John Rodgerson, disse à Reuters que agora o foco é no “crescimento responsável”. Resta saber se o mercado vai dar um voto de confiança.
IBM: Inteligência Artificial assusta investidores
Se a Azul fez os investidores suarem frio, a IBM (International Business Machines) causou um verdadeiro pânico. As ações da gigante da tecnologia despencaram 13% nesta segunda-feira, registrando a maior queda em um único dia desde outubro de 2000. O motivo? Uma notícia vinda de uma startup de inteligência artificial chamada Anthropic.
A Anthropic anunciou que sua ferramenta Claude Code pode ajudar na modernização de COBOL, uma linguagem de programação antiga que roda principalmente em computadores da IBM. Em outras palavras, a IA estaria ameaçando o core business da empresa. É como se a inteligência artificial estivesse desafiando a relevância das tecnologias legadas.
O mercado, claro, não gostou nada da ideia. A maioria dos mainframes que rodam COBOL é fabricada pela IBM, e a notícia reacendeu o temor de que a IA possa pesar sobre as perspectivas de crescimento de empresas que dependem de tecnologias consideradas obsoletas.
Vivo: Nadando contra a maré
Em meio a tantas notícias negativas, a Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo, conseguiu nadar contra a maré. As ações da empresa subiram mais de 3% após a divulgação de um balanço considerado sólido pelos analistas. O Bradesco BBI, por exemplo, destacou que a receita, o Ebitda e o lucro líquido da Vivo vieram acima das estimativas.
O mercado FIIs também demonstra cautela, observando de perto os próximos movimentos da Selic, que devem influenciar diretamente na rentabilidade dos fundos imobiliários. A taxa de câmbio, com o dólar mostrando sinais de leve alta, adiciona um tempero extra à receita, impactando as empresas com dívidas dolarizadas.
Enquanto isso, o Ibovespa fechou em queda, pressionado pelo desempenho negativo dos bancos e pela aversão ao risco no mercado internacional. O cenário macroeconômico, com a Selic ainda em patamar elevado e a taxa de câmbio volátil, continua sendo um desafio para os investidores. A boa notícia é que a temporada de balanços está apenas começando. Preparem-se para mais emoções fortes nos próximos dias.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.