A terça-feira pós-feriado foi de agenda cheia na B3, com investidores digerindo uma série de balanços e recomendações que agitaram o mercado. Em um dia de Ibovespa positivo, algumas empresas se destacaram, mostrando que, no fim das contas, o que manda é o bom e velho resultado.

Natura brilha com controle de custos

As ações da Natura (NATU3) lideraram as altas do Ibovespa, com um salto de 8,46% após a divulgação de seus resultados do quarto trimestre de 2025. A empresa de cosméticos conseguiu apresentar um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de R$ 978 milhões, um crescimento de 57,2% em relação ao ano anterior. E o segredo? Um controle rigoroso das despesas operacionais e com vendas, que caíram mais de 20%.

Apesar de a receita ter ficado um pouco abaixo do esperado, o mercado aplaudiu a capacidade da Natura de entregar um resultado robusto em um cenário ainda desafiador. A XP Investimentos ressaltou a surpresa positiva no EBITDA, impulsionada justamente pelas despesas mais controladas. A pergunta que fica é: será que esse ritmo de corte de custos é sustentável no longo prazo? Só o tempo dirá, mas, por ora, os investidores estão satisfeitos.

Sabesp também agrada com números sólidos

Outra empresa que agradou o mercado com seus resultados foi a Sabesp (SBSP3), cujas ações subiram 2,66%. A companhia de saneamento básico apresentou um EBITDA acima das estimativas, impulsionado pela contínua redução de despesas, principalmente com pessoal, materiais e inadimplência. O Itaú BBA destacou o sólido crescimento anual do EBITDA e o fato de a empresa ter batido recorde de investimentos, atingindo R$ 4,8 bilhões.

A XP Investimentos também elogiou o desempenho da Sabesp, vendo o EBITDA acima das projeções como um fator de conforto para a tese de investimento, especialmente em um momento em que o mercado estava começando a se preocupar com riscos hidrológicos. Para o investidor, isso significa que a Sabesp segue entregando resultados consistentes, o que é fundamental para a valorização das ações e a distribuição de dividendos.

Usiminas ganha fôlego com protecionismo

Quem também chamou a atenção nesta terça-feira foi a Usiminas (USIM5). As ações da siderúrgica fecharam com alta de 2%, após o UBS BB elevar a recomendação para compra, com um preço-alvo de R$ 9,00 (antes era R$ 6,80). O motivo? O avanço de medidas de proteção comercial (antidumping) que devem beneficiar a empresa.

O UBS BB espera que as medidas antidumping reduzam significativamente as importações chinesas de aço plano no Brasil, abrindo espaço para os produtores locais. O banco estima que a margem EBITDA do aço pode alcançar entre 13% e 15% nos próximos anos, o que representa um forte efeito de alavancagem para os acionistas. É como se, de repente, a Usiminas tivesse encontrado uma nova fonte de receita significativa.

Itaúsa e Nubank: notícias no radar

Além dos balanços, outras notícias corporativas movimentaram o mercado nesta terça-feira. A Itaúsa (ITSA4) teve seu resultado do 4T25 avaliado positivamente, com analistas vendo chance de o desconto de holding cair com a reforma tributária. Já o Nubank (ROXO34), em busca de licença bancária, entrou para a Febraban, o que pode ser um passo importante para a expansão de seus negócios.

CSN: um mar de dívidas?

Nem tudo são flores, claro. A CSN (CSNA3) segue gerando preocupação no mercado. Segundo o BB Investimentos, a empresa tem mais dívidas a pagar nos próximos dois anos do que recursos em caixa, e essa situação pode piorar. O banco se mostra cético quanto à capacidade de a CSN levantar até R$ 18 bilhões com a venda de ativos ainda em 2026. Um sinal de alerta para os investidores, que precisam ficar de olho na capacidade da empresa de honrar seus compromissos.

O que esperar para os próximos dias?

Com a temporada de balanços a todo vapor, a tendência é que o mercado continue volátil e reativo aos resultados das empresas. Fique de olho nos números, nas análises dos especialistas e, principalmente, na sua estratégia de investimento. Lembre-se: diversificar a carteira e investir com foco no longo prazo são sempre as melhores opções, especialmente em tempos de volatilidade.