A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) promete agitar o mercado financeiro, especialmente para quem acompanha os gigantes bancários do país. Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) estão no centro das atenções, e os resultados que estão por vir podem ditar se a recente valorização das ações se justifica ou se é hora de repensar a estratégia.

Se você acompanha o noticiário, já deve ter notado que as ações dos bancos brasileiros têm surfado uma onda positiva. Em janeiro, o Ibovespa avançou 12%, e grande parte desse otimismo veio do exterior. Estrangeiros injetaram cerca de R$ 23 bilhões na nossa bolsa, o que corresponde a 90% do investimento total do ano passado. E os bancos, com sua liquidez e solidez, acabam sendo o destino preferido dessa grana.

O que esperar dos resultados?

A grande questão é: os bancos vão conseguir entregar resultados que justifiquem essa alta toda? Afinal, ninguém quer comprar gato por lebre, certo? O Itaú BBA já soltou um alerta, indicando que a forte valorização pode ter deixado o setor mais caro. Se os números não vierem à altura, pode rolar uma correção e as ações podem sentir o baque.

Analistas do Bank of America (BofA) estão um pouco mais otimistas e esperam um trimestre sólido, impulsionado pelo crescimento do crédito e spreads mais gordos. Mas, como diz o ditado, entre o céu e a terra, há muitas variáveis. E no mercado financeiro, essa máxima se aplica ainda mais.

Afinal, as ações estão caras?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Depois de um 2025 de forte valorização, com os bancos brasileiros superando a média global (só perderam para os europeus), é natural que essa dúvida surja. Será que ainda dá tempo de entrar na festa, ou o bolo já foi todo distribuído?

Um relatório do UBS BB jogou luz sobre essa questão. Segundo o banco, os principais bancos do país tiveram uma valorização média de 47% em 2025. Com isso, o famoso indicador Preço/Lucro (P/L) projetado para 12 meses subiu de 7,7 vezes em 2024 para 8,3 vezes no fim de 2025. Ou seja, a régua subiu um pouco.

Para quem não está familiarizado com o P/L, ele basicamente mostra quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada real de lucro de uma empresa. Quanto maior o P/L, mais "cara" a ação parece estar. Mas, como tudo no mercado, não dá para olhar só para um indicador isolado.

O caso de cada banco

É importante lembrar que cada banco tem sua própria história e seus próprios desafios. O Itaú Unibanco, por exemplo, já estaria negociando com um leve prêmio em relação ao seu histórico, ainda de acordo com o UBS BB. Já Bradesco e Santander Brasil ainda apresentariam algum desconto. Mas, calma, essa não é a única comparação que importa.

O que os investidores realmente querem saber é se os resultados dos bancos vão continuar crescendo no futuro. Afinal, uma ação pode parecer cara hoje, mas se os lucros dispararem, ela pode se tornar uma pechincha amanhã. É como comprar um apartamento: o preço pode parecer alto, mas se a valorização for grande, o investimento terá valido a pena.

De olho nos resultados que serão divulgados nos próximos dias, o mercado financeiro vai tentar entender se o bom momento dos bancos brasileiros tem fôlego para continuar ou se é hora de realizar lucros e buscar novas oportunidades. E você, está preparado para essa maratona de balanços?