O pregão desta sexta-feira (13) foi de ressaca para Banco do Brasil (BBAS3) e BB Seguridade (BBSE3). Depois de um balanço do quarto trimestre que animou o mercado, as ações do BB perderam fôlego, arrastando consigo os papéis da sua seguradora. Mas o que explica essa mudança de humor tão repentina?

O brilho do balanço e a desconfiança do mercado

Na quinta-feira (12), o Banco do Brasil divulgou um lucro acima das expectativas para o quarto trimestre de 2025. O resultado, turbinado pelo bom desempenho do agronegócio, impulsionou as ações da estatal. Os papéis dispararam quase 8% na máxima e caindo 1,5% no pior momento, fechando com ganhos de 4,5%. Parecia que o BB tinha tirado um coelho da cartola, mas a verdade é que o mercado financeiro é como São Tomé: ver para crer, e analisar a fundo para investir.

Acontece que, por trás dos números positivos, alguns pontos de atenção acenderam o sinal amarelo nos investidores. Um deles é a piora na inadimplência, especialmente na carteira de crédito rural. A administração do banco até acenou com uma melhora nos índices de atraso para o segundo semestre, mas a promessa não foi suficiente para dissipar as dúvidas. Afinal, promessas são como campanhas políticas: todo mundo faz, mas nem todo mundo cumpre.

Além disso, o aporte de R$ 5 bilhões para a antecipação da contribuição ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) também pesou no humor do mercado. É como se o banco estivesse pagando a conta antes da festa, o que sempre gera um certo desconforto.

BB Seguridade acompanha a maré

A BB Seguridade (BBSE3), que também sentiu o baque, viu suas ações caírem forte nesta sexta-feira. A seguradora, que depende em grande parte do desempenho do Banco do Brasil, acabou sendo arrastada pela cautela em relação aos papéis da sua controladora.

Para piorar a situação, o Goldman Sachs rebaixou a recomendação da BB Seguridade (BBSE3) de compra para neutra. Segundo o banco, a receita da seguradora deve perder fôlego, com queda de 1% nos p. A instituição financeira também projeta uma retração nos seguros prestamista e rural, o que naturalmente impacta as projeções para o futuro da empresa.

O que esperar do Banco do Brasil?

Diante desse cenário, a pergunta que não quer calar é: o que esperar do Banco do Brasil? A resposta, como sempre, não é simples. O banco, apesar dos desafios, continua sendo uma instituição sólida e com grande potencial de crescimento. No entanto, os investidores precisam estar atentos aos riscos e incertezas que pairam sobre o setor bancário brasileiro, como a Selic em trajetória de queda e a crescente competição com as fintechs. A Selic, vale lembrar, tem impacto direto na rentabilidade dos bancos, e o afrouxamento monetário, como pontuou o Goldman Sachs, tende a deixar os resultados financeiros menos favoráveis.

A volatilidade no mercado de câmbio também pode influenciar o desempenho do BB. Um dólar forte, impulsionado por uma maior aversão ao risco global ou por decisões do Federal Reserve (Fed), pode impactar negativamente as empresas brasileiras, incluindo o setor financeiro.

O Banco do Brasil estima um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de até 13%, o que, segundo o E-Investidor, está distante dos seus concorrentes. BB (BBAS3) projeta ano de transição e indica ROE de até 13%, distante dos concorrentes.

Em resumo, o Banco do Brasil é como um carro potente: tem motor para acelerar, mas precisa de um bom piloto para evitar as derrapadas. Aos investidores, cabe analisar os riscos e oportunidades com cautela, e tomar decisões de investimento conscientes e alinhadas com seus objetivos.