O Banco do Brasil (BBAS3) agitou o mercado financeiro nesta quinta-feira (12). Depois de divulgar um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025 – um salto de 40% em relação ao esperado – as ações chegaram a disparar, mas perderam força ao longo do pregão. O balanço animou, mas a ressaca veio com um misto de cautela sobre o futuro e questionamentos sobre a qualidade dos ativos do banco.

É como aquele ditado: “alegria de pobre dura pouco”. O gatilho para a alta foi o lucro acima das projeções, mas o freio veio da preocupação com a inadimplência no agronegócio e da declaração do CFO, Geovanne Tobias, de que ainda é cedo para falar em dividendos extraordinários. Ou seja, o investidor ficou com a pulga atrás da orelha: o lucro veio, mas será que ele se sustenta?

O que turbinou o lucro do BB no 4T25?

O resultado positivo, que superou as estimativas do mercado, foi impulsionado por um efeito tributário de R$ 1,8 bilhão, segundo a XP Investimentos. Sem esse “empurrãozinho” do fisco, o lucro teria sido menor. Mas, claro, não dá para desmerecer a recuperação sequencial em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando o banco já havia mostrado sinais de melhora.

Ainda assim, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 12,4% no 4T25 ficou abaixo dos 20,8% registrados no mesmo período de 2024. É como se o BB estivesse correndo atrás do prejuízo, mas ainda não conseguiu recuperar o ritmo de antes.

Inadimplência no Agro: o calcanhar de Aquiles do BB?

A grande preocupação do mercado agora é a inadimplência no setor agropecuário. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, reconheceu que a inadimplência do agro cresceu de forma “exponencial” em 2025 em relação à média histórica. E, convenhamos, dívida não paga é dor de cabeça para qualquer banco.

O CFO do BB foi bem claro: a situação de capital é confortável, mas não permite “falar em dividendos extraordinários nos próximos anos”. A prioridade, segundo ele, é monitorar a recuperação do agro e a cobrança dessas dívidas. Em outras palavras, o banco está pisando em ovos e não quer se comprometer com promessas que não pode cumprir.

E os dividendos? O que esperar?

Essa é a pergunta que não quer calar. Afinal, quem investe em Banco do Brasil (BBAS3) geralmente busca dividendos. Em janeiro, o banco anunciou uma mudança no payout (percentual do lucro distribuído como dividendo) para 30%. A distribuição será feita via Juros sobre Capital Próprio (JCP) e/ou dividendos.

Apesar do payout menor do que o de costume, a notícia foi bem recebida pelo mercado. O problema é que a cautela em relação à inadimplência no agro jogou um balde de água fria nas expectativas de dividendos extraordinários. Ou seja, o investidor pode esperar dividendos “normais”, mas nada de “bolada” extra por enquanto.

O que esperar do Banco do Brasil em 2026?

A presidente do BB, Tarciana Medeiros, já adiantou que 2026 será um ano “desafiador”. Mas ela também garantiu que o banco já aprendeu a lidar com esses desafios. A projeção para o lucro líquido ajustado em 2026 é de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

Segundo Tarciana, o BB vai fazer uma “gestão do crédito de forma muito estratégica”, com foco no agronegócio. A ideia é reequilibrar o mix da carteira e manter a proximidade com o setor, que é um parceiro histórico do banco.

BBAS3: Comprar, vender ou esperar?

A reação do mercado aos resultados do Banco do Brasil (BBAS3) mostra que ainda há dúvidas sobre a sustentabilidade do lucro e a qualidade dos ativos. A inadimplência no agro é um fator de risco que precisa ser monitorado de perto.

No momento em que este artigo é escrito, o pregão ainda está aberto e o mercado digere as informações. Mas, como dizem por aí, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Antes de tomar qualquer decisão de investimento, avalie seus objetivos, seu perfil de risco e, claro, siga acompanhando as notícias do mercado financeiro. E lembre-se: diversificar é sempre uma boa estratégia!