O mercado de criptomoedas, especialmente o Bitcoin, não tem dado muitos motivos para comemorar neste começo de 2026. Após atingir o pico de US$ 126 mil em outubro do ano passado, a principal criptomoeda do mundo viu seu preço recuar para a casa dos US$ 88 mil, e permanece em uma fase de lateralização, sem demonstrar uma tendência clara de alta ou baixa. Para investidores acostumados com a volatilidade do mercado acionário, com empresas como WEG (WEGE3), Embraer (EMBR3) e Vale (VALE3) balançando diariamente, essa calmaria pode até parecer estranha, mas a verdade é que o mercado cripto tem seus próprios catalisadores e desafios.

A Inteligência Artificial “roubou” a cena?

Um dos fatores que podem estar contribuindo para essa estagnação, segundo Sebástian Serrano, CEO da Ripio, uma das maiores plataformas de negociação de ativos digitais da América Latina, é a explosão da bolha de Inteligência Artificial (IA). De acordo com o executivo, a IA tem drenado recursos de bolsas e criptomoedas, o que explicaria a lateralização do Bitcoin neste início de ano. “A inteligência artificial está drenando a liquidez das criptomoedas, mesmo com o mundo estando no pico da liquidez global”, afirma Serrano. “Tudo está indo para a IA e eu acho que vai haver uma correção. Os números são irreais”. É como se o mercado, em vez de investir em ações mais tradicionais ou mesmo em criptos, estivesse preferindo apostar todas as fichas em empresas de tecnologia focadas em IA. Uma espécie de corrida do ouro digital, só que, desta vez, com algoritmos e redes neurais no lugar das picaretas.

O 'risco Saylor' ainda paira sobre o Bitcoin

Outro ponto de atenção, ainda de acordo com o CEO da Ripio, é Michael Saylor, presidente do Conselho de Administração da Strategy (ex-Microstrategy). Saylor é um entusiasta declarado do Bitcoin e apostou alto na estratégia de encarteiramento de BTC pela Strategy. O problema, segundo analistas, é que essas compras são feitas via emissão de dívida e alavancagem com ações da empresa. Isso expõe a empresa, e consequentemente o Bitcoin, a um risco considerável, caso a estratégia não se mostre sustentável a longo prazo. É como construir um castelo de cartas: impressionante à primeira vista, mas com uma estrutura frágil e suscetível a desmoronar com qualquer vento mais forte.

Fed no radar e balanços das Big Techs

Além dos fatores internos do mercado cripto, o cenário macroeconômico também exerce sua influência. A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre as taxas de juros, que será divulgada nesta semana, é aguardada com ansiedade pelos investidores. A expectativa é de que o Fed mantenha as taxas estáveis, mas as sinalizações sobre os próximos passos de sua política monetária podem mexer com o mercado, inclusive o de criptomoedas. Afinal, como lembram analistas do Saxo Bank, as criptomoedas permanecem intimamente ligadas às condições macroeconômicas e às expectativas de liquidez. É como se o mercado cripto estivesse de olho no maestro da orquestra econômica, esperando o próximo movimento para afinar seus instrumentos.

Os resultados trimestrais das gigantes de tecnologia americanas – Microsoft, Apple, Meta e Tesla – também merecem atenção. O desempenho dessas empresas pode indicar se a alta das ações impulsionada pela inteligência artificial (IA) conseguirá manter o ritmo, como aponta Patrick Munnelly, do Tickmill Group. Se os resultados forem positivos, podem impulsionar o mercado como um todo, inclusive o de criptomoedas. Caso contrário, a aversão ao risco pode aumentar, levando os investidores a buscar ativos mais seguros.

Alternativas em meio à calmaria

Diante desse cenário de incertezas, alguns analistas apontam para outras criptomoedas como alternativas para buscar retornos mais expressivos. Embora o Bitcoin continue sendo a principal criptomoeda do mercado, outras opções, como Ethereum e Solana, podem oferecer oportunidades interessantes para quem busca diversificar a carteira. No entanto, é importante lembrar que investir em criptomoedas envolve riscos, e é fundamental fazer uma análise cuidadosa antes de tomar qualquer decisão. É como escolher ações da Cogna ou Yduqs: o potencial de ganho existe, mas é preciso estar atento aos riscos e às particularidades de cada ativo.

Em resumo, o mercado de Bitcoin está passando por um momento de transição, com a atenção dos investidores dividida entre a Inteligência Artificial, as estratégias de Michael Saylor e as decisões do Fed. Para quem busca oportunidades no mercado cripto, a diversificação pode ser uma estratégia interessante, mas é fundamental estar atento aos riscos e fazer uma análise cuidadosa antes de investir. Afinal, no mundo dos investimentos, a informação é a chave para tomar decisões mais assertivas e alcançar seus objetivos financeiros.