O Bitcoin tentou, tentou, mas não conseguiu romper a barreira dos US$ 49 mil. Depois de flertar com esse patamar, a criptomoeda mais famosa do mundo sentiu o baque de um relatório de emprego nos EUA mais forte do que o esperado. E o que isso quer dizer para você que investe em cripto? Calma, que eu te explico.

Payroll nos EUA: o Vilão da Vez?

Na sexta-feira, o payroll – aquele relatório mensal que mostra a criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos – veio com números que surpreenderam o mercado. Mais empregos criados do que se imaginava, taxa de desemprego em baixa… Tudo isso indica que a economia americana segue aquecida. E qual o problema disso? Simples: juros.

Um mercado de trabalho forte dá menos margem para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) cortar os juros. E juros altos, em geral, não são amigos das criptomoedas. Por quê? Porque tornam outros investimentos, como títulos do governo, mais atraentes. É aquela velha história: se você pode ter um retorno 'seguro' com juros altos, por que arriscar em algo mais volátil como o Bitcoin?

Para ter uma ideia, as apostas de que o Fed cortaria os juros já em março despencaram. Como mostrou a InfoMoney, as chances de corte em janeiro já são menores que 5%. O banco britânico Barclays, inclusive, já adiou as expectativas de cortes para junho de 2024.

Petróleo, Guerras e a Inflação Incomodando

Mas não é só o Fed que importa nessa história. O preço do petróleo também entra na equação. As tensões geopolíticas no Oriente Médio, com conflitos e ameaças, sempre colocam pressão sobre o barril. E petróleo mais caro significa inflação mais alta, o que, por sua vez, dificulta a vida dos bancos centrais na hora de cortar os juros.

É como se fosse um efeito dominó: uma coisa vai puxando a outra, e no fim das contas, tudo influencia o humor do mercado e, consequentemente, o preço das criptomoedas.

Bitcoin e Petróleo: Tem Alguma Relação Direta?

Não existe uma relação direta e automática entre o preço do petróleo e o Bitcoin. Mas, como expliquei, o petróleo afeta a inflação, a inflação afeta os juros, e os juros afetam o apetite por risco dos investidores. Ou seja, indiretamente, o petróleo pode sim influenciar o mercado de criptomoedas.

E Agora, José? O Que Esperar do Bitcoin?

A grande verdade é que ninguém tem bola de cristal. O mercado de criptomoedas é volátil por natureza, e tentar prever o futuro com 100% de certeza é impossível. Mas dá para ficar de olho em alguns fatores que podem influenciar o preço do Bitcoin e de outras criptos:

  • Decisões do Fed: Acompanhe de perto as reuniões e comunicados do banco central americano. Qualquer sinalização sobre os juros pode mexer com o mercado.
  • Inflação: Veja como andam os índices de inflação nos EUA e no mundo. Se a inflação persistir alta, os juros tendem a subir (ou, no mínimo, não cair).
  • Tensões geopolíticas: Guerras e conflitos geram incerteza e podem levar a um aumento da aversão ao risco, o que nem sempre é bom para as criptomoedas.
  • Regulamentação: Fique de olho nas discussões sobre a regulamentação das criptomoedas. Uma regulamentação clara pode trazer mais segurança e atrair mais investidores.

Investir em Cripto: Com Calma e Estratégia

Se você já investe em criptomoedas, mantenha a calma. Quedas e altas fazem parte do jogo. O importante é ter uma estratégia de longo prazo e não se desesperar com as oscilações do mercado.

E se você está pensando em começar a investir, faça sua lição de casa. Estude, pesquise, entenda os riscos e só invista aquilo que você pode perder. Lembre-se: criptomoedas são investimentos de alto risco e não devem ser a maior parte da sua carteira.

No fim das contas, o mercado de criptomoedas é como uma montanha-russa: tem seus altos e baixos, mas se você souber aproveitar a viagem, pode ser bem divertido (e lucrativo!).