Sexta-feira de alívio (parcial) para quem acompanha o mercado de criptomoedas. Depois de um tombo feio ontem, o Bitcoin tenta se recuperar, surfando em um mar de incertezas que vai desde o apetite voraz da Amazon por inteligência artificial até as tradicionais oscilações do mercado cripto.

Bitcoin respira após susto

O Bitcoin, que chegou a despencar 14% ontem – a maior queda desde o colapso da FTX, lá em 2022 – está mostrando alguma resiliência. No momento, a criptomoeda opera em alta, buscando se manter acima dos US$ 68 mil. Um baita susto para quem viu a moeda digital balançar perto dos US$ 60 mil, patamar não visto desde outubro de 2024.

É importante lembrar que o Bitcoin representa quase 60% do valor total do mercado de criptomoedas, que hoje está avaliado em US$ 2,3 trilhões. Ou seja, quando o Bitcoin espirra, o resto do mercado sente o resfriado.

Outras criptomoedas menores, como Ether e Solana, também estão tentando se recuperar das perdas de ontem. Mas, como diria a sua avó, “devagar com o andor”. A volatilidade continua sendo a marca registrada desse mercado.

O que derrubou o Bitcoin?

Vários fatores contribuíram para a turbulência no mercado de criptomoedas. Um deles, e talvez o mais surpreendente, veio do mundo das big techs.

Amazon turbina IA e assusta investidores

A Amazon anunciou um investimento de US$ 200 bilhões (isso mesmo, com “b” de bilhão!) em infraestrutura de inteligência artificial. A notícia, que seria positiva em um primeiro momento, acabou assustando os investidores. O receio é que esse investimento maciço impacte os resultados da empresa no curto prazo, gerando uma onda de aversão ao risco no mercado. Para ter uma ideia, as ações da Amazon (AMAZO4) chegaram a cair forte em Nova York.

E o que a Amazon tem a ver com o Bitcoin? Bom, em um mercado globalizado e interconectado, o que acontece em Wall Street, impacta, sim, as criptomoedas. A aversão ao risco, potencializada pelo movimento da Amazon, contribuiu para a queda do Bitcoin.

Além disso, o mercado de criptomoedas já vinha demonstrando sinais de instabilidade desde outubro do ano passado, com uma série de liquidações que abalaram a confiança dos investidores. A combinação desse cenário com o anúncio da Amazon criou a tempestade perfeita.

Oportunidade ou armadilha?

A grande pergunta que fica é: essa queda representa uma oportunidade de comprar Bitcoin mais barato, ou é um sinal de que a criptomoeda vai continuar derretendo? A resposta, como sempre, não é simples.

A volatilidade do Bitcoin é notória. Quem investe nesse mercado precisa estar preparado para fortes emoções. É como andar de montanha-russa: tem gente que adora, tem gente que passa mal.

Como destacou a InfoMoney, especialistas dizem que a volatilidade deve continuar presente no mercado ao longo do mês. Então, prepare o estômago (e a carteira).

Para Evgeny Gokh, a queda do Bitcoin parece ser mais motivada por “desfazimentos indiscriminados de posições do que por um catalisador fundamental claro”. Em bom português, isso significa que muita gente se desesperou e saiu vendendo tudo, o que acentuou a queda.

O futuro das criptomoedas

Apesar dos percalços, o mercado de criptomoedas continua atraindo a atenção de investidores de todos os perfis. A promessa de altas valorizações, a descentralização e a inovação tecnológica são os principais atrativos.

Mas, como sempre, é preciso ter cautela. O Bitcoin e as outras criptomoedas são ativos de alto risco, e é fundamental fazer uma análise cuidadosa antes de investir. Diversificar a carteira, como sempre, é a melhor estratégia para minimizar os riscos. Afinal, como diz o ditado, não coloque todos os seus ovos na mesma cesta.

E, se você está começando agora no mundo das criptomoedas, o conselho é: estude, pesquise e comece com pequenas quantias. Não entre de cabeça sem conhecer o terreno. O mercado de criptomoedas pode ser lucrativo, mas também pode ser cruel com quem não se prepara adequadamente.