O pregão desta terça-feira (26/05/2026) na B3 está marcado pela cautela. O Ibovespa opera em baixa, cedendo aos receios gerados pela escalada de tensão no Oriente Médio, com novos ataques dos Estados Unidos ao Irã. Essa instabilidade geopolítica impacta diretamente o mercado de petróleo, que voltou a ver o Brent ultrapassar a marca dos US$100 o barril, e, por consequência, impulsiona o dólar ante o real, que oscila próximo aos R$5,01. Os juros futuros também acompanham essa movimentação, em alta.

Enquanto o cenário externo dita o tom de apreensão para a bolsa brasileira, que cai em contramão aos índices americanos que tentam se manter em território positivo com a expectativa de um acordo, o mercado de ações por aqui apresenta movimentos próprios em setores específicos. Analistas buscam oportunidades em meio à volatilidade, e alguns setores demonstram resiliência.

Setor de Energia em Destaque (e com altos e baixos)

No setor de energia, as notícias são mistas. A Axia Energia (AXIA3) surge como um ponto de atenção para investidores. O Bradesco BBI, em relatório recente, enxerga uma “oportunidade tática de entrada” nas ações da companhia. Mesmo com a projeção de um segundo trimestre mais fraco, os analistas destacam que os fundamentos da empresa, que antes era conhecida como Eletrobras, permanecem robustos no médio e longo prazo. A instituição elevou levemente o preço-alvo para R$ 73, ante R$ 72, indicando uma assimetria positiva, pois o mercado parece precificar a companhia com expectativas de preços de energia abaixo do que o banco estima para o futuro.

Por outro lado, a WEG (WEGE3) (WEGE3), que tem sido uma queridinha da bolsa, volta a cair. O BBI manteve uma recomendação neutra para os papéis, mas chamou a atenção para perspectivas consideradas fracas no curto prazo. Isso demonstra que, mesmo para empresas consolidadas, o cenário de incertezas pode gerar correções pontuais.

A Prio (PRIO3), por sua vez, tombou no pregão de hoje, também influenciada pela queda do petróleo, o que afeta diretamente as empresas do setor de exploração e produção.

Educação e Consumo: Oportunidades de Valorização?

No setor educacional, a Vitru Educação (VTRU3) aparece como uma aposta. O BTG Pactual retomou a cobertura das ações da empresa e reiterou recomendação de compra, com um preço-alvo de R$ 21 por ação para o fim de 2026. Isso representa um potencial de valorização de cerca de 51%, indicando que os analistas veem os papéis como “significativamente descontados”. A Vitru tem apresentado um bom trabalho na redução de alavancagem, geração de caixa e eficiência operacional, com um múltiplo Preço/Lucro (P/L) estimado para 2026 bastante atrativo e um yield de fluxo de caixa superior a 20%.

Outra empresa que chamou atenção no setor de consumo é a Ambev (ABEV3). O BTG Pactual elevou sua recomendação de neutra para compra, com um preço-alvo de R$ 20, o que sugere um potencial de valorização de 22%. O banco destaca a “estratégia de jogo” campeã da companhia, o que pode torná-la uma grande vencedora no cenário atual.

Já no varejo, o Assaí (ASAI3) deu um salto expressivo. Embora a notícia não detalhe os motivos específicos da alta em nossa apuração, movimentos bruscos como esse podem ocorrer por reestruturações internas, balanços positivos ou até mesmo especulações de mercado. Para o investidor, é um sinal de que mesmo em dias de baixa geral, setores e empresas podem apresentar desempenho isolado.

Déficit e Perspectivas Globais

No cenário macroeconômico brasileiro, o dado de déficit em conta corrente em abril, que veio maior do que o esperado, adiciona um tempero de preocupação. No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sinaliza que as expectativas ancoradas na América Latina podem ajudar a amortecer choques como o do petróleo. Essa é uma leitura importante para entender a resiliência da economia regional diante de turbulências globais.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada. A tensão geopolítica exige monitoramento constante, pois eventos no Oriente Médio podem gerar ondas de choque em cascata nos mercados globais e brasileiros. Em paralelo, é fundamental ficar de olho nas recomendações de analistas e nos fundamentos das empresas. Ações como as da Axia Energia e Vitru Educação, por exemplo, indicam que, mesmo em um ambiente de bolsa em queda, há oportunidades para quem sabe onde procurar. O importante é sempre alinhar essas análises com o seu perfil de risco e objetivos de longo prazo.