Sexta-feira indigesta para o Bradesco (BBDC4) na B3. Depois de divulgar um balanço do quarto trimestre de 2025 considerado sólido, mas com projeções mais conservadoras para o futuro, as ações do banco fecharam em queda de 2,55%, cotadas a R$ 20,61. Um balde de água fria para quem esperava uma performance mais robusta.

O que rolou no balanço?

O lucro líquido recorrente do Bradesco no 4T25 foi de R$ 6,5 bilhões, um aumento de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024. Um número bom, dentro do esperado pelos analistas, mas que não foi suficiente para acalmar os ânimos do mercado. Para colocar em perspectiva, o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Bradesco ficou em 15,2%, abaixo dos seus principais concorrentes, como Itaú (24,4%) e Santander (17,6%).

A XP Investimentos considerou o resultado sólido, em linha com as expectativas, e apontou uma recuperação gradual da rentabilidade. Mas, no fim das contas, o que pesou mesmo foi o chamado "guidance", as projeções do banco para o futuro. E aí, a coisa complicou.

Guidance conservador: o vilão da história?

O mercado financeiro, implacável como um juiz, não perdoa projeções consideradas tímidas. E foi exatamente essa a leitura que muitos investidores fizeram das perspectivas do Bradesco para 2026. Daí a reação negativa das ações.

O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, tentou acalmar os investidores, garantindo que o banco não vai abrir mão de investimentos para acelerar resultados no curto prazo. A estratégia, segundo ele, continua focada no ganho de competitividade a longo prazo, com investimentos em tecnologia e programas para ampliar a atuação do banco. “A gente não vai abrir mão de investimentos para aumentar a competitividade por nada”, reforçou Noronha, em coletiva de imprensa.

Afinal, qual o plano do Bradesco?

O plano, como disse Noronha, é de longo prazo. O Bradesco mira em 2028 como o ano da virada, com um ciclo de transformação que visa aumentar a competitividade do banco. Mas, convenhamos, o mercado nem sempre tem paciência para esperar tanto tempo.

IPOs: a esperança está no exterior?

Outro tema que chamou a atenção (e talvez tenha contribuído para a queda das ações) foi a visão do CEO sobre os IPOs no Brasil. Segundo Noronha, o ambiente para abertura de capital de empresas brasileiras em 2026 é limitado no mercado local. A aposta, de acordo com ele, é em follow-ons (empresas já listadas vendendo mais ações) e em IPOs de empresas brasileiras nos Estados Unidos.

É como se o Bradesco indicasse uma migração de IPOs para o mercado externo, sinalizando desafios no cenário doméstico.

E o dólar nessa história?

É claro que o cenário macroeconômico também influencia. A recente valorização do dólar frente ao real, impulsionada por dados mais fortes do payroll nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas, acaba impactando as empresas brasileiras, especialmente aquelas com dívidas em dólar ou que dependem de importações. O câmbio, como sempre, é um fator de peso na balança.

E agora, José?

A pergunta que fica é: o que esperar do Bradesco nos próximos meses? A resposta, como sempre, não é simples. O banco tem um plano de longo prazo, mas precisa mostrar resultados consistentes no curto prazo para reconquistar a confiança dos investidores. E, claro, o cenário econômico, tanto no Brasil quanto no exterior, terá um papel fundamental nessa jornada.

Lembre-se: investir em ações exige preparo como escalar uma montanha. Há desafios, recompensas e a necessidade de um plano bem definido. Afinal, o dinheiro é seu e a responsabilidade também.