O Bradesco (BBDC4) agitou o mercado nesta semana com o anúncio da criação da Bradsaúde, um novo conglomerado de saúde que reunirá todos os ativos da área do banco. A jogada, que envolve um IPO reverso (Oferta Pública Inicial) utilizando a estrutura da já listada Odontoprev (ODPV3), animou investidores e analistas, que veem potencial de valorização para a ação do Bradesco.

O que é a Bradsaúde e por que ela importa?

A Bradsaúde, em resumo, será a holding que concentrará os negócios de saúde do Bradesco, um setor que movimenta cerca de R$ 52 bilhões em receitas anuais. A ideia é que, ao separar essa divisão e listá-la no Novo Mercado da B3, o mercado consiga precificar melhor os ativos de saúde, que hoje estão “escondidos” no balanço consolidado do banco. É como separar os ingredientes de um bolo já assado: você consegue ver o valor de cada um individualmente.

Segundo o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, a reorganização visa justamente revelar o valor real dos ativos de saúde, que atualmente estão registrados a valor patrimonial. Luiz Carlos Trabuco, presidente dos conselhos de administração do banco e da Odontoprev, endossa a visão, classificando a operação como um divisor de águas.

IPO reverso: como funciona?

A estratégia de usar a Odontoprev para o IPO reverso é interessante. Em vez de criar uma nova empresa do zero e lançar suas ações na bolsa, o Bradesco vai “turbinar” uma empresa já existente. A Odontoprev será rebatizada como Bradsaúde e passará a abrigar todos os ativos de saúde do grupo. É como dar uma nova roupagem a algo que já existe, aproveitando a estrutura e o histórico da empresa.

Impacto para a Odontoprev

A mudança já está impactando positivamente as ações da Odontoprev. Na sexta-feira, os papéis ODPV3 dispararam, com valorização de quase 30% em um único dia. No acumulado do ano, a alta já se aproxima de 34%. O mercado parece acreditar que a transformação da empresa em uma holding de saúde pode elevar seus múltiplos e, consequentemente, o preço de suas ações.

O que esperar para o Bradesco (BBDC4)?

E para o Bradesco, qual o impacto? Analistas do Itaú BBA, por exemplo, estimam que a Bradsaúde pode adicionar até R$ 1,50 ao preço da ação BBDC4. A justificativa é que a listagem separada permite que o mercado precifique melhor os ativos de saúde, que têm apresentado melhora relevante nos últimos anos. De acordo com o banco, se a nova empresa negociar entre 10x e 12x o P/L (preço sobre lucro), o potencial de valorização é considerável.

Ainda é cedo para cravar o sucesso da operação, mas a reação inicial do mercado e as análises positivas indicam que o Bradesco pode estar no caminho certo para destravar valor e impulsionar seus resultados. Resta saber se o dólar e o cenário cambial, que sempre adicionam um tempero extra à economia brasileira, vão colaborar ou atrapalhar essa jornada. Afinal, em tempos de incerteza, o real pode precisar de um porto seguro, e o setor de saúde, com sua demanda resiliente, pode ser um bom refúgio.

Para o investidor, a criação da Bradsaúde representa uma oportunidade de repensar a estratégia de carteira. É hora de analisar o potencial de valorização do Bradesco (BBDC4) e da futura Bradsaúde, e decidir se vale a pena apostar nesse novo capítulo da história do banco. Lembre-se: a decisão final é sempre sua.