O pregão desta sexta-feira (26) foi um daqueles dias em que o mercado de commodities parece ter jogado dados com resultados díspares. Enquanto o trigo em Chicago continuou sua sequência de baixas e a soja também recuou, o açúcar sentiu o calor da Europa, e o petróleo se afundou com o aumento da oferta. Já o ouro, em um movimento mais típico de porto seguro, buscou a tranquilidade em meio à fraqueza do dólar.
Agro em Chicago: oferta pesa no bolso
Os contratos futuros de trigo negociados em Chicago registraram a quinta queda em seis pregões. A pressão vem da contínua liquidação de posições por parte dos operadores e das expectativas de fartura nas colheitas do Hemisfério Norte. Analistas já preveem um aumento de 9,2% nos estoques de trigo americanos, segundo pesquisa da Reuters. A soja também não escapou da toada de baixa, influenciada por esses mesmos fatores de liquidação e pela expectativa de divulgação de dados do USDA sobre área plantada e estoques.
O milho seguiu a mesma linha, fechando em queda com a realização de lucros por parte de investidores. Esse cenário de queda generalizada no agro de Chicago me lembra um pouco o que vimos em meados de 2022, quando uma safra recorde nos Estados Unidos derrubou os preços por semanas seguidas, impactando diretamente as margens de produtores e exportadores. A diferença agora é que a preocupação maior recai sobre a oferta robusta e a gestão de posições no mercado futuro.
Açúcar se aquece com o clima, petróleo esfria com a oferta
Em contrapartida, o açúcar na bolsa ICE encontrou um respiro. A onda de calor na Europa e os temores de que o fenômeno El Niño possa afetar a produção impulsionaram os contratos. O açúcar bruto fechou em alta, atingindo uma máxima de duas semanas e meia. O analista sênior Michael McDougall destacou a situação climática na Índia, com chuvas abaixo do esperado, e na Tailândia, como fatores de suporte. Contudo, o que limita maiores altas é o preço mais baixo da energia, que torna mais vantajoso para os produtores usar a cana na fabricação de açúcar em vez de etanol.
Já o petróleo não teve um dia tão favorável. O Brent voltou a operar em níveis pré-conflito, acumulando um recuo de quase 10% na semana. A normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz e o aumento da oferta de petróleo iraniano no mercado global foram os principais vilões. A notícia de um canal de comunicação entre Irã e Estados Unidos para evitar incidentes, apesar de desmentida pela Guarda Revolucionária iraniana, contribuiu para a redução da tensão no mercado.
Ouro busca refúgio, Braskem em queda livre
O ouro, por sua vez, encerrou o dia em alta, impulsionado pela fraqueza do dólar e dos juros dos Treasuries. O metal precioso, que havia recuado para a faixa de US$ 3.900, recuperou terreno e ultrapassou os US$ 4.000. Apesar dessa alta pontual, o ouro despencou cerca de 3,52% na semana, mostrando a volatilidade recente do ativo.
Em nosso mercado, a sexta-feira também trouxe notícias preocupantes para o setor petroquímico. A Braskem (BRKM5) sofreu uma queda expressiva de 8,36% no dia, acumulando uma desvalorização de quase 46,5% no mês. Para quem acompanha o setor, essa performance reflete as incertezas em torno de sua recuperação judicial e os movimentos estratégicos que podem estar em curso. Em nossa cobertura editorial no The Brazil News, já alertamos sobre os riscos de recuperação judicial da Braskem em matérias anteriores, e a volatilidade atual parece confirmar essas apreensões. Acompanhamos esse movimento de pressão sobre as ações da Braskem desde o início do ano, e os números de hoje reforçam um cenário desafiador para a empresa.
Na minha leitura, o que vemos nesse fechamento de semana é uma clara sinalização de que os investidores estão atentos aos fatores macroeconômicos, como o clima e a oferta global, mas também digerindo os movimentos específicos de empresas. A queda acentuada da Braskem, em particular, pode ser um sinal de alerta para outros setores que dependem de insumos ou de uma estabilidade maior no cenário de produção. Para os próximos dias, o foco estará na divulgação de novos dados econômicos e nos desdobramentos no Oriente Médio, que podem ditar o ritmo dos mercados de energia e metais preciosos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.