Se você acompanha o mercado financeiro, sabe que as commodities são peças-chave na economia global. De grãos a metais, seus preços impactam desde o supermercado até as ações das grandes empresas. E em 2026, com a China no centro do tabuleiro, prepare-se para um ano agitado.

Soja: Safra recorde e preços pressionados

Começando pelo agro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já jogou um balde de água fria nas expectativas de quem esperava uma alta da soja. A projeção de uma safra americana robusta, somada à expectativa de uma colheita brasileira recorde (na casa dos 178 milhões de toneladas, segundo a Hedgepoint Global Markets), deve manter os preços sob pressão. A própria estimativa do USDA para a safra americana surpreendeu, com aumento na produção para 116 milhões de toneladas.

Traduzindo: muita oferta e demanda... bem, não tão forte assim. Luiz Roque, coordenador de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, resumiu bem: o mercado deve testar os US$ 10 por bushel em Chicago. Ou seja, prepare o bolso se você apostava em soja disparando.

Oportunidades em meio à turbulência

Calma, nem tudo está perdido. Para quem busca oportunidades, a estratégia é ficar de olho nos custos de produção e na logística. Afinal, com preços mais baixos, a eficiência se torna ainda mais importante. E, claro, acompanhar de perto o câmbio, que pode dar um respiro aos produtores brasileiros.

Carne Bovina: A Fome Chinesa e as Cotas Misteriosas

A China continua sendo o grande motor da demanda por carne bovina, mas um relatório recente do Santander acendeu um sinal de alerta. Segundo os analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, existe um "desalinhamento entre as cotas de importação de carne bovina e a trajetória estrutural da oferta de gado" no país asiático. Em outras palavras, a China quer importar cada vez mais, mas a produção interna não acompanha.

E qual o problema disso? Bom, se a oferta doméstica continuar apertada, a China pode ter que repensar suas cotas de importação e até mesmo seus impostos. E isso, claro, afeta diretamente as empresas brasileiras que exportam carne para lá, como a Minerva Foods (BEEF3).

A boa notícia é que o Santander vê a América do Sul e a Austrália como os únicos capazes de abastecer o apetite chinês. Resta saber se as empresas brasileiras conseguirão navegar pelas incertezas regulatórias e aproveitar essa demanda crescente.

Cobre: O Ouro Vermelho e a Visão do Goldman

Depois de um 2025 de forte valorização, o cobre entrou no radar do Goldman Sachs. O banco americano, conhecido por suas análises certeiras, soltou um relatório com um tom mais cauteloso. Apesar de manter uma visão positiva para o longo prazo (eles estimam que o preço do cobre precisaria chegar a US$ 15 mil por tonelada até 2035 para suprir a demanda), o Goldman vê um excesso de otimismo no curto prazo.

A equipe de commodities do banco acredita que a alta recente foi impulsionada mais por fatores técnicos e pelo humor do mercado do que por uma mudança real na relação entre oferta e demanda. Ou seja, prepare-se para uma possível correção nos preços.

Onde investir?

Se você acredita no potencial do cobre, a dica do Goldman é focar em mineradoras com produção e caixa previsíveis. Afinal, em um cenário de incerteza, a solidez é fundamental. E, claro, diversificar a carteira é sempre uma boa ideia.

A Lição para o Investidor

O mercado de commodities é dinâmico e cheio de surpresas. Preços podem subir ou descer rapidamente, influenciados por fatores que vão desde o clima até as decisões políticas na China. Por isso, a chave para investir com sucesso é informação, análise e uma boa dose de cautela. E, claro, contar com a ajuda de um bom jornalista (modéstia à parte) para te manter atualizado sobre as últimas tendências.