O início de 2026 não tem sido dos mais fáceis para o setor de construção civil na bolsa. Grandes nomes como Cyrela, Direcional, Even e Lavvi viram suas ações despencarem após a divulgação de dados prévios do quarto trimestre de 2025. Mas o que causou esse impacto negativo no mercado?

O Que Aconteceu Com as Ações?

Na sexta-feira (16), as ações da Direcional lideraram as quedas do Ibovespa, chegando a recuar quase 7%. Cyrela também sentiu o baque, figurando entre as maiores baixas do dia. Even e Lavvi também não escaparam da pressão vendedora.

Essa reação do mercado veio após a divulgação das prévias operacionais do quarto trimestre. Os números, embora apresentassem alguns pontos positivos, não foram suficientes para animar os investidores, que esperavam um desempenho mais robusto.

O Raio-X das Prévia Operacionais

Vamos dar uma olhada mais de perto nos números que impactaram o mercado:

Cyrela (CYRE3)

A Cyrela reportou vendas líquidas de R$ 2,50 bilhões, um resultado 6% acima das estimativas do JPMorgan, mas 31% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Os lançamentos totalizaram R$ 3,44 bilhões, superando em 23% as projeções do banco, mas também representando um recuo de 31% na comparação anual.

A velocidade de vendas (VSO) da Cyrela ficou em 17,2%, o menor nível desde o primeiro trimestre de 2023, o que pode ter gerado preocupação em relação à capacidade da empresa de converter seus lançamentos em vendas.

Direcional (DIRR3)

A Direcional registrou vendas brutas de R$ 1,5 bilhão no quarto trimestre, com vendas líquidas de R$ 1,3 bilhão – um aumento de 5% na comparação anual. O Valor Geral de Vendas (VGV) de lançamentos somou R$ 1,7 bilhão no período, avanço de 19,5% frente ao mesmo trimestre de 2024.

Apesar dos números positivos, o mercado parece ter avaliado que o desempenho da Direcional ficou aquém das expectativas, o que justifica a forte queda das ações.

Eztec (EZTC3)

A Eztec apresentou um salto de quase 200% nos lançamentos e viu as vendas crescerem no quarto trimestre de 2025. O VGV de lançamentos atingiu R$ 783 milhões, representando um crescimento expressivo em relação ao mesmo período de 2024. As vendas líquidas totalizaram R$ 557,4 milhões, um avanço de 41% na comparação anual.

Apesar do bom desempenho, o Citi avaliou que a construtora ainda “precisa melhorar”. Ou seja, o mercado, mesmo com bons números, ainda vê espaço para um crescimento maior.

O Que Esperar do Setor Imobiliário?

O setor imobiliário, como um todo, é sensível às taxas de juros. A Selic, que baliza os juros no Brasil, influencia diretamente o custo do crédito imobiliário e, consequentemente, a demanda por imóveis. Se a Selic sobe, o crédito fica mais caro, o que pode esfriar o mercado imobiliário. Se a Selic cai, o inverso tende a acontecer.

Além disso, fatores como o crescimento econômico, a inflação e o nível de emprego também exercem influência sobre o desempenho do setor. Um cenário de crescimento, inflação controlada e baixo desemprego tende a impulsionar o mercado imobiliário.

É importante lembrar que investir em ações de empresas do setor imobiliário envolve riscos, como em qualquer outro setor. A volatilidade do mercado, as mudanças nas condições econômicas e a própria gestão das empresas podem afetar o desempenho das ações. Portanto, antes de investir, é fundamental fazer uma análise cuidadosa e considerar seus objetivos e perfil de risco.

Disclaimer: Este artigo tem como objetivo fornecer informações e análises sobre o setor imobiliário, mas não constitui recomendação de investimento. A decisão de investir é pessoal e deve ser baseada em suas próprias análises e critérios.