A quarta-feira foi de decisões importantes nos dois lados do Atlântico, com o Copom (Comitê de Política Monetária) mantendo a Selic em 15% e o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) interrompendo o ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos. E agora, como ficam seus investimentos?

Selic congelada: o que esperar do Ibovespa?

A manutenção da Selic já era amplamente esperada, mas o comunicado do Copom, sinalizando um tom mais firme sobre os próximos passos, pegou parte do mercado de surpresa. A reação inicial? O EWZ, fundo que espelha o Ibovespa lá fora, saltou mais de 1% logo após o anúncio, segundo o Money Times.

Essa "prévia" do EWZ sugere que o Ibovespa pode ter um dia de busca por novas máximas. A grande questão é se essa animação inicial vai se sustentar. Afinal, juros altos por mais tempo podem esfriar o ritmo da economia, impactando o desempenho das empresas listadas na bolsa.

Lucas Sigu, sócio-fundador da Ciano Investimentos, aposta que o Ibovespa seguirá em alta, podendo alcançar os 200 mil pontos ainda em 2026. Uma projeção otimista, sem dúvida, mas que depende de uma série de fatores, como o cenário político e a saúde da economia global.

Dólar em compasso de espera

Por aqui, o dólar fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,20. Lá fora, o índice DXY, que mede a força do dólar frente a outras moedas, subiu um pouco. O cenário é de cautela, com os investidores digerindo as decisões dos bancos centrais e aguardando novos sinais da economia.

A combinação de Selic alta e juros americanos estáveis tende a favorecer o real, pelo menos no curto prazo. Mas, como sempre, é bom lembrar: o câmbio é volátil e sensível a uma série de fatores, desde notícias políticas até o humor dos mercados globais.

Wall Street de olho nas Big Techs

Enquanto isso, em Nova York, o pregão foi marcado pela expectativa em torno dos balanços das gigantes de tecnologia. Meta, Microsoft e Tesla divulgaram seus resultados após o fechamento do mercado, prometendo agitar o after market. De acordo com a InfoMoney, Intel e Micron já haviam dado o tom, com fortes altas impulsionadas por resultados positivos de empresas do setor de chips.

O Fed manteve os juros inalterados, interrompendo o ciclo de cortes, mas sinalizou que continua monitorando de perto a inflação e o mercado de trabalho. Jerome Powell, presidente do Fed, preferiu adotar um tom cauteloso em sua coletiva de imprensa, sem dar muitas pistas sobre os próximos passos. Ou seja, o jogo segue aberto.

Petrobras, Vale e o vaivém das commodities

No Brasil, vale ficar de olho no desempenho das empresas de commodities, como Petrobras e Vale. O preço do petróleo e do minério de ferro, por exemplo, podem influenciar bastante o humor dos investidores e o rumo do Ibovespa.

Para a Petrobras, as reservas provadas de petróleo e as decisões sobre a política de dividendos são sempre um ponto de atenção. Já para a Vale, o preço do minério de ferro e a demanda da China são os principais termômetros.

Ouro: porto seguro em tempos incertos?

Em momentos de turbulência, muitos investidores buscam refúgio no ouro. O metal precioso é visto como uma proteção contra a inflação e a desvalorização das moedas. Mas será que vale a pena apostar no ouro agora?

A resposta, como sempre, depende do seu perfil de risco e dos seus objetivos de investimento. O ouro pode ser uma boa opção para diversificar a carteira, mas é importante lembrar que ele não oferece rendimentos regulares, como dividendos ou juros.

Em resumo: cautela e diversificação

A "Super Quarta" deixou um cenário de incertezas no ar. Juros altos no Brasil, Fed em compasso de espera nos EUA, balanços das Big Techs... É muita informação para digerir. A melhor estratégia? Cautela e diversificação. Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta e fique atento aos sinais do mercado.

Lembre-se: este artigo não é uma recomendação de investimento. As informações apresentadas são apenas para fins informativos e não devem ser interpretadas como aconselhamento financeiro. A decisão final é sempre sua.