Sexta-feira de termômetro alto no mercado financeiro. A manhã que antecede a abertura da B3 já está agitada, com os investidores de olho em dois dados cruciais: o índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos e os números do varejo brasileiro. E, claro, tem balanço da Usiminas também engrossando o caldo.
O que esperar do CPI americano?
O CPI dos EUA ganhou ainda mais importância depois do relatório de emprego (payroll) divulgado na quarta-feira, que mostrou uma economia americana mais resiliente do que o esperado. Economistas consultados pela Reuters projetam um avanço de 2,5% na comparação anual e de 0,3% na base mensal. Se os números confirmarem essa expectativa (ou vierem acima), a tendência é que o Federal Reserve (Fed) demore ainda mais para começar a cortar os juros. E essa perspectiva já está impactando os mercados.
Para entender o tamanho da encrenca, imagine que o Fed está tentando pilotar um carro ladeira abaixo. Se o payroll indica que o carro está ganhando velocidade, o CPI é o velocímetro que mostra o quão rápido ele está indo. Se o velocímetro dispara, o Fed pensa duas vezes antes de pisar no freio (cortar os juros), com medo de perder o controle.
Impacto nos futuros de NY
Os futuros de Nova York já operam em baixa, refletindo essa cautela. Dow Jones Futuro, S&P 500 Futuro e Nasdaq Futuro amanheceram no vermelho, sinalizando que o dia pode ser de aversão ao risco. Os três principais índices estão a caminho de registrar perdas semanais, com o S&P 500 e o Dow Jones caindo mais de 1% até o fechamento de quinta-feira. O Nasdaq está a caminho de uma queda de 1,9% no período.
E no Brasil? Olho no varejo e no IGP-10
Por aqui, a agenda também está carregada. Além do CPI americano, o mercado aguarda a divulgação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de fevereiro, com estimativa de queda de 0,12%, e, principalmente, os dados das vendas no varejo em dezembro. Analistas esperam uma redução no índice, o que pode adicionar mais pressão sobre o Ibovespa.
O varejo é um termômetro importante da economia brasileira. Se as vendas caem, significa que o consumidor está mais cauteloso, o que pode impactar o crescimento do país. E, em um cenário de juros ainda altos, a recuperação do setor se torna ainda mais desafiadora.
Como fica o Ibovespa?
Depois de renovar máximas históricas, o Ibovespa cedeu um pouco na última sessão, com queda de 1,02%, fechando aos 187.766 pontos. Segundo análise da InfoMoney, o índice permanece acima das médias móveis de 9 e 21 períodos, mantendo a tendência de alta como pano de fundo. No entanto, o IFR (Índice de Força Relativa) já indica uma zona de sobrecompra, o que sugere que o mercado pode estar um pouco esticado.
Para que o Ibovespa retome o movimento de alta, será necessária a entrada consistente de fluxo comprador para romper novamente a máxima histórica em 190.561 pontos. Acima desse patamar, os alvos projetados passam a ser 193.270/196.075 pontos, com extensão até 199.540/200.000 pontos, ainda de acordo com a InfoMoney. Já a continuidade do fluxo corretivo depende da perda da faixa de suporte em 187.333/185.935 pontos, o que pode abrir espaço para testes mais profundos em 181.390/180.088 pontos.
Mercado internacional: Ásia no vermelho
Enquanto a Europa ainda digere os dados da inflação e Wall Street se prepara para o CPI, na Ásia, o clima foi de cautela. As ações chinesas caíram, com os investidores reduzindo os riscos antes dos feriados do Ano Novo Lunar na China continental e em Hong Kong. O Shanghai SE (China) fechou em queda de 1,26%, o Nikkei (Japão) recuou 1,21% e o Hang Seng Index (Hong Kong) despencou 1,72%.
Em resumo, o dia promete ser de muita volatilidade e atenção redobrada aos indicadores. A abertura da B3, daqui a pouco, deve refletir o humor dos mercados internacionais e as expectativas em relação aos dados que serão divulgados ao longo do dia. Preparem seus cintos!
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.