Nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, o mercado financeiro brasileiro continua sob o olhar atento dos investidores, especialmente no que diz respeito à concessão de crédito e aos níveis de inadimplência. Em meio a um cenário global turbulento, com a guerra entre Irã e Estados Unidos e Israel impactando as bolsas, e um cenário doméstico marcado por inflação pressionada e juros ainda elevados, os grandes players do setor bancário e varejista revelam suas estratégias para navegar essas águas.
Bradesco adota 'apetite moderado' para crédito
O Bradesco (BBDC4) (BBDC4), um dos gigantes do setor financeiro nacional, reconheceu abertamente a piora do cenário macroeconômico e reafirmou seu compromisso com um viés mais conservador na oferta de crédito. Em coletiva de imprensa realizada após a divulgação de seus resultados do primeiro trimestre, o presidente-executivo, Marcelo Noronha, explicou que essa cautela se traduz em uma análise mais criteriosa de certos modelos e modalidades de empréstimo, especialmente aquelas com maior risco.
"O viés mais conservador significa que eu posso pegar certos modelos e dizer ‘eu não tenho apetite para fazer isso aqui’, ou uma modalidade ou outra, mas continuamos com tração forte naquilo que é bom, bons ratings, boas modalidades com garantia", afirmou Noronha. Essa declaração, compartilhada por veículos como InfoMoney e Exame Invest, indica que o banco não está fechando as torneiras, mas sim sendo mais seletivo em suas operações de crédito. O objetivo é mitigar os riscos em um ambiente onde a inadimplência tende a subir.
A decisão de intensificar a prudência vem acompanhada de um aumento nas provisões para perdas com inadimplência, que subiram 26,5%. Apesar disso, o banco manteve sua previsão de crescimento da carteira de crédito expandida para 2026, entre 8,5% e 10,5%, totalizando R$ 1,1 trilhão em março, um acréscimo de 8,4% na base anual. O lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostra que a instituição ainda consegue gerar resultados positivos, mesmo com um apetite a risco mais controlado.
Riachuelo contrasta cenário e volta ao lucro
Em um movimento que pode surpreender alguns, a Riachuelo (RIAA3) apresentou um resultado robusto no primeiro trimestre de 2026, revertendo um prejuízo anterior e superando as expectativas do mercado. Com um lucro líquido de R$ 5 milhões entre janeiro e março, a varejista demonstra que, mesmo em um ambiente de juros elevados e famílias mais endividadas, é possível encontrar caminhos para prosperar.
O CEO da Riachuelo (LREN3), André Farber, atribui esse desempenho à estratégia focada em moda própria e a uma gestão de crédito igualmente conservadora. "Quando você olha o macro, o brasileiro está mais endividado e a inadimplência subindo. Quando você olha o nosso número, menos. Temos conseguido operar muito bem nessas águas", declarou Farber, em entrevista à EXAME. Essa abordagem parece ser um antídoto eficaz contra as dificuldades macroeconômicas que afetam o consumo.
A volta ao azul, quebrando uma sequência de seis anos de prejuízos no período, é um sinal de resiliência e boa execução. O resultado superou projeções, como a do BTG Pactual, que esperava um lucro menor. Isso demonstra que a estratégia da Riachuelo em apostar em marcas próprias e manter um controle rigoroso sobre as operações de crédito tem dado frutos.
O que esperar para o investidor?
Para o investidor, o cenário atual exige um olhar atento para a capacidade das empresas de gerenciar riscos, especialmente em relação ao crédito e à inadimplência. O conservadorismo do Bradesco, embora possa parecer um freio para o crescimento, é uma medida de prudência fundamental para a saúde financeira da instituição a longo prazo. Ações de bancos tendem a se beneficiar de um ambiente de crédito mais controlado, pois a inadimplência é um dos maiores vilões para o setor.
Por outro lado, o sucesso da Riachuelo em reverter o quadro de prejuízos em meio a um contexto adverso é um exemplo de como a gestão e a estratégia de negócio podem fazer a diferença. Para quem investe em empresas do varejo, observar a capacidade da companhia em manter o consumidor ativo e com poder de compra, mesmo com as pressões econômicas, é crucial. A diversificação de fontes de receita e a manutenção de uma carteira de crédito saudável, como parece ser o caso da Riachuelo, são fatores que merecem atenção.
A iniciativa "Desenrola 2.0", mencionada em apuração do E-Investidor, também surge como um potencial alívio para a inadimplência e um impulso para os bancos. No entanto, o efeito esperado é desigual, o que reforça a necessidade de analisar caso a caso e entender como cada instituição e empresa do setor será impactada.
Em suma, o mercado financeiro segue em compasso de espera, digerindo os resultados do primeiro trimestre e ajustando as expectativas para o restante de 2026. A cautela dos bancos e a resiliência de alguns varejistas mostram que, mesmo em tempos incertos, há espaço para estratégias bem definidas e execução eficiente. O investidor que acompanha esses movimentos e entende as nuances de cada setor pode encontrar oportunidades em meio aos desafios.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.