O mercado financeiro amanheceu de olho no dólar, que fechou o pregão desta quarta-feira (28) cotado abaixo de R$ 5,20 – o menor patamar em quase dois anos. A pergunta que não quer calar: o que está por trás dessa queda e como ela afeta seus investimentos?
A mão de Trump no câmbio?
Não é segredo para ninguém que Donald Trump, desde que reassumiu a presidência dos Estados Unidos, tem adotado uma postura bastante… peculiar em relação à política cambial. E, ao que tudo indica, a desvalorização do dólar não é um mero acaso. Segundo a InfoMoney, economistas e centros de pesquisa globais já vinham alertando que a Casa Branca estaria seguindo uma estratégia deliberada para enfraquecer o dólar frente a outras moedas, como o euro, o yuan e o iene.
A tática, ao que parece, segue à risca um plano desenhado por Stephen Miran, um dos principais assessores econômicos de Trump. Miran, que agora ocupa um cargo de direção no Federal Reserve (Fed), já defendia em 2024 a necessidade de desestabilizar a ordem mundial para favorecer os Estados Unidos. A receita? Desvalorizar o dólar para impulsionar a indústria americana.
A lógica é simples: com o dólar mais barato, os produtos americanos ficam mais competitivos no mercado internacional, o que, em tese, estimularia a produção e a criação de empregos nos EUA. Uma espécie de protecionismo cambial, digamos assim.
Rumores e intervenções coordenadas
A queda do dólar, no entanto, não se resume apenas à estratégia de Trump. Outros fatores também contribuíram para a desvalorização da moeda americana. Um deles, como apurou a InfoMoney, foi um rumor sobre uma possível intervenção coordenada entre Japão e Estados Unidos para conter a desvalorização do iene. A especulação, que surgiu após relatos de que o Fed de Nova York consultou bancos sobre a taxa de câmbio entre dólar e iene, gerou uma onda de vendas de dólares e impulsionou a valorização de outras moedas.
Selic mantida e o efeito no câmbio
No cenário doméstico, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic em 15% também teve um impacto no câmbio. A manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado torna o Brasil mais atraente para investidores estrangeiros, que buscam rendimentos mais altos em mercados emergentes. Esse fluxo de capital para o país acaba impulsionando a valorização do real frente ao dólar. É como se o Brasil dissesse: "Venham, invistam aqui, que o retorno é bom!"
Bruno Yamashita, analista da Avenue, explica que o diferencial entre a Selic e a taxa de juros americana (fed funds) é crucial para entender a valorização do real. "Quando temos um diferencial grande entre a Selic e o fed funds, isso ajuda a atrair investidores estrangeiros, porque a rentabilidade acaba compensando o risco de estar investido no Brasil", afirma.
E agora, o que esperar do dólar?
Prever o futuro do câmbio é sempre uma tarefa arriscada. Afinal, o mercado financeiro é dinâmico e está sujeito a uma série de fatores, tanto internos quanto externos. No entanto, é possível identificar algumas tendências que podem influenciar o comportamento do dólar nos próximos meses.
A política cambial de Trump, por exemplo, deve continuar a ser um fator importante a ser monitorado. Se o presidente americano mantiver a estratégia de desvalorizar o dólar, a moeda americana pode continuar a perder força frente a outras divisas. Por outro lado, se o Fed começar a sinalizar uma postura mais hawkish (ou seja, mais propensa a elevar os juros), o dólar pode ganhar um novo impulso.
No Brasil, a trajetória da Selic também será determinante para o câmbio. Se o Copom começar a cortar a taxa básica de juros nos próximos meses, o real pode perder um pouco de atratividade, o que poderia levar a uma leve desvalorização da moeda brasileira. No entanto, se o governo conseguir manter a disciplina fiscal e aprovar as reformas necessárias para impulsionar o crescimento econômico, o real pode continuar a se valorizar.
Como proteger seus investimentos?
Diante desse cenário de incertezas, a melhor estratégia para proteger seus investimentos é a diversificação. Não coloque todos os seus ovos na mesma cesta. Invista em diferentes classes de ativos, como ações, renda fixa, multimercado e até mesmo moedas estrangeiras. A diversificação ajuda a reduzir o risco da sua carteira e a aumentar as chances de obter bons resultados no longo prazo.
Além disso, é importante acompanhar de perto o mercado financeiro e estar atento às notícias e análises dos especialistas. Assim, você estará mais preparado para tomar decisões de investimento conscientes e informadas. Lembre-se: o conhecimento é a sua melhor ferramenta para navegar no mundo dos investimentos.
E, claro, procure sempre o auxílio de um profissional qualificado para te ajudar a montar uma carteira de investimentos adequada ao seu perfil de risco e aos seus objetivos financeiros. Um bom consultor financeiro pode te ajudar a tomar as melhores decisões e a alcançar seus sonhos.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.