O mercado amanheceu em compasso de espera, com os olhos voltados para a “superquarta”, dia em que tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) no Brasil quanto o Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos devem anunciar suas decisões sobre as taxas de juros. E, claro, Donald Trump sempre adicionando um pouco de pimenta ao cenário global.

Dólar: Alívio na espera da Selic

Por aqui, o dólar à vista opera em queda, cotado a R$ 5,25. A perspectiva de manutenção da Selic nos atuais 15% ao ano, nível mais alto em duas décadas, combinada com a expectativa de que o Fed também mantenha os juros americanos, favorece o chamado carry trade, tornando o Brasil mais atraente para investidores estrangeiros. A diferença entre os juros altos no Brasil e a estabilidade nos EUA atrai o capital estrangeiro, impulsionando o fluxo de dólares para o país.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, divulgado hoje, também está no radar. A composição desse índice, principalmente a inflação de serviços, pode dar pistas sobre os próximos passos do Banco Central.

Ouro: Refúgio em tempos turbulentos

Enquanto o dólar dá um respiro, o ouro segue sua escalada, superando a marca de US$ 5.100 por onça. O metal precioso tem se beneficiado de um combo de fatores que geram incerteza e turbulência nos mercados.

Primeiro, as tensões geopolíticas. Donald Trump anunciou novas tarifas de importação sobre produtos da Coreia do Sul e ameaça o Canadá, reacendendo temores de uma guerra comercial global. Em momentos assim, o ouro age como um porto seguro, atraindo investidores que buscam proteção para seus investimentos.

Segundo, a própria instabilidade nos Estados Unidos. Segundo a Exame Invest, o metal atingiu novo pico nesta terça-feira, 27, impulsionado por fatores geopolíticos e instabilidade institucional nos Estados Unidos. A perspectiva de troca no comando do Fed, com a possível saída de Jerome Powell em maio, adiciona ainda mais incerteza ao cenário.

Para completar, as ações coordenadas dos governos americano e japonês para conter a alta do iene acabaram enfraquecendo o dólar, o que impulsiona ainda mais o preço do ouro, já que o metal é cotado na moeda americana. O ouro se valoriza com a instabilidade global, refletindo a busca por segurança dos investidores.

Ibovespa: De olho no IPCA e nos balanços

Por falar em Brasil, o Ibovespa tenta encontrar um rumo após um pregão de acomodação na segunda-feira, quando recuou 0,08% depois de uma sequência de recordes históricos. O índice segue de olho no IPCA-15 e nas decisões do Copom, mas também nos balanços das empresas.

No cenário corporativo, os resultados da GM nos EUA podem dar o tom para as montadoras por aqui. Vale, Itaú, Embraer e Prio também estão no radar dos investidores, que buscam sinais de como as empresas brasileiras estão se adaptando ao cenário macroeconômico. E claro, o setor de educação, com Yduqs e Cogna, sempre gera expectativas, especialmente com as mudanças nas políticas de financiamento estudantil.

O que esperar?

O dia promete ser de muita volatilidade, com os mercados reagindo às notícias e expectativas em relação às decisões do Copom e do Fed. A recomendação é manter a calma, diversificar os investimentos e, principalmente, não se deixar levar pelo “oba-oba” do mercado. Lembre-se: a decisão final é sempre sua!

Ah, e por falar em decisão, vale lembrar que agências como JPMorgan e Moody's acompanham de perto os desdobramentos da política monetária brasileira. As avaliações dessas agências podem influenciar o fluxo de investimentos estrangeiros no país. Portanto, fique de olho!