O dólar deu um respiro e fechou o dia em R$ 5,169, renovando o menor valor em quase dois anos. Para quem acompanha o mercado, a pergunta que não quer calar é: até onde vai essa trégua da moeda americana?

A sessão desta segunda-feira foi marcada por um vaivém, com a moeda americana testando R$ 5,139 na mínima, um patamar que não se via desde maio de 2024. No entanto, o dólar perdeu um pouco de fôlego no final do pregão, fechando com uma leve queda de 0,14%.

O que derrubou o dólar?

A principal influência, segundo analistas, continua vindo do exterior. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump segue repercutindo no mercado. A leitura é que essa medida pode aliviar as pressões inflacionárias nos EUA, abrindo espaço para o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) ser mais agressivo nos cortes de juros.

Para o investidor, isso significa que o dólar perde atratividade em relação a outras moedas, como o real. Afinal, juros menores nos EUA tornam os investimentos por lá menos rentáveis.

Trump e as tarifas: um freio na inflação?

As tarifas impostas por Trump, como apontou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, trouxeram um custo de vida maior para os americanos em 2025. A expectativa agora é que a inflação ceda com a redução dessas tarifas. "A leitura agora é que a inflação deve ceder um pouco, com as tarifas menores até o final desses 150 dias e possivelmente menores ainda até depois desse prazo. Isso ajudaria o BC a cortar juros com mais intensidade do que se está projetando", afirmou Cruz.

E o Brasil nessa história?

Enquanto o cenário externo dita o ritmo, o Brasil também tem seus próprios ingredientes nessa receita. A taxa Selic, atualmente em um patamar elevado, continua atraindo capital estrangeiro para o país, o que também contribui para a valorização do real frente ao dólar. É como se o Brasil estivesse oferecendo um "aluguel" mais alto para quem investe em reais.

Além disso, as expectativas em relação às próximas eleições presidenciais de 2026 também podem influenciar o câmbio. A incerteza política tende a aumentar a volatilidade do mercado, o que pode levar a oscilações mais bruscas do dólar.

Política monetária no radar

A política monetária do Banco Central (BC) também é um fator crucial. Se o BC sinalizar que pretende manter a Selic em patamares elevados por mais tempo, o real tende a se valorizar. Por outro lado, se o BC começar a cortar juros de forma mais agressiva, o dólar pode ganhar força novamente.

O que esperar para o futuro?

Prever o futuro do câmbio é como tentar adivinhar os números da loteria. Impossível cravar. Mas alguns fatores podem nos dar pistas do que está por vir. A recuperação da economia global, a evolução da inflação nos Estados Unidos e a condução da política monetária no Brasil serão determinantes para o rumo do dólar.

É importante lembrar que o mercado de câmbio é dinâmico e está sujeito a diversas influências. Por isso, o investidor precisa estar atento aos acontecimentos e diversificar seus investimentos para se proteger das oscilações da moeda americana. Afinal, como diz o ditado, não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta.

E por falar em cesta, vale a pena acompanhar de perto os próximos capítulos dessa novela do dólar. A volatilidade deve continuar sendo a tônica, e a cautela é sempre a melhor amiga do investidor.