Se você esperava fortes emoções do dólar hoje, pode tirar o cavalinho da chuva. A moeda americana fechou praticamente estável, cotada a R$ 5,20, depois de até ter flertado com a mínima de R$ 5,17. A 'culpa' (ou o mérito?) é de uma combinação de fatores: Fed mantendo os juros nos EUA, Copom seguindo o mesmo caminho por aqui e, claro, a temporada de balanços das gigantes de tecnologia lá fora.

Fed pausa os cortes, e o dólar respira

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o nosso Banco Central de lá, decidiu dar um tempo na sequência de cortes de juros. A taxa básica americana continua na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado, e, de certa forma, já estava precificada. Tanto que o impacto imediato foi limitado. Mas, como dizem, notícia velha não faz manchete, mas evita um tombo maior. O mercado já vinha trabalhando com essa possibilidade, e a confirmação evitou um choque.

A decisão, no entanto, não foi unânime. Dois diretores do Fed votaram por um novo corte de 0,25 ponto percentual, mostrando que nem todo mundo concorda com a pausa. Mas a maioria venceu, e a taxa se manteve inalterada.

Copom na mesma toada: Selic paradinha

Por aqui, a expectativa também era de manutenção da Selic, a nossa taxa básica de juros, em 15%. E foi o que aconteceu. O Copom, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, optou pela cautela, deixando a taxa onde está. A Selic alta, em tese, torna o Brasil mais atraente para investidores estrangeiros, já que oferece um retorno maior em renda fixa. É como se fosse um aluguel mais generoso pelo seu dinheiro.

Segundo Bruno Yamashita, analista da Avenue, a relação entre juros e câmbio é fundamental para entender a valorização do real frente ao dólar. “Quando temos um diferencial grande entre a Selic e o fed funds, isso ajuda a atrair investidores estrangeiros, porque a rentabilidade acaba compensando o risco de estar investido no Brasil”, explica.

Balanços das Big Techs: um termômetro do mercado

Além das decisões dos bancos centrais, o mercado também ficou de olho nos resultados trimestrais das gigantes de tecnologia. Meta, Microsoft e Tesla divulgaram seus números, e o impacto nas ações do setor foi imediato. Afinal, essas empresas são como um termômetro da economia global. Se elas vão bem, é sinal de que as coisas estão caminhando. Se tropeçam, o sinal de alerta acende.

No geral, os resultados foram mistos. Algumas empresas superaram as expectativas, outras ficaram abaixo. Mas o importante é que a temporada de balanços continua, e os próximos dias prometem mais emoções (e volatilidade) no mercado.

E agora, José? O que esperar do dólar?

É sempre bom lembrar: prever o futuro do dólar é como tentar adivinhar os números da Mega Sena. Mas, com base no que vimos hoje, podemos ter algumas pistas. A manutenção dos juros nos EUA e no Brasil, em tese, deve manter o dólar em um patamar relativamente estável. Mas a volatilidade sempre pode aparecer, impulsionada por fatores externos, como a guerra na Ucrânia, a inflação global e, claro, as decisões políticas e econômicas por aqui.

Uma coisa é certa: o mercado financeiro é dinâmico e está sempre mudando. Por isso, é fundamental ficar de olho nas notícias, acompanhar os indicadores e, principalmente, ter uma estratégia de investimentos bem definida. Diversificar, como dizem, é não colocar todos os ovos na mesma cesta.

E lembre-se: este texto é apenas uma análise do mercado. A decisão final de investir ou não é sempre sua. Consulte um profissional, faça suas contas e, acima de tudo, invista com responsabilidade.