Sabe aquela sensação de alívio depois de quase tropeçar? Foi mais ou menos o que o dólar sentiu hoje. Depois de atingir o menor patamar desde novembro, a moeda americana conseguiu respirar um pouco, fechando com leve alta. Mas, como em todo bom suspense, a calmaria pode ser só a ponta do iceberg.
O que mexeu com o dólar hoje?
O pregão foi marcado por uma combinação de fatores, tanto internos quanto externos. Lá fora, o alívio nas tensões geopolíticas deu um respiro ao mercado financeiro global. Donald Trump, em uma reviravolta que já virou rotina, sinalizou que os Estados Unidos vão cooperar com a OTAN na segurança da Groenlândia, jogando um balde de água fria nas especulações sobre uma possível anexação da ilha. Pra quem não lembra, essa novela já tinha causado um certo burburinho no mercado, como destacou a Exame Invest.
Além disso, os olhos do mercado financeiro também se voltaram para o Japão, com rumores de que o Banco Central local pode intervir no mercado de câmbio. Essa movimentação, somada à valorização das commodities, ajudou a limitar os ganhos do dólar por aqui.
Internamente, a Polícia Federal deflagrou uma operação para apurar irregularidades no fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, ligadas ao Banco Master. A notícia, apesar de não ter causado um impacto direto no câmbio, serve de lembrete de que o cenário político-econômico brasileiro segue demandando atenção.
Ibovespa nas alturas: o que isso tem a ver com o dólar?
Enquanto o dólar tentava se equilibrar, o Ibovespa continuou sua escalada rumo ao topo. O índice renovou seu recorde histórico, impulsionado pelo fluxo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira. E por que isso impacta o dólar? Simples: quando gringo traz dólar pra investir por aqui, a oferta da moeda aumenta, o que tende a derrubar a cotação. É a lei da oferta e da procura, valendo também no mercado cambial.
Essa busca por diversificação, com investidores reduzindo a exposição ao dólar e Treasuries (títulos do Tesouro americano), tem sido uma constante desde o ano passado. E, como consequência, vemos a valorização de outras classes de ativos, como ouro, ações e moedas de países emergentes, como o real.
E agora, qual o rumo do dólar?
É impossível prever o futuro, mas alguns fatores merecem atenção na próxima semana. As tensões geopolíticas, principalmente envolvendo o Irã e as sanções impostas pelos Estados Unidos, seguem sendo um ponto de atenção. Qualquer faísca nesse cenário pode reacender a aversão ao risco e impulsionar o dólar.
Além disso, os dados da economia americana e as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) também devem influenciar o mercado de câmbio. Uma postura mais agressiva do Fed no combate à inflação, por exemplo, poderia fortalecer o dólar.
O petróleo, vale lembrar, também tem seu peso nessa balança. Afinal, o Brasil é um importante produtor e exportador da commodity, e as oscilações nos preços do petróleo podem impactar a balança comercial e, consequentemente, o câmbio.
Em resumo, o dólar pode ter tido um dia de alívio, mas a instabilidade global e as incertezas internas ainda pairam sobre o mercado. Pra quem investe, a dica é manter a calma, diversificar a carteira e acompanhar de perto os acontecimentos. Afinal, no mercado financeiro, como na vida, a prudência nunca é demais.
No fechamento, o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$ 5,2862, com alta de 0,03%.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.