Depois de uma semana tensa, o dólar buscou um respiro, mas não foi suficiente para apagar o estrago. A moeda americana sentiu o baque das incertezas geopolíticas e da instabilidade interna, fechando a semana com perdas significativas.

O alívio que veio de fora

A principal notícia positiva para o dólar foi a decisão de Donald Trump de recuar nas ameaças de tarifas à União Europeia, evitando uma escalada nas tensões comerciais. Como mostrou a Exame Invest, o mercado já vinha acompanhando essa novela e esperava que Trump recuasse, dada sua tendência histórica. A atitude do presidente americano, que antes assustava Wall Street, desta vez teve um efeito limitado.

No fechamento da última sexta-feira, o dólar à vista encerrou a sessão cotado a R$ 5,2862, com uma leve alta de 0,03%, de acordo com o Money Times. Apesar do respiro, a moeda acumulou uma queda de 1,61% na semana.

O peso da política interna

Enquanto Trump dava sinais de apaziguamento no front externo, o Brasil seguia com suas próprias turbulências. A instabilidade política interna, com discussões acaloradas sobre reformas e o futuro da economia, continuou a pesar sobre o real. Afinal, o mercado financeiro não gosta de incertezas, e o cenário brasileiro, convenhamos, não tem sido dos mais previsíveis.

Entrada de capital estrangeiro

Um ponto importante a ser observado é o fluxo de capital estrangeiro para a bolsa brasileira. O Ibovespa, embalado por essa entrada de recursos, tem batido recordes sucessivos, ultrapassando a marca dos 178 mil pontos. Esse movimento, impulsionado pela busca por diversificação e pela redução da exposição ao dólar e a títulos do Tesouro americano (Treasuries), acaba por pressionar a moeda americana para baixo.

O que esperar da próxima semana?

A próxima semana promete ser agitada, com diversos fatores no radar dos investidores. No cenário internacional, as atenções se voltam para os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) em relação à política monetária. A expectativa é que o Fed mantenha a postura cautelosa, o que pode dar suporte ao dólar em nível global.

Por aqui, o foco estará na agenda política e econômica do governo. O andamento das reformas, as discussões sobre o Orçamento e os indicadores de inflação serão cruciais para determinar o rumo do real. E, claro, o mercado seguirá de olho em eventuais ruídos políticos que possam abalar a confiança dos investidores.

Para investidores, o momento exige cautela e diversificação. Como sempre digo, não coloque todos os ovos na mesma cesta. A volatilidade do mercado exige uma estratégia bem definida e um acompanhamento constante das notícias e análises. E lembre-se: a decisão final é sempre sua.

Um fator extra de preocupação para o mercado brasileiro é a situação da Gol. O falecimento recente de Constantino Júnior, fundador da companhia, adiciona um elemento de incerteza à já delicada situação financeira da empresa. A crise da Gol, com dívidas elevadas e negociações em andamento, continua a gerar apreensão no setor aéreo e no mercado como um todo.

Afinal, a possível falência de uma empresa desse porte poderia ter um impacto significativo na economia brasileira, gerando desemprego e afetando a confiança dos investidores. O desenrolar dessa história, sem dúvida, será um dos temas a serem acompanhados de perto na próxima semana.