O mercado financeiro está de olho em Brasília, e não é só por causa das decisões do Banco Central. A eleição presidencial de 2026 promete ser um divisor de águas, com potencial para causar mais turbulência que a esperada queda da Selic. É como se, após um período de calmaria, uma tempestade estivesse se formando no horizonte (o cenário eleitoral).
A Selic no Radar, Mas...
A expectativa de um ciclo de corte na Selic já está, em grande parte, precificada. A maioria dos analistas concorda que o Banco Central deve começar a reduzir a taxa básica de juros em breve, impulsionado por dados econômicos mais favoráveis e pela necessidade de estimular o crescimento. Mas, como diz o ditado, nem só de pão vive o homem (e nem só de Selic vive o mercado).
O Peso da Eleição
Segundo Ruy Alves, sócio e gestor multimercado da Kinea Investimentos, o cenário político tem potencial para causar mais barulho no mercado do que as decisões do Banco Central. "Que teremos um ciclo de corte de juros, isso é algo já precificado. A questão é que teremos este ciclo no meio do período eleitoral e esse fator fará mais preço do que projeções sobre a Selic", afirmou Alves.
A incerteza eleitoral sempre gera um certo receio nos investidores. Afinal, a depender do resultado das urnas, as políticas econômicas podem mudar drasticamente, impactando o crescimento, a inflação e, consequentemente, os investimentos. É como mudar a rota do avião em pleno voo: a turbulência é quase inevitável.
Câmbio em Alerta
Um dos principais canais de transmissão dessa incerteza é o câmbio. O gestor da Kinea Investimentos alerta que o estresse político pode pressionar o câmbio e fazer o dólar subir. Se isso acontecer, o Banco Central pode ficar mais reticente em seguir com os cortes planejados na Selic, para não alimentar ainda mais a inflação. Ou seja, a eleição pode acabar influenciando até mesmo a política monetária.
E o 'TACO Trade'? Trump Entra em Cena (de Novo)
Para completar o cenário, a política internacional também segue no radar. A Exame Invest noticiou que o mercado voltou a apostar no "TACO trade" (Trump Always Chickens Out) após o presidente americano recuar de ameaças de tarifas contra a Europa. Essa estratégia, que se baseia na expectativa de que Trump cederá em momentos de tensão, tem impulsionado as ações nos EUA e na Europa.
O que Fazer?
Diante desse cenário complexo, a palavra de ordem é cautela. Diversificar a carteira de investimentos, buscar ativos mais resilientes à volatilidade e acompanhar de perto os acontecimentos políticos e econômicos são medidas importantes para proteger o patrimônio e aproveitar as oportunidades que surgirem. Lembre-se: em momentos de incerteza, a informação é a sua melhor aliada.
E falando em dados, vale ficar de olho nos indicadores econômicos dos EUA. A divulgação dos dados de auxílio-desemprego, do índice de preços PCE (inflação) e do PIB americano podem influenciar as decisões do Federal Reserve (o Banco Central dos EUA) e, consequentemente, o mercado financeiro global.
Em resumo, prepare-se para um ano de fortes emoções. As eleições de 2026 prometem ser um fator determinante para o rumo dos investimentos, e a Selic, embora importante, pode acabar sendo apenas um coadjuvante nessa história.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.