O ano de 2026 começou com os mercados globais balançando, e os investidores buscando refúgio (ou oportunidades) em praias menos óbvias. Uma tendência que chama a atenção é o fluxo de capital para ETFs (Exchange Traded Funds) de mercados emergentes. Mas será que essa é a jogada certa?
A Fuga para os Emergentes
Enquanto os ETFs de ações focados nos Estados Unidos já registraram saídas líquidas de US$ 2,1 bilhões neste ano, os ETFs de mercados emergentes atraíram cerca de US$ 14 bilhões, segundo dados da Refinitiv Lipper. É o maior volume entre as categorias, e pode marcar um recorde mensal, superando os US$ 10,9 bilhões de março de 2021. É como trocar um voo tranquilo em céu de brigadeiro por uma aventura em uma montanha-russa – a emoção pode ser alta, mas prepare-se para os solavancos.
A explicação para esse movimento, segundo analistas, passa por uma combinação de fatores: avaliações mais baratas em relação aos mercados desenvolvidos, perspectivas de crescimento (mesmo que modestas) e, claro, a busca por diversificação. Afinal, como diz o ditado, não dá para colocar todos os ovos na mesma cesta.
E o Brasil Nessa História?
O Brasil, como parte desse bolo de mercados emergentes, pode se beneficiar desse fluxo. A nossa B3, que andou animada nos últimos tempos, renovando máximas históricas, pode ter fôlego para continuar subindo. Inclusive, analistas e gestores de fundos garantem que teve mão de gringo forte impulsionando o Ibovespa para perto dos 172 mil pontos nesta semana. Mas, como sempre, é bom manter os pés no chão.
Afinal, o cenário macroeconômico global ainda é incerto. As eleições americanas no final do ano, por exemplo, podem trazer reviravoltas. E por aqui, a política fiscal ainda gera debates acalorados, com discussões sobre o ritmo de corte da Selic e a capacidade do governo de manter as contas em ordem.
Ajustes na Carteira e Juros Menores
Com a perspectiva de juros menores no Brasil, a estratégia de alocação de recursos precisa ser revista. Aquele conforto de viver de CDI está com os dias contados. Segundo Marcelo Bolzan, sócio da The Hill Capital, o investidor que ficou muito tempo concentrado em CDI e pós-fixados vai ver essa estratégia minguar. É hora de ajustar o portfólio!
Na renda fixa, a sugestão é alongar os prazos dos títulos indexados à inflação, especialmente aqueles com vencimentos entre sete e dez anos. Já nos prefixados, a preferência deve ser por prazos mais curtos, entre três e quatro anos, onde ainda é possível encontrar taxas atrativas. E claro, aumentar a exposição à bolsa brasileira, que deve se beneficiar desse novo cenário.
Olho nos Dados Americanos
Enquanto isso, nos Estados Unidos, a agenda econômica desta quinta-feira está carregada de dados econômicos importantes. Pedidos de auxílio-desemprego, o índice de preços PCE (inflação) e o PIB (Produto Interno Bruto) podem mexer com os mercados e dar pistas sobre o futuro da política monetária do Federal Reserve (o banco central americano). É como analisar o mapa do tempo para prever a tempestade. E como o mundo está interligado, o que acontece lá impacta diretamente por aqui.
E, claro, não podemos esquecer da geopolítica. Notícias sobre tensões internacionais, disputas comerciais e até mesmo o humor do ex-presidente Trump (que, ao que parece, está menos interessado em comprar a Groenlândia) podem influenciar o humor dos investidores e, consequentemente, o desempenho dos mercados.
Oportunidade ou Ilusão?
Afinal, investir em mercados emergentes em 2026: é uma jogada inteligente ou um tiro no pé? A resposta, como sempre, depende do perfil de cada investidor, dos seus objetivos e, claro, da sua tolerância ao risco. Mas, uma coisa é certa: o cenário exige cautela, análise e, acima de tudo, bom senso. Porque, no mundo dos investimentos, como na vida, nem tudo que reluz é ouro.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.