A máxima do momento na B3 parece ser: siga o fluxo gringo. Pelo menos, essa é a principal recomendação de André Jakurski, sócio-fundador da JGP, para quem investe no Brasil. Com a entrada consistente de capital estrangeiro na bolsa, a estratégia, segundo ele, é simples: comprar ações.
“No Brasil, a regra número 1 é fazer o que o gringo está fazendo. Se está entrando dinheiro na bolsa, compra”, afirmou Jakurski durante o CEO Conference Brasil 2026, evento do BTG Pactual. A lógica, explica ele, reside no fato de que o custo de oportunidade para o investidor estrangeiro é diferente, tornando a bolsa brasileira atrativa mesmo quando parece cara para o investidor local.
O motor da B3
Essa onda de otimismo vinda de fora tem sido o principal motor do Ibovespa nos últimos meses. Mas por que o Brasil, em meio a tantas opções globais, atrai tanto o interesse estrangeiro? Diversos fatores contribuem para esse cenário:
- Juros altos: a Selic ainda elevada, apesar dos cortes recentes, torna o país atrativo para investidores em busca de retornos maiores.
- Moeda desvalorizada: o real ainda relativamente fraco frente ao dólar torna os ativos brasileiros mais baratos para quem investe de fora.
- Commodities: o Brasil é um grande exportador de commodities, um setor que tem se beneficiado da demanda global.
O risco no radar
Jakurski alerta, no entanto, que essa “festa” não dura para sempre. O principal risco, segundo ele, é quando o ritmo de entrada de capital estrangeiro diminuir. Nesse momento, o mercado tende a perder tração e a correção pode ser brusca. É como um rio que, após um período de cheia, retorna ao seu leito normal.
Para o investidor brasileiro, a dica é monitorar de perto o fluxo de capital estrangeiro e estar preparado para ajustar a estratégia caso esse cenário mude. Afinal, no mercado financeiro, a única certeza é a incerteza.
Eleições no horizonte
Curiosamente, o cenário político parece não ser, no momento, a principal preocupação dos investidores. Jakurski avalia que a eleição presidencial de 2026 ainda não entrou no radar do mercado. Uma eventual reeleição de Lula, por exemplo, não representaria um choque, já que se trata de um personagem conhecido. O gestor da JGP pondera, porém, que a deterioração do Brasil é um processo mais lento e estrutural, sem o risco de uma ruptura abrupta.
Diversificação como escudo
Em momentos de incerteza, a diversificação continua sendo a melhor estratégia para proteger o patrimônio. É como não colocar todos os ovos na mesma cesta: se algo der errado com um investimento, o impacto no portfólio como um todo será menor.
Além disso, vale a pena acompanhar de perto os balanços das empresas e os resultados trimestrais. Afinal, no longo prazo, o desempenho das ações está diretamente ligado à saúde financeira das companhias. E, claro, fique de olho no noticiário e nas análises de mercado para tomar decisões mais informadas.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.