O pregão de terça-feira (28/04/2026) já encerrou seus trabalhos na B3, e os holofotes se voltam para os resultados corporativos do primeiro trimestre. A temporada de balanços do 1T26 começou com tons mistos, onde empresas como Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3) mostram resiliência, enquanto o setor bancário dá os primeiros sinais de que a inadimplência pode voltar a apertar o cerco.
Gerdau e Vale: Força nas Commodities
A Gerdau (GGBR4) foi uma das estrelas do dia, com seu lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão no 1T26. Isso representa um crescimento de 33,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado, por sua vez, atingiu R$ 2,96 bilhões, um avanço de 25% sobre o trimestre anterior e 23% na comparação anual. Esses números não só superaram as expectativas de analistas, mas também chamaram a atenção pelo controle de custos no Brasil, que vinha sendo um ponto de atenção.
A força da operação nos Estados Unidos segue como um pilar de rentabilidade para a siderúrgica. Já no Brasil, apesar de um ambiente de preços e volumes ainda pressionados por importações, a melhora operacional pontual, impulsionada pela gestão de custos, foi um alívio. Essa solidez levou as ações da Gerdau a fecharem em alta, demonstrando a confiança do mercado.
A Vale (VALE3), gigante da mineração, também divulgou seus números após o fechamento do mercado. A empresa reportou um lucro líquido de US$ 1,89 bilhão no 1T26, um salto de 36% em relação ao mesmo período de 2025. A geração operacional de caixa estimada em US$ 4 bilhões, com destaque para o desempenho do cobre e do níquel, sugere uma operação robusta. Para os investidores, esses resultados reforçam a posição da Vale como uma exposição sólida ao ciclo de commodities.
Setor Bancário em Atenção
Enquanto as mineradoras celebram, o setor bancário começa a dar os primeiros sinais de um cenário mais desafiador. Os balanços de bancos referentes ao 1T26 já apontam para um crédito sob pressão e um foco renovado na inadimplência. Embora os resultados específicos ainda não estejam detalhados nas fontes disponíveis, a informação indica que os bancos precisarão redobrar a atenção com a qualidade da carteira de crédito nos próximos trimestres. Para o investidor, isso pode significar uma cautela maior com a exposição a esse setor.
Embraer e Hypera: Destaques Setoriais
A Embraer (EMBJ3) também apresentou resultados que agradaram os analistas. Os pedidos e entregas do primeiro trimestre foram vistos como um sinal de “robustez” da companhia, indicando que a fabricante de aeronaves mantém um ritmo consistente. Em um setor com ciclos longos, essa previsibilidade é um fator positivo.
Na indústria farmacêutica, a Hypera (HYPE3) reverteu o prejuízo do ano anterior e registrou um lucro líquido de R$ 345,7 milhões no 1T26. O resultado operacional (Ebitda ajustado) também mostrou uma virada expressiva, saindo de um valor negativo para R$ 586,5 milhões. Apesar de uma queda nas despesas com marketing, a receita líquida ficou em linha com as expectativas, mostrando que a empresa segue navegando em um mercado competitivo.
Assaí: Vendas Fracas Pressionam
Nem todos os setores tiveram um dia de celebração. O Assaí (ASAI3) reportou resultados fracos no primeiro trimestre, com vendas líquidas apresentando um aumento modesto de 2%. A deflação de alimentos, com preços de produtos essenciais caindo 12%, juntamente com a fragilidade do cenário macroeconômico, impactou o balanço. A ação fechou em queda de mais de 5%, sinalizando que as preocupações com o consumo se confirmaram. Essa performance reforça a ideia de que o cenário de inflação controlada pode ter um lado negativo para varejistas, quando combinada com a pressão sobre o poder de compra.
A temporada de balanços está apenas começando, e os próximos dias prometem mais revelações sobre a saúde das empresas brasileiras. Fique atento aos desdobramentos, pois cada resultado conta uma parte da história que molda suas estratégias de investimento.
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.