A bolsa brasileira segue no radar dos investidores estrangeiros, e o apetite por ativos locais parece longe de acabar. Mesmo com a Selic ainda nas alturas (15%), incertezas fiscais no horizonte e um ano eleitoral pela frente, o Ibovespa renova suas máximas históricas, turbinado pelo fluxo de capital gringo.

Por que o Brasil ainda atrai?

A resposta, como sempre, é multifacetada. Mas um dos principais fatores é o bom e velho “custo-benefício”. Executivos do UBS avaliam que, mesmo com o Ibovespa na casa dos 182 mil pontos, a bolsa brasileira ainda não está cara, especialmente quando comparada a outros mercados globais. Em outras palavras, o Brasil ainda oferece boas oportunidades a preços atraentes.

Além disso, o cenário macroeconômico também joga a favor. Para o investidor global, o Brasil surge como uma alternativa interessante para diversificar carteiras, especialmente em um momento em que muitos mercados desenvolvidos (como os Estados Unidos) já estão precificados em patamares elevados. É como encontrar um oásis no deserto.

E tem mais: a taxa de câmbio também é um atrativo. Segundo o UBS, a moeda brasileira está “relativamente barata” em seus modelos, o que torna os ativos locais ainda mais interessantes para quem vem de fora. E a expectativa é que, com o eventual corte da Selic pelo Banco Central, o mercado ganhe ainda mais impulso.

China + Brasil: a dupla dinâmica dos emergentes

Não é à toa que o UBS aponta Brasil e China como seus dois mercados favoritos no universo emergente. Ambos os países oferecem um potencial de crescimento interessante, com valuations (preços dos ativos) que ainda não refletem todo esse potencial.

ETFs: o atalho dos gringos para a bolsa brasileira

Se investir diretamente em ações pode parecer complicado, especialmente para quem não conhece o mercado local, os ETFs (Exchange Traded Funds) surgem como uma alternativa prática e eficiente. Esses fundos de índice, que replicam o desempenho de um determinado índice (como o Ibovespa), funcionam como um pacote de ações diversificado, permitindo ao investidor estrangeiro montar uma posição diversificada de forma rápida e fácil.

Um dos ETFs mais populares entre os gringos é o EWZ, o principal ETF brasileiro negociado no exterior. E o apetite por esse “atalho” para a bolsa brasileira tem sido grande: segundo relatório do BTG Pactual, o número de cotas do EWZ em circulação disparou 78% em relação ao ano passado, superando até os níveis pré-pandemia. Em 2025, o avanço já havia sido de 53%. É um recorde histórico, segundo os analistas.

R$ 15,8 bilhões em 3 semanas: a força do investimento estrangeiro

Para se ter uma ideia do impacto desse fluxo de capital, basta olhar para o desempenho do Ibovespa nas primeiras semanas de 2026: um salto de 11% (ou 15% em dólares), impulsionado pela entrada líquida de R$ 15,8 bilhões vindos do exterior, segundo o BTG Pactual.

O que isso significa na prática? Que o investimento estrangeiro está injetando liquidez no mercado, valorizando as ações das empresas que compõem o Ibovespa. E quem se beneficia disso? Principalmente as grandes empresas, que respondem pela maior parte do índice.

O que esperar para o futuro?

É claro que o futuro é incerto, e ninguém tem uma bola de cristal para prever o que vai acontecer com a bolsa brasileira. Mas, no momento, os sinais são positivos. O fluxo de investimento estrangeiro continua forte, os valuations ainda são atraentes e a expectativa é que o cenário macroeconômico melhore nos próximos meses, com a queda da Selic e a retomada do crescimento econômico.

No entanto, é importante lembrar que investir sempre envolve riscos. E, no caso do Brasil, as incertezas políticas e fiscais podem gerar volatilidade no mercado. Por isso, é fundamental ter cautela, diversificar a carteira e buscar informações de fontes confiáveis antes de tomar qualquer decisão.

Afinal, investir é como plantar uma árvore: exige paciência, cuidado e um bom planejamento. Mas, se tudo correr bem, os frutos podem ser bem doces.