A Inteligência Artificial (IA) virou o fantasma que assombra o mercado financeiro. De um lado, o medo de que a tecnologia cause um tsunami, varrendo empresas inteiras do mapa. De outro, a dúvida cruel se os bilhões de dólares investidos em IA pelas gigantes da tecnologia vão realmente dar algum retorno em tempo útil. Essa combinação explosiva tem gerado turbulência nas bolsas, e quem investe precisa ficar de olho.

O medo da substituição

Imagine a seguinte situação: você é dono de uma locadora de vídeo em 2010. De repente, surge um tal de Netflix, prometendo filmes e séries direto na sua TV, sem precisar sair de casa. O que você faz? Entra em pânico, claro! É mais ou menos o que está acontecendo agora com a IA. Muitos investidores estão vendendo ações de empresas que consideram ameaçadas pela tecnologia, desde imobiliárias até corretoras de seguros. É como se estivessem vendo seus negócios se tornarem obsoletos da noite para o dia.

Segundo a Bloomberg, as menções sobre a disrupção causada pela IA em teleconferências com executivos quase dobraram em relação ao trimestre anterior. Ou seja, o assunto está na boca do povo (ou, no caso, dos CEOs). E, para os investidores, onde há fumaça, há fogo.

O ceticismo com os investimentos

Mas não é só o medo que move o mercado. Também tem o ceticismo em relação aos investimentos maciços em IA. Afinal, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet (Google) estão gastando rios de dinheiro com a tecnologia. A pergunta que fica é: quando é que essa dinheirama vai começar a se transformar em lucro de verdade? Alguns investidores duvidam que isso aconteça tão cedo, e preferem apostar em outros cavalos.

Julia Wang, diretora de investimentos da Nomura International Wealth Management, disse à Bloomberg Television que existe uma contradição nas preocupações dos investidores em relação à IA, pois essas duas coisas não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Isso mostra a complexidade do cenário atual.

Estratégias de investimento em tempos de IA

Diante desse cenário, o que fazer com seus investimentos? A resposta, como sempre, não é simples. Mas algumas dicas podem ajudar:

Diversificação é a chave

Já dizia o ditado: não coloque todos os ovos na mesma cesta. Em tempos de incerteza, diversificar a carteira é ainda mais importante. Invista em diferentes setores, classes de ativos (ações, renda fixa, moedas emergentes, etc.) e até mesmo em fundos de investimento com estratégias variadas. Assim, se a IA realmente derrubar algum setor, o impacto na sua carteira será menor.

Foco no longo prazo

O mercado financeiro é cheio de altos e baixos. A IA pode estar assustando agora, mas, no longo prazo, pode trazer muitas oportunidades. Em vez de entrar em pânico e vender tudo, tente manter a calma e focar nos seus objetivos de longo prazo. Analise as empresas com cuidado, veja quais estão se adaptando à nova realidade e invista nelas com inteligência (sem trocadilhos!).

De olho nas ADRs e ETFs

Se você quer investir em empresas de tecnologia que estão na vanguarda da IA, uma opção é comprar ADRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados na bolsa brasileira) ou ETFs (fundos de índice) que replicam índices de tecnologia. Assim, você diversifica seus investimentos e ainda aproveita o potencial de crescimento do setor.

Cuidado com o efeito manada

Lembre-se: o mercado financeiro é movido por emoções. O medo e a ganância podem levar os investidores a tomar decisões precipitadas. Não se deixe levar pelo efeito manada. Faça sua própria análise, consulte especialistas e tome decisões com base em informações sólidas, não em boatos ou notícias sensacionalistas.

O futuro da IA e do mercado financeiro

É impossível prever o futuro da IA e do mercado financeiro. Mas uma coisa é certa: a tecnologia veio para ficar e vai transformar a economia global. Quem souber se adaptar a essa nova realidade terá mais chances de prosperar. E quem investir com inteligência, paciência e diversificação poderá colher bons frutos no longo prazo.

Como disse Roberto Scholtes, chefe de estratégia do Singular Bank, os investidores decidiram colocar o ônus da prova sobre as empresas. Ou seja, as empresas terão que provar que estarão entre as vencedoras para reconquistar a confiança do mercado. Até lá, a turbulência deve continuar. Mas lembre-se: em momentos de crise, surgem as melhores oportunidades.