A febre da inteligência artificial (IA) chegou a um novo patamar. As maiores empresas de tecnologia do mundo estão abrindo a carteira para investir pesado em data centers, chips e tudo que essa nova era digital exige. O problema? O mercado está de olho, com um pé atrás, se essa farra de gastos vai se pagar no longo prazo.

A conta (salgada) da IA

Números não mentem: Alphabet (Google), Amazon, Meta (Facebook) e Microsoft planejam juntas um investimento de nada menos que US$ 650 bilhões em 2026. É tanto dinheiro que, segundo a Bloomberg, para achar algo parecido, precisamos voltar à bolha das telecomunicações dos anos 90, ou até à construção das ferrovias nos EUA no século XIX. É um boom sem precedentes.

Só para ter uma ideia do impacto, esse volume de investimento fez as ações dessas empresas perderem juntas cerca de US$ 900 bilhões em valor de mercado desde a divulgação dos balanços trimestrais, segundo o Financial Times. O motivo? Investidor, como todo mundo, gosta de ver lucro, não só promessa. E essa conta bilionária da IA precisa fechar.

Bolha à vista? Calma...

A palavra “bolha” assusta, e com razão. Mas nem todo mundo concorda que estamos à beira de um estouro. Simon Lin, presidente da Wistron (fornecedora da Nvidia), por exemplo, acredita que a IA não é uma bolha, e que o crescimento das encomendas relacionadas à área será ainda maior em 2026 do que no ano passado. Ele vê a IA como o início de uma nova era, e não como uma moda passageira.

O Brasil na contramão (e com chances)

Enquanto o medo de uma bolha da IA assusta parte da Ásia, o Brasil pode se beneficiar dessa cautela. A Exame Invest apurou que, com a aversão ao risco aumentando, o mercado começa a enxergar alternativas defensivas, e o Brasil surge como uma opção interessante. A Índia também aparece nessa lista.

Por que o Brasil? Simples: a gente não depende tanto da tecnologia de ponta como outros mercados emergentes. A nossa economia é mais diversificada, com peso forte do agronegócio e de commodities. E, em tempos de incerteza, essa diversificação pode ser uma vantagem.

E o Bitcoin com isso?

Calma, eu chego lá. A cautela com a IA pode redirecionar parte dos investimentos para outros ativos considerados de risco, mas com potencial de valorização, como o Bitcoin e outras criptomoedas. Se investidores globais buscarem alternativas fora do mercado de ações, o mercado cripto pode se beneficiar.

Especialmente porque o Bitcoin tem se mostrado resiliente, com sinais de recuperação após as turbulências dos últimos anos. O mercado cripto, como um todo, amadureceu e agora atrai investidores mais institucionais, que buscam diversificação e proteção contra a inflação. E, convenhamos, depois de um hype tão grande em cima da IA, é natural que o mercado busque outras apostas.

É como na bolsa: ninguém quer colocar todos os ovos na mesma cesta. A inteligência artificial é o futuro? Talvez. Mas, como todo bom investidor sabe, diversificar é a chave para navegar em águas turbulentas. E, no momento, o mar da IA parece um pouco agitado demais para alguns.