Calma, respira fundo. A inteligência artificial (IA) virou assunto obrigatório em qualquer roda de investidores, e não é para menos. Se antes a gente se perguntava 'o que a IA vai fazer *por* mim?', agora a pergunta é 'o que a IA vai fazer *com*igo?'. E essa mudança de perspectiva mexeu (e como!) com o mercado.

Nos últimos dias, você deve ter notado uma certa turbulência, principalmente no setor de tecnologia. Ações que antes eram queridinhas do mercado agora estão sofrendo, e o motivo, claro, é o medo de que a IA torne alguns modelos de negócio obsoletos. Afinal, se um software de IA consegue escrever um código, qual o futuro das empresas de software?

Onde a IA dói mais (e no bolso também)

Um gestor de um fundo global de tecnologia que superou 99% dos seus pares em um ano, e 97% em cinco, o Polar Capital, já se desfez de quase todas as suas posições em empresas de software, com exceção de uma pequena participação na Microsoft. Segundo a InfoMoney, o gestor Nick Evans acredita que o software de aplicação, aquele que usamos para tarefas como escrever e gerenciar pagamentos, é o mais vulnerável.

A questão é que o mercado está dividido entre dois medos: o de que a IA vai substituir tudo e todos, e o de que os investimentos bilionários em IA pelas gigantes de tecnologia não vão trazer o retorno esperado tão cedo. Essa combinação explosiva gerou um 'sell-off' generalizado, com empresas de diversos setores (de imobiliário a seguros) perdendo valor de mercado. É como se o mercado estivesse se preparando para as mudanças que a IA trará.

E o Brasil nessa história?

Por aqui, o impacto da IA ainda está sendo digerido. Os bancos brasileiros, por exemplo, estão investindo pesado em IA para melhorar seus serviços, desde chatbots até análise de risco de crédito. Mas, ao mesmo tempo, o setor financeiro observa atentamente o que está acontecendo lá fora, buscando entender como se preparar para um futuro onde a IA pode ser tanto uma aliada quanto uma concorrente.

O BNDES também está de olho na IA, buscando oportunidades para financiar projetos inovadores e impulsionar o desenvolvimento tecnológico no país. A ideia é garantir que o Brasil não fique para trás nessa corrida, e que a IA seja usada para gerar valor e empregos por aqui.

E as ADRs (American Depositary Receipts) de empresas brasileiras negociadas em Nova York? Elas também sentiram o baque. As ações de empresas de tecnologia, como Stone e Totvs (TOTS3), que já vinham sofrendo com a alta dos juros nos EUA, agora enfrentam o fantasma da IA. É como se tivessem recebido um golpe adicional em um momento já difícil.

China entra em campo para esfriar os ânimos

Enquanto isso, a China resolveu agir para conter o que considera especulação excessiva em torno das ações de IA. Segundo o Seu Dinheiro, o governo chinês escalou um time de investidores institucionais estatais para moderar o rali frenético das ações ligadas à IA, sinalizando uma crescente preocupação com o risco de uma bolha financeira no setor. É como se o governo estivesse controlando o otimismo excessivo para evitar uma bolha financeira.

O que fazer agora?

A grande pergunta que não quer calar: é hora de vender tudo e correr para as colinas, ou de aproveitar a baixa para comprar ações baratas? A resposta, como sempre, não é simples. Depende do seu perfil de investidor, dos seus objetivos e, claro, da sua tolerância ao risco.

Uma coisa é certa: a IA não é uma moda passageira. Ela veio para ficar e vai transformar o mundo (e o mercado) de diversas maneiras. O segredo é entender como essa transformação vai acontecer e se posicionar para tirar o melhor proveito dela. Diversificar a carteira, analisar os fundamentos das empresas e, principalmente, manter a calma são atitudes essenciais nesse momento. Afinal, no mercado financeiro, como na vida, a inteligência emocional faz toda a diferença.

Atenção!

Lembre-se: este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Antes de tomar qualquer decisão, consulte um profissional qualificado e faça sua própria análise.