O Ibovespa não cansa de surpreender. Nesta quarta-feira, o principal índice da bolsa brasileira renovou seu recorde histórico, superando os 184 mil pontos e chegando a encostar nos 185 mil durante o pregão. Um rali e tanto que, só em janeiro, já acumula alta de cerca de 15%. Para quem acompanha o mercado, a pergunta que não quer calar é: até onde vai essa escalada?
O motor do Ibovespa: fluxo estrangeiro e juros
Boa parte dessa performance pode ser atribuída ao apetite dos investidores estrangeiros pelas ações brasileiras. De acordo com dados do mercado, gringos já injetaram quase R$ 16 bilhões na B3 em janeiro, um volume que não se via há tempos. O que explica esse entusiasmo? Uma combinação de fatores, incluindo a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos – o que torna os mercados emergentes mais atraentes – e o cenário político-econômico brasileiro, que, apesar dos desafios, tem demonstrado resiliência.
A queda do dólar também ajuda a impulsionar o Ibovespa. A moeda americana recuou para R$ 5,19, o menor nível em quase dois anos, o que tende a beneficiar empresas exportadoras e a atrair ainda mais capital externo.
A “Super Quarta” e o futuro da bolsa
Hoje é dia de “Super Quarta”, com decisões importantes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. O Copom (Comitê de Política Monetária) deve anunciar a manutenção da taxa Selic, enquanto o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) também deve manter os juros estáveis. A expectativa é que essas decisões tragam mais clareza sobre o futuro da política monetária global e, consequentemente, sobre o rumo dos mercados.
A reação do mercado a esses anúncios pode ser decisiva para determinar se o Ibovespa vai continuar subindo ou se vai dar uma respirada. Se o Fed sinalizar uma postura mais “hawkish” (agressiva no combate à inflação), podemos ver uma correção nos mercados globais, incluindo o Brasil. Por outro lado, se o tom for mais “dovish” (suave), a tendência é que o rali continue.
E o investidor brasileiro?
Enquanto os gringos fazem a festa na bolsa, o investidor local parece estar mais cauteloso. Fundos de ações domésticos representam hoje cerca de 4% da indústria de fundos, menos da metade da média histórica, segundo o Morgan Stanley. Ou seja, muita gente ainda está “vendo o navio zarpar”. Será que vale a pena entrar agora?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Quem já está posicionado, claro, está feliz da vida. Mas quem está de fora pode estar se sentindo um pouco frustrado por ter perdido parte dessa valorização. A boa notícia é que, mesmo com o Ibovespa nas alturas, ainda existem oportunidades no mercado. O segredo é diversificar, analisar os fundamentos das empresas e, claro, ter estômago para aguentar as oscilações.
Ações em destaque
No pregão de hoje, algumas ações se destacaram. A Usiminas (USIM5) disparou, figurando entre os melhores resultados do dia. A Vale (VALE3) também apresentou alta consistente, impulsionada pela notícia de que voltou a ser a maior produtora mundial de minério de ferro. Já a Raízen (RAIZ4) decolou, atingindo a máxima do dia. No setor bancário, Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú Unibanco (ITUB4) sustentaram altas importantes.
Cautela e caldo de galinha...
É sempre bom lembrar que, em renda variável, não existe almoço grátis. O Ibovespa pode continuar subindo, mas também pode cair. Por isso, a palavra de ordem é cautela. Analise seus objetivos, defina sua estratégia e, principalmente, não coloque todos os ovos na mesma cesta. Afinal, como diz o ditado, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém (especialmente no mercado financeiro).
Disclaimer: Este artigo tem fins informativos e não constitui recomendação de investimento. Cada investidor deve realizar sua própria análise e consultar um profissional qualificado antes de tomar qualquer decisão.