Sextou com o pé direito para quem investe na bolsa! O Ibovespa não só manteve o embalo, como cravou um novo recorde, flertando com os 166 mil pontos. Mas, depois da festa, vem a pergunta: e agora?

Afinal, entrar no bonde da alta com ele já em velocidade máxima é uma boa ideia? Ou seria hora de, como diria o ditado, “vender na alta” e embolsar os lucros? Calma, respira! A resposta, como quase tudo no mundo dos investimentos, é: depende.

Vamos entender o que andou mexendo com o humor dos investidores e o que pode pintar no radar nas próximas semanas. E, claro, sem receitinhas mágicas – porque, né, se elas existissem, a gente estaria em paraísos fiscais e não aqui, escrevendo sobre o mercado.

O que turbinou o Ibovespa?

A combinação de alguns fatores animou a galera do mercado. Primeiro, os dados do IBC-Br, o famoso “termômetro do PIB” divulgado pelo Banco Central, vieram melhores do que o esperado. Em novembro, a economia brasileira cresceu 0,70%, superando a previsão de 0,30% da pesquisa Reuters. Sinal de que a atividade econômica está mais forte do que se imaginava, o que, em tese, é bom para as empresas e, consequentemente, para as ações.

Além disso, a produção industrial nos EUA também surpreendeu positivamente, com alta de 0,4% em dezembro. Uma economia americana aquecida costuma ser um bom presságio para o resto do mundo, inclusive para o Brasil.

Some a isso um certo otimismo em relação ao cenário eleitoral (afinal, o mercado financeiro adora previsibilidade, mesmo que ela seja furada) e a manutenção das taxas de juros em patamares elevados (o que atrai investidores estrangeiros em busca de retornos mais gordos) e temos a receita para o rali do Ibovespa.

Ajuste de rota ou fôlego renovado?

Depois de atingir o pico, é natural que a bolsa passe por um período de ajuste, com investidores realizando lucros e embolsando o que ganharam. Foi o que aconteceu hoje: o Ibovespa deu uma leve recuada, mas nada que apagasse o brilho da semana.

A grande questão é: essa correção é apenas um respiro antes de uma nova arrancada, ou o prenúncio de uma queda mais acentuada? Ninguém tem bola de cristal, mas alguns sinais podem nos ajudar a decifrar o futuro.

De olho nos indicadores

Fique de olho nos próximos dados sobre a inflação, o desempenho do varejo e a confiança do consumidor. Se os números continuarem positivos, o Ibovespa pode ganhar fôlego para seguir em frente. Caso contrário, prepare-se para uma correção mais forte.

A novela da Selic

O Banco Central deve manter a Selic (a taxa básica de juros) no radar. Se o Copom (Comitê de Política Monetária) der sinais de que pretende começar a reduzir os juros em breve, isso pode impactar negativamente a bolsa, já que a renda fixa se tornaria menos atrativa.

A dança do dólar

A valorização do dólar frente ao real também pode pesar sobre o Ibovespa. Afinal, um dólar mais caro torna as empresas brasileiras menos competitivas no mercado internacional.

Recomendações? Fuja delas!

Se você chegou até aqui esperando que eu te diga quais ações comprar ou vender, pode tirar o cavalinho da chuva. Meu papel é te dar as ferramentas para que você mesmo tome as suas decisões, com base nas suas próprias análises e no seu perfil de risco.

Aliás, falando em recomendações, o BB Investimentos, por exemplo, alterou sua carteira de swing trade, recomendando a compra de Petrobras (PETR4) e Multiplan (MULT3) e a venda de Localiza (RENT3). Já a Ágora Investimentos sugere a compra de Iguatemi (IGTI11) e a venda de Cosan (CSAN3) para operações de day trade. Mas lembre-se: essas são apenas sugestões, e o que serve para um investidor pode não servir para outro.

Dividendos, por exemplo, são como aluguéis: você recebe sem precisar vender o imóvel. Uma boa estratégia para quem busca renda passiva, mas que exige paciência e disciplina.

A lição de casa

Antes de apertar o botão de compra ou venda, faça a sua lição de casa. Analise os balanços das empresas, acompanhe as notícias do mercado e, principalmente, defina qual é o seu objetivo com aquele investimento. Quer construir patrimônio a longo prazo? Busca ganhos rápidos? Precisa de uma renda extra? As respostas para essas perguntas vão te ajudar a traçar a melhor estratégia.

E lembre-se: diversificar é não colocar todos os ovos na mesma cesta. Distribua seus investimentos em diferentes setores e classes de ativos, para reduzir os riscos e aumentar as chances de sucesso. Afinal, no mundo dos investimentos, a única certeza é a incerteza. Mas, com informação e planejamento, você pode navegar por ele com mais segurança e tranquilidade.